Escultor usa IA para reproduzir o olhar de Endrick em boneco gigante para o Carnaval de Olinda
Quick Look
- O escultor Guilherme Paz utiliza inteligência artificial para recriar o olhar do jogador Endrick em um boneco gigante para o Carnaval de Olinda.
- A peça homenageia a promessa do futebol brasileiro, comparada a Pelé.
AI-generated summary
A missão está nas mãos do escultor Guilherme Paz, que passa os dias analisando fotos, modelando barro e tentando reproduzir uma das características mais marcantes do atacante: o olhar. E, para isso, vale até pedir ajuda à inteligência artificial.
Mesmo sem ser titular absoluto da Seleção Brasileira, Endrick, de 19 anos, é apontado por muitos torcedores como uma das principais promessas do futebol nacional, ao ponto de ser chamado de "o novo Pelé".
Revelado pelo Palmeiras e atualmente no Real Madrid (mas emprestado ao Lyon), ele ganhou destaque pela personalidade em campo, pelos gols decisivos e pela identificação que criou com parte da torcida brasileira, que vê no jogador um símbolo da renovação da Seleção.
A responsável pela homenagem a Endrick é a Embaixada dos Bonecos Gigantes, que todos os anos leva às ladeiras de Olinda, no carnaval, um verdadeiro elenco de personalidades em suas versões gigantescas.
A primeira etapa da confecção do boneco passa pelas mãos do escultor Guilherme Paz. Formado em design gráfico e ilustração, ele conta que, antes de esculpir o barro com o rosto do jogador, precisa do máximo possível de referências do rosto e cabeça de quem vai fazer. A tecnologia tem sido uma aliada nesse processo.
"Envolve muita pesquisa e, ultimamente, também tenho usado muito a inteligência artificial para reconstrução de imagem. Quando, por exemplo, só consigo foto daquela pessoa de frente. Aí eu abro a IA, peço para pegar essa imagem e imaginar essa pessoa de lado, de diagonal. Vou juntando essas referências para ter tudo que preciso para fazer a cabeça", conta o escultor.
Guilherme é filho de Leandro Castro, produtor cultural à frente da Embaixada dos Bonecos Gigantes. Antes das esculturas, o jovem já trabalhou com tatuagem e com design gráfico. Há cerca de três anos, um artista da Bahia veio a Pernambuco para ministrar um curso. Foi quando ele se encantou pelos "grandalhões".
"Como ele é muito novo, uma foto de um ano para outro já muda muito. O desafio de Endrick está sendo fazer o olho, porque ele tem um olho um pouco diferente, que está dando um trabalhinho a mais. E eu sempre tento fazer com o olhar da pessoa, e não um olhar vazio. Fora isso, está tranquilo e está sendo bem divertido de fazer. É o que eu gosto de fazer", declarou.
"Estou botando fé no menino também, acho que muita gente do Brasil está botando fé nele. Acho que o brasileiro reconhece muito fácil os jogadores que estão jogando com vontade pelo país, e eu acho que Endrick é um deles", contou.
Esta é a quinta Copa do Mundo em que os bonecos da Embaixada são "escalados". A primeira foi a da África do Sul, em 2010. O primeiro personagem ligado a futebol foi o narrador Galvão Bueno, que, segundo Leandro Castro, se encantou pelo próprio boneco. Em seguida, veio o rei Pelé.
A Copa seguinte, de 2014, foi a do Brasil, e teve até jogo de futebol com bonecos na Praia de Boa Viagem. Desde então, entre os muitos futebolistas homenageados, estão:
Na Copa de 2022, por exemplo, fez sucesso o boneco do atacante Richarlison, que não foi convocado para o campeonato deste ano. Na época, a aparência do gigante virou piada na internet e motivou até uma "harmonização facial" para ficar mais parecido com o jogador.
"Primeiro, tem que ser um gigante do futebol. O jogador tem que estar bem ali naquela época, fazer a diferença, como era o Ronaldo Fenômeno. Chegava lá e definia. Nas partidas que Endrick participou, ele foi lá e decidiu. A gente tá torcendo aqui para o nosso amigo Ronaldo, o bruxo, fazer uma mágica, para o técnico Ancelotti despertar para isso", disse o produtor cultural.
Leandro contou, também, que o tempo ideal para confecção de um boneco costuma ser de, ao menos, 40 dias. Entretanto, em épocas de copa, já houve alguns feitos em até mesmo três dias.
"Quarenta dias é o tempo ideal para criação de um boneco, com todo o processo, que é a modelagem, fazer a forma, transformar em fibra de vidro, acabamento, pintura, refino do acabamento. Copa do Mundo é um período muito pequeno. E a gente interage, os bonecos não estão prontos antes de começar. A gente não sabe quem vai ser o destaque. Nosso recorde foi um boneco em três dias", declarou.





