
O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, apresentou o modelo de combate ao crime organizado do país em evento da Fiesp em São Paulo, rejeitando acusações de violação de direitos humanos como manipulação e defendendo o Estado de Exceção como ferramenta constitucional para enfrentar o crime organizado, com apoio de políticos brasileiros como Flávio Bolsonaro e Sergio Moro.
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El Salvador reduziu seu índice de homicídios de 103 por 100 mil habitantes em 2015 para 1,3 em 2025 sob o governo de Nayib Bukele, que implementou o Estado de Exceção prorrogado mais de 50 vezes, resultando em mais de 91.500 prisões, segundo a Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos.
Gustavo Villatoro, ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador — Foto: Reprodução
Ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro apresentou o modelo adotado para combater o crime organizado no país caribenho em apresentação feita no Brasil nesta segunda-feira (31). Ele definiu como "manipulação" as denúncias de violação de direitos humanos ocorridas no governo de Nayib Bukele.
"É muito claro como eles estão tentando nos manipular, como querem destruir nosso trabalho. Porque, infelizmente para eles, mesmo sendo um país pequeno e pobre, estamos dando o exemplo de como enfrentar organizações criminosas", afirmou Villatoro, durante participação em evento sobre segurança pública feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, na capital paulista.
O modelo de El Salvador é controverso: prisões ocorreram sem mandados ou provas, com base em denúncias anônimas e após o presidente decretar Estado de Exceção -- que foi prorrogado por mais de 50 vezes. Além disso, entidades de direitos humanos do país denunciam a realização de julgamentos coletivos, perseguição de opositores do governo e impedimento da livre atividade da imprensa.
Ao tratar das críticas de que El Salvador é uma ditadura, Villatoro afirmou que tudo o que foi feito teve como base a vontade do povo. Ele chamou defensores de direitos humanos de "hipócritas". O ministro foi aplaudido por três vezes pela plateia. Ao final da fala, foi aplaudido de pé.
Durante a palestra, Villatoro defendeu a implementação do Estado de Exceção para combater os grupos criminosos organizados e disse que "é sabido que um estado de emergência ou um estado de exceção não tem soluções prontas". "Um estado de exceção é simplesmente a ferramenta constitucional que usamos para declarar guerra a um estado criminoso paralelo", disse.
Villatoro defendeu que houve responsabilização individual de mais de 80 mil criminosos presos e condenados em El Salvador, apesar de existirem denúncias de que há julgamentos coletivos e prisões feitas sem provas.
O evento da Fiesp é transmitido no YouTube, mas teve o áudio parcialmente interrompido durante a palestra de Villatoro e durante a exibição de um vídeo institucional do governo de El Salvador -- as imagens deste vídeo não foram exibidas online. Um aviso informava que a interrupção se deu por "questões relacionadas aos direitos autorais".
O ministro chamou de "milagre" e "não só obra de um homem, mas de Deus" as ações no país. "Deus nos deu essa oportunidade e colocou o país nas mãos de um homem que ama El Salvador e vai fazer todo o necessário para que finalmente possamos sair dessa pobreza", disse.
Após a palestra de Villatoro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a aprovação das medidas de segurança de Bukele, segundo ele.
"Será que os direitos humanos das pessoas de bem, da sociedade, eram respeitados? Não eram. A realidade é que o presidente hoje, lá em El Salvador, tem 90% de apoio da sua população. Então, as pessoas que estão diretamente envolvidas, quem vive lá, estão apoiando o presidente. Isso a gente tem que respeitar, porque não adianta de longe ficar falando em direitos humanos e, de um lado, esquecer os direitos humanos desses 90%", disse Skaf.
O Congresso de Segurança Pública da Fiesp conta com a participação de candidatos nas eleições brasileiras em 2026, como à vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL); ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL); e ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP).
Moro disse após a palestra de Villatoro que o ministro inspirava "muitos sonhos de segurança pública" no Brasil. Prometeu ainda, se eleito, construir um presídio de segurança máxima no Paraná e batizar a estrutura de "El Salvador".
