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Médico de 89 anos dedica a vida ao atendimento de povos indígenas na Amazônia
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G16/20/2026World3 min readBrazil

Médico de 89 anos dedica a vida ao atendimento de povos indígenas na Amazônia

Quick Look

João Paulo Botelho Vieira Filho, médico de 89 anos e descendente de fundadores de São Carlos (SP), dedica mais de seis décadas ao atendimento de comunidades indígenas na Amazônia, viajando mais de 2 mil km para levar cuidados de saúde e implantar campanhas de vacinação.

AI-generated summary

Why It Matters

João Paulo Botelho Vieira Filho, médico de 89 anos, é descendente de uma das famílias ligadas à fundação de São Carlos (SP) e dedica a vida ao atendimento em comunidades indígenas na Amazônia há mais de seis décadas.

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Descendente de uma das famílias ligadas à fundação de São Carlos (SP), o médico João Paulo Botelho Vieira Filho, de 89 anos, dedica grande parte da vida ao atendimento em comunidades indígenas na Amazônia. Ao longo de mais de seis décadas, ajudou a combater doenças, implantou campanhas de vacinação, além de construir uma relação de confiança com os povos indígenas.

O médico segue viajando mais de 2 mil quilômetros, de São Paulo, até as terras dos Xikrins, no Pará, para atender os indígenas. O trabalho começou quando João Paulo tinha 20 e poucos anos, mas desde o início encarou a ação como uma missão de vida.

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, João Paulo contou que tudo começou quando um padre frei dominicano, responsável pelas missões no sudoeste do Pará, pediu para que ele fosse dar assistência, pois nenhum médico participava da iniciativa.

"E eu comecei a ir e vi a necessidade do Xikrins, por exemplo, de serem vacinados", contou o médico.

Médico João Paulo Botelho Vieira Filho, de 89 anos, dedica a vida ao cuidado de povos indígenas na Amazônia — Foto: EPTV/Reprodução

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Escolha da medicina

A escolha da medicina como profissão não foi por acaso, já que João Paulo faz parte da família Arruda Botelho, ligada à Fundação de São Carlos. Desde o bisavô até o pai seguiram a mesma carreira.

"Eu escolhi a medicina porque eu gostava e tinha o ambiente familiar da medicina. Nós visitávamos o hospital que meu pai criou do Pênfigo Foliáceo e a gente sempre estava nesse ambiente médico. Isso fica mais fácil a escolha. E eu sempre quis ser médico e não me arrependo, e seria de novo", afirmou.

Relação com os povos indígenas

Médico João Paulo Botelho Vieira Filho, de 89 anos, dedica a vida ao cuidado de povos indígenas na Amazônia — Foto: Imagens cedidas

Inicialmente, houve um choque entre as culturas, mas nada que fosse capaz de impedir que os indígenas aceitassem as orientações do médico.

"Aceitavam facilmente porque estavam em desespero. Os Xikrins já tinham tido 11 tuberculosos quando eu fui. De uma população de 98, 11 com tuberculose e alguns com sequela de paralisia infantil, que pegaram dessas frentes de entradas na floresta, gripes, viroses, pneumonia, tuberculose, sarampo, moléstias infecciosas de nós. E com isso eles aceitavam muito bem, eles distinguem", contou.

Com o tempo, a relação de confiança foi construída. Nas aldeias, João Paulo era chamado de Doutor 'Ire' ou 'Xepache', um jeito carinhoso de chamar um médico na língua nativa dos indígenas.

"Eles têm um grau de amizade que eles atraem nós. Eles nos fazem parentes, parentes nominais, então eu tenho pai, mãe, irmãos, tios, sobrinhos entre os Xikrins. Eles sabem cultivar e chamam. E eu continuei indo", afirmou.

João Paulo teve participação importante na saúde indígena no Brasil, sendo o responsável por iniciar a vacinação contra várias doenças nessas comunidades, além da publicação dos primeiros estudos sobre Diabetes Mellitus nessas populações.

Relíquias indígenas

Médico guarda diversos objetos indígenas como lembrança das missões — Foto: EPTV/Reprodução

Durante os anos de missões com os indígenas no Brasil, o médico passou a colecionar vários objetos e relíquias. São tantos itens na casa dele, na capital paulista, que o espaço não foi suficiente e ele comprou uma casa em São Carlos para guardar parte das lembranças.

"Eles sempre me pediam, me ofereciam o que eles tinham, que eram os objetos de arte. E eles sabem que eu gosto, entendo do que é de arte, não coisa para turista para pôr no cabelo. E eles me ofereciam e pediam, em geral, panelas, e eu não posso levar panelas, nada disso. Aí eu falava, você quer em dinheiro? Eu sempre retribuía em dinheiro", disse.

Tem de tudo um pouco: acessórios para o corpo, machadinhas, pulseiras, cocares, que são peças para a cabeça e usadas em rituais e celebrações indígenas. Um deles, inclusive, tem um significado especial, de acordo com o médico (Veja a imagem abaixo).

Médico guarda cocar usado durante celebração para escolha do nome de criança indígena entre 6 e 7 anos de idade — Foto: EPTV/Reprodução

"A criança recebe nome depois que já está criada, quando ela já tem seis, sete anos e tem uma grande festa de nominação dos pais e da tribo inteira. Aí eles vestem essas penas que, inclusive, tem uma maquiagem de penas no rosto", explicou.

O médico mantém contato com as aldeias e faz questão de visitá-los com frequência. "Vou três vezes por ano. [...] E eu mantenho essas viagens de aconselhamento, eu sou consultor médico das Associações Indígenas Xikrin".

Após anos de trabalho, João Paulo afirmou que não tem nenhuma incapacidade que o impeça de continuar. "É melhor não ficar se preocupando com a idade. Eu quero ajudá-los e favorecê-los em tudo".

ASSISTA A REPORTAGEM COMPLETA DO EPTV 1:

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Open Questions

  • Quais os desafios atuais do médico nas comunidades?
  • Como a família do médico apoia seu trabalho?
  • Qual o impacto a longo prazo de suas campanhas de vacinação?

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This article was originally published by G1.

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