
Samylle Valentina Borba Ramiro deu entrada em UPA com sinais de violência; Polícia Civil investiga o caso
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A vítima e sua irmã foram afastadas da mãe e do pai em 2025 após denúncias de violência sexual. A guarda da criança foi devolvida à mãe em outubro do ano passado.
O Conselho Tutelar de Porto Alegre acompanhava o caso da menina de 4 anos que chegou morta a uma UPA há mais de um ano. O primeiro atendimento a Samylle Valentina Borba Ramiro aconteceu em abril de 2025, quando a menina e a irmã, de 9 anos, foram encaminhadas para a casa dos avós maternos.
A morte de Samylle é investigada pela Poícia Civil. A criança deu entrada na madrugada de segunda-feira (17) na UPA Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, já sem vida e com manchas roxas pelo corpo.
De acordo com a investigação, médicos que realizaram o atendimento na UPA relataram sinais de violência sexual no corpo da menina, além de indícios de agressões na cabeça e nas pernas.
Em 2025, Samylle e sua meia-irmã mais velha (filha da mesma mãe com outro homem) foram afastadas do convívio com a mãe e com o pai de Samylle, à época companheiro da mulher. De acordo com o Conselho Tutelar, a recomendação de afastamento foi feita à Justiça após uma denúncia de violência sexual. A vítima seria a irmã, e o suspeito era o pai de Samylle, padrasto da suposta vítima.
"Uma pessoa realizou esse comunicado que havia uma suspeita de violação sexual [contra a irmã . Então, se deu por isso a entrada no Conselho. Por isso, naquele momento, foram afastadas da mãe", explica Leandro Barbosa da Silva, coordenador-geral dos Conselhos Tutelares de Porto Alegre.
Em outubro do ano passado, a guarda da caçula foi devolvida à mãe, de forma compartilhada com o pai. A outra menina teria ficado com os avós.
A polícia ainda busca entender como Samylle chegou à casa dos tios. Foram eles que a levaram ao atendimento médico, já sem vida. A tia ficou na UPA até o fim do atendimento, mas o tio fugiu assim que a polícia chegou ao local.
Recentemente, no dia 8 de julho, a tia teria ido ao Conselho Tutelar. "Quando a tia se apresenta em outra unidade dizendo que ela é protetiva, então ela assumiu ali que ela é responsável, mas a guarda estava com a mãe", destaca Silva.
A tia informou às autoridades que a menina estava morando com ela. Segundo a polícia, documentos mostram que o Conselho Tutelar teria, no início de julho, concedido um termo de responsabilidade para a tia, que estaria em tratativas para obter a guarda na Justiça.
Em nota, a Defensoria Pública confirmou que foi procurada pela tia na última quinta-feira (13), "direcionada pelo Conselho Tutelar, por impossibilidade de exercício da guarda pela mãe."
Após o primeiro atendimento no ano passado, o Conselho comunicou à polícia sobre a situação. "A rede [de proteção] não errou, porque a gente já passou todos os documentos, inclusive para a Polícia Civil", diz o coordenador-geral dos Conselhos Tutelares da capital.
Polícia Civil investiga
A Polícia Civil apura a causa da morte e quem foi o responsável pelas supostas agressões. Os laudos periciais devem indicar quando as lesões foram causadas. "São lesões na cabeça, nas nádegas, nas pernas", relata Alice Fernandes, delegada da 3ª Delegacia de Proteção à Crianças e ao Adolescente.
"Os médicos narraram sinais visíveis de agressão, algumas marcas no corpo da vítima", afirma ainda a delegada.
A tia da menina, que a levou à unidade de pronto atendimento, prestou depoimentos à polícia. Ela afirmou que, quando chegou em casa após o trabalho, a menina estava saindo do banho e apresentava lesões pelo corpo. Ela teria questionado seu companheiro e os dois tiveram uma discussão.
"A menina foi para o quarto dormir. Quando a tia passou, a menina estava na cama, dormindo. Viu que ela apresentava uma espuma pela espuma, como se estivesse convulsionando”, conta a delegada.
Até a publicação desta reportagem, a polícia ainda não trabalhava com suspeitos e tratava todos os envolvidos no caso como testemunhas.
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Conclusão de laudos periciais sobre a causa da morte.
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