Encontro com Flávio Bolsonaro
No domingo (30), Flávio Bolsonaro se encontrou com Villatoro e defendeu prender mais pessoas no Brasil, que tem quase 1 milhão de presos. Ao ignorar as violações cometidas pelo governo Bukele, o candidato afirmou que a gestão foi responsável por "implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo dele".
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), se reúne na manhã deste domingo (30), em um hotel de São Paulo, com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. — Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo
"Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Por isso que nós vamos criar mais de meio milhão de vagas em presídios para que ladrão de celular e comércio tenha no mínimo oito anos de cadeia e fique preso", afirmou o senador.
Sem citar o regime de exceção permanente de El Salvador, em que garantias constitucionais da população foram suprimidas pelo governo Bukele, após aprovação de projeto de sua equipe no Congresso salvadorenho, Flávio Bolsonaro defendeu que o PL e seus aliados conquistem mais cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado para aprovar mudanças semelhantes na lei brasileira.
Modelo de El Salvador
O "modelo de El Salvador" defendido por Flávio Bolsonaro e outros presidenciáveis (leia abaixo) diz respeito, principalmente, à gestão da segurança pública do governo de Nayib Bukele, que prendeu mais de 91.500 pessoas, segundo dados da Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos. O número corresponde a cerca de 1,5% da população total do país.
O presidente salvadorenho, no poder desde 2019, tem como principal bandeira o combate às gangues que durante décadas controlaram grandes partes de El Salvador, e conseguiu derrubar os índices de criminalidade no país.
Em 2015, quando El Salvador atingiu seu pico de criminalidade, o índice era de 103 homicídios por 100 mil habitantes;
Em 2019, quando Bukele assumiu, esse índice já havia caído para 35,9;
Em 2025, essa taxa despencou para 1,3 por 100 mil habitantes.
👉 As medidas para isso incluem:
a construção de megaprisões para receber a nova população carcerária;
prisões sem mandado de milhares de pessoas.
O grande símbolo desse modelo é o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), o megapresídio inaugurado por Bukele em 2023 que se tornou a maior prisão das Américas. O local tem capacidade para 40 mil detentos — como base de comparação, o Complexo do Carandiru chegou a abrigar 8 mil presidiários na década de 1990, quando era o maior presídio da América Latina.
O que já disseram os candidatos no Brasil sobre El Salvador
Veja, abaixo, o que disseram os candidatos brasileiros sobre El Salvador e Nayib Bukele na sabatina promovida pelo g1 e pela GloboNews:
Romeu Zema (Novo): elogiou o modelo de El Salvador, mas rejeitou adotar no Brasil as medidas de combate ao crime implementadas por Bukele. Zema também defendeu uma intervenção federal permanente na segurança pública do Rio de Janeiro;
Renan Santos (Missão): defendeu novas políticas de combate à criminalidade e propôs a criação de megaprisões nos moldes de El Salvador, mas negou que pretenda reproduzir no Brasil medidas como prisões sem mandado judicial. Ele afirmou que admira a "capacidade de ação e resolução do Estado" de Bukele, mas quis se distanciar do presidente salvadorenho ao afirmar: "Eu não sou o Bukele";
Ronaldo Caiado (PSC): afirmou que o governo de El Salvador já enviou representantes a Goiás para conhecer modelos de prisão do estado. "O embaixador de El Salvador foi lá para ver como se montam os presídios", disse o candidato.
AI outlook — possibilities, not facts
Políticos brasileiros como Flávio Bolsonaro e Sergio Moro continuarão defendendo a adoção de medidas inspiradas no modelo de El Salvador em suas campanhas de 2026.
Likely · Within months
Organizações internacionais de direitos humanos aumentarão a pressão e possíveis investigações sobre o Estado de Exceção em El Salvador.
Possible · Within months
Equipes de resgate do Nepal, com apoio de especialistas chineses e indianos, intensificaram os esforços nesta segunda-feira (31) para chegar a centenas de pessoas presas em túneis de projetos hidrelétricos bloqueados por uma enchente de gelo, rochas e lama na fronteira com o Tibete, que matou mais de 900 pessoas e deixou quase 5 mil desaparecidas.

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