Líder iraniano critica EUA e Israel, enquanto Trump se mostra otimista com negociações
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, participa de uma reunião em Teerã, Irã, em 18 de julho de 2016 — Foto: Amir Kholousi/ISNA/WANA via Reuters
Um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, falar em um encontro entre eles, Khamenei disse que os EUA foram derrotados na guerra e acusou o país de tentar reverter isso semeando "desespero, medo, desconfiança e discórdia".
"O inimigo malicioso foi derrotado em seu confronto com as Forças Armadas. Tendo recebido um golpe decisivo, tanto no combate militar quanto nas praças e ruas, ele está sofrendo uma humilhação profunda e significativa", afirmou.
O aiatolá, que assumiu o cargo de líder iraniano após a morte do pai no primeiro dia de guerra, e ainda não fez nenhuma aparição pública, também atacou Israel, que chamou de "base militar" construída pelos EUA.
➡️ O governo israelense fez os primeiros ataques contra o Irã ao lado das tropas americanas e, essa semana, intensificou suas operações no Líbano para combater o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo regime de Teerã.
"O imperialismo, liderado pelos EUA, construiu uma base militar chamada Israel ao longo dos últimos 80 anos. E eles não aceitam a existência de um Irã forte e independente na fronteira leste da falsa e ilegítima geografia de "Israel Maior"—isto é, a leste do rio Eufrates. O imperialismo está disposto a fazer qualquer coisa para impedir o progresso do Irã", disse.
Trump falou em encontro com Khamenei
Em entrevista a um podcast nesta quarta-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e anunciou que gostaria de conhecer Motjaba Khamenei.
Em meio a um momento tenso nas negociações entre os dois países, com várias violações do cessar-fogo de ambos os lados, Trump disse que Khamenei está envolvido nas negociações do acordo de paz e que eles irão se ver "em algum momento".
"Ele está envolvido, com certeza. Acho que eles têm muito respeito por ele. Gostaria de conhecê-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar", declarou.
O presidente norte-americano se mostrou otimista com o andamento das conversas entre os dois países. Falou que "a situação está evoluindo rapidamente":
"O Irã é um grande sucesso. Veremos o que acontece. Estamos trabalhando em um acordo, e se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem também. Faremos de outra maneira".
Apesar das declarações de Trump, pouco antes, o conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, fez um post na rede social X que aparentemente contradiz suas declarações.
Após bombardeios dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios do Irã contra o Kuwait e o Bahrein, nesta quarta, Rezaei fez ameaças:
"Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente".
O vai e vem das negociações de paz
Donald Trump e Mojtaba Khamenei — Foto: Chip Somodevilla/via Reuters; Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters
Há três dias, na segunda-feira (1º), Trump falou que os EUA e o Irã deveriam chegar a um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana em entrevista à emissora ABC News.
Trump disse que conseguiu contornar um contratempo, após o Irã ameaçar suspender as negociações por causa da troca de ataques entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, no Líbano. Ainda segundo o presidente, as conversas com o Irã estão em "ritmo rápido".
"Então, conversei com o Hezbollah e disse para não dispararem, e conversei com Bibi [o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu] e disse para não dispararem, e ambos pararam de atacar um ao outro", disse.
O Irã condicionou qualquer trégua com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda-feira que o fim dos ataques é essencial para as negociações de paz.
"Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra".
O porta-voz também acusou os EUA de continuarem violando o cessar-fogo com Teerã. Segundo ele, o Irã não hesitará em adotar todas as medidas que considerar necessárias para defender a segurança nacional.
Irã e Estados Unidos estão em cessar-fogo desde 7 de abril. Os dois países chegaram a trocar ataques pontuais nas últimas semanas. Enquanto isso, o Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo — continua fechado para navegação.
O principal ponto de disputa nas negociações atuais é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem que Teerã se comprometa a nunca desenvolver armas nucleares. Já o Irã afirma que o tema não está em discussão no momento.
VÍDEOS: agora no g1







