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Estudo: 55,7% das vítimas de homicídio consumiram álcool ou drogas
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G15/25/2026Crime4 min readBrazil

Estudo: 55,7% das vítimas de homicídio consumiram álcool ou drogas

Quick Look

  • Pesquisa da USP analisou 3.577 mortes violentas em 4 capitais e regiões metropolitanas.
  • 55,7% das vítimas de homicídio consumiram substâncias psicoativas, com cocaína sendo a mais frequente.

AI-generated summary

Why It Matters

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP analisou 3.577 mortes violentas em capitais e regiões metropolitanas de Belém, Recife, Vitória e Curitiba entre março de 2022 e junho de 2024. O estudo buscou identificar a presença de substâncias psicoativas nas vítimas.

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Entre as vítimas de homicídio, 55,7% haviam consumido álcool ou drogas antes da morte — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico

A pesquisa analisou 3.577 mortes registradas entre março de 2022 e junho de 2024 nas capitais e regiões metropolitanas de Belém (PA), Recife (PE), Vitória (ES) e Curitiba (PR).

Os pesquisadores identificaram presença de pelo menos uma substância psicoativa em 53% das vítimas. A cocaína foi a substância mais encontrada nas análises toxicológicas, presente em 29,6% dos casos, seguida por álcool (27,7%), benzodiazepínicos (6,8%) e cannabis (2,2%).

Segundo os autores, os resultados evidenciam o peso do consumo de álcool e drogas na mortalidade precoce por causas externas no país.

🔎 Morte violenta é todo óbito causado por agentes externos, seja de forma intencional ou acidental, como homicídios, suicídios, acidentes de trânsito ou mortes decorrentes de intervenção policial. Diferentemente das mortes naturais, esses casos exigem investigação policial e perícia no Instituto Médico Legal (IML).

Estudo analisou sangue coletado em necropsias

As amostras foram coletadas durante necropsias realizadas nos Institutos Médicos Legais das quatro regiões estudadas. Todas passaram por análise no Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina da USP.

Os pesquisadores incluíram vítimas com mais de 18 anos submetidas à necropsia em até oito horas após a morte. Casos com corpos em decomposição ou vítimas que permaneceram mais de seis horas sob atendimento médico antes da morte foram excluídos.

As cidades foram escolhidas com base nas taxas de mortalidade e também por estarem localizadas em rotas do tráfico de drogas.

Do total de mortes analisadas:

2.406 foram homicídios;

524 acidentes de trânsito;

330 suicídios;

52 envenenamentos;

265 outras causas externas.

A maioria das vítimas era composta por homens (89,7%), pessoas com 30 anos ou mais (56%) e indivíduos não brancos (80,8%).

Cocaína aparece mais associada aos homicídios

Os homicídios foram a principal circunstância de morte analisada no estudo, representando 67,3% dos casos.

Entre as vítimas de homicídio, 55,7% haviam consumido álcool ou drogas antes da morte. A cocaína apareceu como a principal substância detectada nesse grupo, presente em 36% das análises toxicológicas.

Para os pesquisadores, o resultado dialoga com o papel do Brasil como rota do tráfico internacional e também como principal mercado consumidor de cocaína da América do Sul.

Os autores ressaltam, porém, que o trabalho é transversal e não permite afirmar relação direta de causa e efeito entre o uso de cocaína e os homicídios.

“Embora estudos transversais não permitam estabelecer relações de causalidade, os resultados destacam um importante problema relacionado à associação entre o uso de substâncias psicoativas e mortes por causas externas”, afirmam os pesquisadores.

Álcool segue ligado às mortes no trânsito

Nos acidentes de trânsito, o álcool apareceu como principal substância relacionada às mortes. Segundo o levantamento, mais de dois em cada cinco casos de trânsito apresentaram consumo de substâncias, com destaque para o álcool.

Os pesquisadores afirmam que o resultado reforça evidências já conhecidas sobre os efeitos da bebida alcoólica na direção.

“O álcool reduz acuidade visual, estado de alerta, coordenação motora e capacidades cognitivas essenciais para dirigir”, diz o estudo.

Apesar da Lei Seca e das regras mais rígidas adotadas desde 1998, os autores afirmam que o álcool continua sendo o principal fator associado às mortes no trânsito no Brasil.

Benzodiazepínicos tiveram alta presença em suicídios

Os casos de autoagressão apresentaram a segunda maior prevalência de uso de substâncias psicoativas.

Nesse grupo, o álcool foi a substância mais frequente, mas os pesquisadores chamaram atenção para a presença elevada de benzodiazepínicos — classe de medicamentos usada para tratar ansiedade, insônia e crises de pânico.

Fazem parte desse grupo remédios como clonazepam (Rivotril), diazepam (Valium), alprazolam (Frontal) e bromazepam (Lexotan).

Um em cada cinco casos de suicídio analisados apresentou resultado positivo para benzodiazepínicos.

Pesquisadores defendem abordagem de saúde pública

Na conclusão do estudo, os autores afirmam que o uso de drogas “é uma realidade da população brasileira que precisa ser abordada de forma holística”.

Segundo os pesquisadores, políticas públicas focadas apenas em punição tendem a ser menos eficazes para reduzir mortes violentas e danos relacionados às drogas.

— Estudo da USP

Ops!

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Revisão e adaptação de políticas públicas de saúde e segurança para abordar o uso de substâncias como fator de risco para mortes violentas.

    Likely · Medium term

  • Aumento da conscientização pública sobre a associação entre consumo de álcool/drogas e mortes violentas, especialmente em acidentes de trânsito e homicídios.

    Very likely · Short term

Open Questions

  • Qual a proporção exata de mortes violentas em que o consumo de substâncias foi um fator contribuinte, e não apenas presente?
  • Existem diferenças significativas nas taxas de consumo de substâncias entre as diferentes regiões metropolitanas estudadas?
  • Como as políticas públicas atuais de combate às drogas e prevenção à violência se alinham com as recomendações do estudo?
  • Qual o impacto a longo prazo do consumo de substâncias na mortalidade por causas externas no Brasil?

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This article was originally published by G1.

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