Jovem interage com jacaré-açu em rio do Tocantins; bióloga explica comportamento
Quick Look
- Arthur Wieczorek, 22, compartilhou vídeo interagindo com jacaré-açu apelidado de "Joãozinho" em Caseara (TO).
- Bióloga explica que é resposta condicionada à expectativa de alimento, não domesticação.
- Jacarés-açu são predadores oportunistas e podem se tornar defensivos com ninhos.
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Why It Matters
Um jovem compartilhou um vídeo interagindo com um jacaré-açu em um rio, gerando preocupação sobre segurança e comportamento animal. A bióloga Barthira Rezende explica que a aproximação é condicionada à expectativa de alimento.
Arthur Wieczorek, de 22 anos, compartilhou nas redes sociais uma interação inusitada com um jacaré-açu apelidado de "Joãozinho" enquanto pescava em um rio em Caseara, região oeste do estado.
No vídeo, é possível escutar o jovem chamando pelo animal, que se aproxima da margem do rio. A bióloga Barthira Rezende de Oliveira explica que a reação, embora pareça amigável, na verdade, "trata-se de uma resposta condicionada pela expectativa de alimento".
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Segundo a especialista, que é mestra em Biodiversidade, Ecologia e Conservação, e membro do Grupo Brasileiro de Referência em Crocodilianos, o jacaré-açu é um predador oportunista que aprende a associar sons e a presença humana à comida, especialmente em locais onde há descarte de restos de peixes.
"O jacaré-açu não procura pessoas, procura alimento. Quando pescadores ou turistas deixam peixes, vísceras ou restos de comida próximos à água, o animal pode associar aquele local a uma fonte fácil de alimento e passar a frequentá-lo", destacou.
Apesar de conseguirem ajustar seus padrões de movimento e uso do habitat conforme as variações do ambiente, não é comum que esses animais se aproximem espontaneamente de seres humanos na natureza. Barthira reforça que, no caso de fêmeas em período reprodutivo, o comportamento pode se tornar intensamente defensivo para proteger ninhos e filhotes.
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Jacaré permaneceu próximo de jovens que pescavam em rio — Foto: Divulgação/Arthur Wieczorek
Considerado o maior crocodiliano do Brasil, o jacaré-açu impressiona pelo porte. Segundo a especialista, a espécie pode atingir até 6 metros de comprimento total, com machos frequentemente ultrapassando os 4 metros. Os animais podem viver por várias décadas.
Sobre a segurança, a recomendação da bióloga é enfática. "Alimentar jacarés nunca é recomendado, assim como não se deve alimentar qualquer animal silvestre. É importante destacar que essa aproximação não significa domesticação ou comportamento amigável. Trata-se de uma resposta condicionada pela expectativa de alimento", alerta.
Barthira lembra que o jacaré-açu possui capacidade de causar ferimentos graves, e ataques podem ocorrer, principalmente contra banhistas e pescadores em áreas onde os animais foram condicionados a viver. "A principal recomendação é tratar todo encontro com cautela e respeito", finaliza a bióloga.
Estudo inédito no Tocantins
Herpetóloga estuda sobre a ecologia reprodutiva de jacarés-açus no Tocantins — Foto: Arquivo pessoal/Barthira Rezende
Barthira Rezende desenvolveu um projeto de dissertação de mestrado relacionado à ecologia reprodutiva dos jacarés-açus, pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade, Ecologia e Conservação (PPGBEC) da Universidade Federal do Tocantins (UFT). O trabalho é o primeiro a estudar a reprodução específica do animal no estado.
Realizada no Parque Nacional do Araguaia, na Ilha do Bananal, a pesquisa trouxe novidades sobre a espécie na bacia Araguaia-Tocantins. Durante anos de monitoramento em campo, ela localizou e caracterizou ninhos, obtendo dados inéditos sobre o tamanho das ninhadas, o sucesso de eclosão e a sobrevivência dos filhotes.
O estudo é fundamental para criar estratégias de conservação diante das pressões climáticas e do uso da terra na região.
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Open Questions
- O jacaré "Joãozinho" já demonstrou comportamento agressivo anteriormente?
- Quais são as áreas específicas de maior risco para encontros com jacarés na região?
- Existem iniciativas locais para educar a população sobre a convivência segura com a fauna?






