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Juíza determina que ANSN se posicione sobre projetos de terras raras em MG
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G16/1/2026Law3 min readBrazil

Juíza determina que ANSN se posicione sobre projetos de terras raras em MG

Quick Look

Juíza federal determina que a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) emita parecer conclusivo sobre os projetos de terras raras Caldeira e Colossus, em MG, devido a dúvidas técnicas e indícios de radioatividade acima do limite legal.

AI-generated summary

Why It Matters

A juíza federal substituta Rosilene Maria Clemente de Souza Ferreira concedeu parcialmente um mandado de segurança coletivo, obrigando a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) a emitir um parecer conclusivo sobre os empreendimentos Caldeira e Colossus. Estes projetos, desenvolvidos pelas empresas Meteoric Caldeira Mineração Ltda. e Viridis Mineração Ltda., visam a extração e beneficiamento de terras raras, atividades que podem gerar rejeitos com potencial radiológico.

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A decisão, assinada na semana passada pela juíza federal substituta Rosilene Maria Clemente de Souza Ferreira, concede parcialmente um mandado de segurança coletivo e obriga a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) a emitir um parecer conclusivo sobre os empreendimentos Caldeira e Colossus.

Os projetos são desenvolvidos pelas empresas Meteoric Caldeira Mineração Ltda. e Viridis Mineração Ltda., voltados à extração e beneficiamento de terras raras, atividade que pode gerar rejeitos com potencial radiológico.

Leia também:

Amostra de argila com compostos de terras raras retiradas na caldeira vulcânica de Poços de Caldas, MG — Foto: Viridis/Divulgação

Dúvida técnica e princípio da precaução

Na sentença, a magistrada destaca que ainda há lacunas nos dados e incertezas científicas sobre os impactos ambientais das atividades.

Trecho da decisão enfatiza que não é possível avançar com segurança no licenciamento com base em análises preliminares:

“A análise detalhada [...] revela a existência de fundadas dúvidas técnicas e lacunas documentais que obstam a manutenção de uma conclusão meramente preliminar”.

Segundo o texto, a própria ANSN classificou inicialmente os empreendimentos sem necessidade de controle radiológico, mas admitiu que essa conclusão depende de estudos futuros — o que foi considerado contraditório.

MG terá mina de terras raras ao lado de estoque de rejeitos radioativos — Foto: Reprodução EPTV

“Ao mesmo tempo em que a autarquia emite uma nota eximindo os empreendimentos [...], confessa a insuficiência de sua convicção técnica atual”.

A juíza ainda reforça a aplicação do princípio da precaução, que exige medidas preventivas mesmo sem certeza científica absoluta.

Indícios de radioatividade acima do limite

Um dos pontos centrais da decisão são dados técnicos que indicam possível extrapolação dos limites de radioatividade.

No caso do Projeto Caldeira, amostras analisadas apresentaram níveis acima do permitido: “Concentrações [...] na ordem de 13,74 Bq/g [...] superam o limite legal de isenção de 10 Bq/g”.

Segundo a sentença, esses valores podem enquadrar os materiais como rejeitos sujeitos a controle radiológico.

Já em relação ao Projeto Colossus, o problema apontado é a falta de informações:

“Cenário de absoluta obscuridade decorrente da completa ausência de dados concretos acerca da composição e do risco dos efluentes”.

Área rural de Caldas (MG) irá receber uma mina de exploração de terras raras — Foto: Fabiana Assis/g1

Impacto no licenciamento ambiental

A decisão também tem impacto direto na definição de qual órgão deve conduzir o licenciamento ambiental. Segundo a legislação, casos com material radioativo podem ser de competência federal, com atuação do Ibama.

A juíza considerou que, diante das incertezas, não é possível manter o processo apenas na esfera estadual:

“Havendo dúvida técnica fundamentada [...] o Direito Ambiental impõe que a atividade regulatória nuclear seja exercida de forma terminativa antes do avanço do licenciamento”.

O que a decisão determina

Com a sentença, a ANSN terá que:

Reavaliar os dados dos dois projetos;

Emitir um parecer técnico conclusivo e definitivo;

Analisar se há produção de rejeitos com radioatividade acima de 10 Bq/g;

Esclarecer lacunas sobre amostras, efluentes e resíduos.

Esse novo parecer será essencial para definir quem terá competência para conduzir o licenciamento ambiental.

Mina de terras raras será montada ao lado de antiga mina de urânio, em Caldas (MG) — Foto: Arte/g1

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • A ANSN emitirá um parecer técnico conclusivo sobre os projetos Caldeira e Colossus.

    Very likely · Within weeks

  • A definição da competência para o licenciamento ambiental dos projetos será estabelecida.

    Very likely · Within weeks

  • Poderá haver a necessidade de estudos adicionais e medidas de controle radiológico para os empreendimentos.

    Likely · Within months

Open Questions

  • Qual órgão será responsável pelo licenciamento ambiental dos projetos?
  • Quais serão os reais impactos ambientais e radiológicos das atividades?
  • Quais medidas preventivas serão adotadas para mitigar os riscos?
  • Haverá necessidade de controle radiológico para os empreendimentos?

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This article was originally published by G1.

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