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Humberto Gessinger ganha versão forró em álbum "Nordestina highway"
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G16/15/2026Music4 min readBrazil

Humberto Gessinger ganha versão forró em álbum "Nordestina highway"

Quick Look

  • O álbum "Nordestina highway" transporta sete músicas de Humberto Gessinger, conhecido por suas letras existenciais e filosóficas no rock brasileiro, para o universo do forró.
  • Gravado na Paraíba, o projeto conta com a participação de diversos artistas.

AI-generated summary

Why It Matters

Humberto Gessinger, ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, é reconhecido por suas letras filosóficas e literárias no rock brasileiro dos anos 80 e 90. O álbum "Nordestina highway" propõe uma releitura de suas canções no gênero forró.

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♬ Quase nunca valorizado pela crítica na dimensão da grande contribuição que deu ao rock brasileiro nos anos 1980 e 1990 como mentor, vocalista e principal compositor da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger construiu obra alicerçada em questões existenciais e filosóficas como um pensador pop que escreveu letras repletas de referências literárias.

Algumas angústias e reflexões das letras do artista porto-alegrense se diluem na travessia que conduz sete músicas do Gessinger ao forró em rota que parte do Sul do Brasil para o nordeste do país, precisamente na Paraíba. Transportar a obra do compositor para o universo do forró é a intenção do álbum “Nordestina highway”, gravado no Peixe-Boi Estúdio, em João Pessoa (PB), com produção musical de Marcelinho Macedo, e programado para ser lançado em 25 de junho.

Antes, na quarta-feira, 17 de junho, o single “Eu que não amo você” desembarca nos players digitais com abordagem agitada de Lucy Alves, intérprete da música lançada pelo grupo Engenheiros do Hawaii no álbum “Tchau radar!” (1999). A faixa é bom cartão de visitas do álbum “Nordestina highway” porque o canto de Lucy carrega certa ansiedade condizente com a letra em que Gessinger retrata o desespero e a negação de eu-lírico afundado no poço escuro da paixão mal resolvida.

Em contrapartida, o cantor Cezzinha – cuja sanfona é ouvida em seis das sete faixas do disco – amacia demais “Um dia de cada vez” (2019), dissolvendo o significado de versos que pregam resiliência na roda-viva cotidiana que entremeia agonias e prazeres.

Música da discografia solo de Humberto Gessinger, “Um dia de cada vez” virou forró pé-de-serra em andamento próximo da cadência do xote com que o cantador cearense Santanna leva “Terra de gigantes” (1987) em gravação que, embora turbinada com versos do repentista João Paraibano (1952 – 2014), parece deixar escapar na estrada o sentimento de desencanto juvenil diante da frieza do mundo adulto.

Musicalmente, o forró fica mais arretado com o canto de “Somos quem podemos ser” (1988) pelo artista baiano Del Feliz. A faixa flui bem, mas deixa a impressão – recorrente ao longo do álbum – de que a reflexão de Gessinger sobre a busca por uma identidade diante do choque diário de realidade fica abafada no compasso aliciante do forró, termo que em si já denota diversão e leveza.

Sob tal prisma, vale destacar a interpretação do cantor e cordelista piauiense Beto Brito, que evoca a prosódia de Zé Ramalho na interpretação de “Revolta dos dândis I” (1987), procurando valorizar o sentimento da inadequação da música-titulo do segundo álbum da banda Engenheiros do Hawaii. “A estrada nordestina é o caminho que leva ao coração”, improvisa Brito no verso final de faixa que soa adequada dentro do conjunto “Nordestina highway”.

Em contrapartida, Xand Avião parece cantar “Refrão de bolero” (1987) sem pensar na angústia impressa na letra dessa balada, transformada pelo cantor cearense em mix de samba e forró em arranjo que harmoniza a sanfona de Cezzinha com o cavaco de Potyzinho Lucena.

Música do duo Pouca Vogal, formado por Humberto Gessinger com Duca Leindecker, “Depois da curva” faz mais sentido na voz da cantora paraibana Sandra Belê em cadência de xote. Em gravação sensível, Belê expressa no canto o sentimento de esperança e superação que movem os versos de Gessinger.

Enfim, entre acertos e tropeços ao longo da estrada, o álbum “Nordestina highway” escapa por pouco de ser tributo fonográfico meramente curioso ao transportar o cancioneiro existencialista de Humberto Gessinger para o universo dançante e mais desencanado do forró.

Open Questions

  • Qual o impacto comercial do álbum?
  • Como o público fiel de Gessinger reagirá às versões forró?

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This article was originally published by G1.

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