Morte de mãe e bebê em maternidade de Campina Grande: inquérito indiciou 6 profissionais
Quick Look
- Inquérito policial concluiu que falhas no atendimento na maternidade do Isea, em Campina Grande, podem ter contribuído para a morte de uma mãe e seu bebê em março de 2025.
- Seis profissionais de saúde foram indiciados.
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Why It Matters
O caso envolve a morte de uma mãe e seu bebê durante o parto em uma maternidade de Campina Grande em março de 2025. A investigação policial aponta falhas no atendimento médico. A mãe, Maria Danielle Cristina Morais, teve o útero retirado e faleceu 25 dias após o parto. O pai do bebê, Jorge Elô, denunciou o caso.
Parto aconteceu na maternidade do Isea, em Campina Grande — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
A morte aconteceu em março de 2025 e, segundo o inquérito, os investigados podem ter contribuído para o desfecho por meio de falhas no atendimento prestado à paciente. A investigação foi concluída mais de um ano após o caso da morte do bebê ter sido denunciada. Pouco depois da denúncia, a mãe do bebê, Maria Danielle Cristina Morais, que também teve o útero retirado no parto, morreu.
"Depois de quase 500 dias, é um alívio, mas com a clareza que é apenas um primeiro passo. Eu confio no trabalho da polícia civil e tenho certeza que o inquérito foi feito com muita responsabilidade. Também sei que a luta ainda vai ser grande, mas estaremos firme até o final", disse Jorge Elô.
Jorge Elô se disse muito abalado emocionalmente. A defesa dele comentou para a TV Paraíba que espera a partir de agora uma decisão semelhante do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e, posteriormente da Justiça.
"O que a gente espera ao final desse inquérito é que o Ministério Público realmente acompanhe o indenciamento da Polícia Civil e denuncie esses profissionais de saúde por essas atitudes. O que esse inquérito policial lhe desnuda é o que o movimento de mulheres vem denunciando há décadas, que a violência obstétrica existe", ressaltou a advogada Paula Oliveira.
Jorge Elô é marido dulher que morreu após perder filho e útero em maternidade de Campina Grande — Foto: Reprodução/TV Paraíba
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O indiciamento
Os profisionais indiciados pela Polícia Civil são quatro médicos obstetras e duas enfermeiras. De acordo com a polícia, os profissionais foram indiciados pelo crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada, previsto nos artigos 125 e 127 do Código Penal. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande disse que desde que tomou conhecimento da denúncia, em 2025, adotou todas as medidas administrativas cabíveis, “promovendo a imediata instauração de procedimento de apuração interna, com a realização de sindicância administrativa para análise dos acontecimentos e adoção das providências pertinentes”.
Como resultado das medidas administrativas, segundo a Saúde, foi determinado o afastamento cautelar dos profissionais diretamente envolvidos no caso em investigação. Afirmou ainda que dois profissionais de saúde mencionados nas apurações não integram mais o quadro de profissionais em atividade no ISEA.
A secretaria não disse, no entanto, se novas medidas vão ser tomadas após a conclusão do inquérito.
Apesar da Polícia Civil não ter divulgado os nomes dos investigados, uma médica, por meio de nota, se manifestou sobre o indiciamento. A defesa dela disse que discorda da decisão que "reflete a complexidade do caso nem a melhor literatura médica aplicável". Também foi dito que "a defesa confia plenamente na Justiça e demonstrará, na esfera apropriada, a inocência da médica".
Condução inadequada de parto e violência
A investigação apontou que a gestante, que apresentava uma gravidez de alto risco, teria sido submetida a uma condução inadequada do parto. Entre as irregularidades apontadas estão demora na adoção de medidas médicas consideradas necessárias, ausência de progressão assistida do parto e utilização inadequada de procedimentos durante o atendimento.
Os investigadores também identificaram indícios de violência verbal e psicológica contra a paciente durante a internação.
A conclusão do inquérito foi baseada em depoimentos de testemunhas, familiares e profissionais envolvidos, além da análise de prontuários médicos, documentos de pré-natal e diversos exames periciais.
Segundo os laudos, o bebê morreu ainda no útero em decorrência de uma rotura uterina associada à condução do parto. As perícias indicaram que uma intervenção cirúrgica realizada em momento oportuno poderia ter evitado o óbito fetal.
Já a mãe, a assistente social Maria Danielle Cristina Morais, morreu 25 dias após os fatos. Conforme a investigação, a causa da morte esteve relacionada a complicações decorrentes de uma condição genética preexistente, agravada pelos eventos registrados durante o atendimento. A Polícia Civil informou que não encontrou indícios de crime na atuação dos profissionais responsáveis pela cirurgia de emergência realizada posteriormente.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público da Paraíba e ao Poder Judiciário, que irão avaliar as conclusões da investigação e decidir sobre os próximos desdobramentos do caso. A autoridade policial também solicitou que o processo seja analisado por uma das Varas do Tribunal do Júri de Campina Grande.
Em nota, a Polícia Civil destacou que o ISEA possui relevância na rede pública de saúde e afirmou que as condutas investigadas são individualizadas, não refletindo o trabalho desenvolvido pela instituição.
A denúncia de negligência médica
O caso de suposta negligência médica foi denunciado pelo pai do bebê, Jorge Elô, através das redes sociais em março de 2025. Segundo a família, Maria Danielle deu entrada na maternidade do ISEA no dia 27 de fevereiro e, no dia seguinte, exames indicaram a possibilidade de parto vaginal.
De acordo com o relato, a equipe iniciou a indução do parto com medicação. Na madrugada de 1º de março, o médico de plantão, que também acompanhava o pré-natal da gestante, substituiu o medicamento por outro intravenoso para intensificar as contrações.
O pai afirma que, durante o atendimento, enfermeiras constataram que a cabeça do bebê já estava coroada e aumentaram a dosagem da medicação. O trabalho de parto teria parado de evoluir e, segundo ele, Danielle desmaiou e ficou sem pulso, sendo levada às pressas para uma cirurgia.
Jorge relatou que só entrou na sala depois e viu a equipe retirando o bebê já sem vida e segurando o útero da mãe.
Na época da denúncia, a Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que abriu uma sindicância. Em março, quando o caso completou um ano, o departamento jurídico confirmou que o relatório final recomendou medidas como o afastamento da equipe envolvida. O documento também foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município para análise e possível abertura de processo administrativo disciplinar.
A Procuradoria informou que, entre os profissionais afastados durante a sindicância, um médico não voltou a trabalhar no ISEA e uma enfermeira teve o contrato encerrado no fim de 2025.
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What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O Ministério Público da Paraíba oferecerá denúncia formal contra os profissionais de saúde indiciados.
Very likely · Within weeks
A Justiça iniciará um processo judicial contra os profissionais de saúde.
Very likely · Within months
Novas medidas administrativas ou protocolos de segurança serão implementados na maternidade do ISEA.
Possible · Within months
Open Questions
- Quais serão os desdobramentos legais após a decisão do Ministério Público e da Justiça?
- Haverá novas medidas administrativas tomadas pela Secretaria de Saúde de Campina Grande?
- Qual a literatura médica específica que a defesa da médica alega não ter sido considerada?
- Houve outras denúncias de violência obstétrica ou negligência médica no ISEA anteriormente?






