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Onda proibida em Torres pode ser liberada para surfistas após 23 anos
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G16/27/2026Sports3 min readBrazil

Onda proibida em Torres pode ser liberada para surfistas após 23 anos

Quick Look

Após 23 anos de proibição, a prática do surfe tow-in na Ilha dos Lobos, em Torres (RS), será estudada por três anos para avaliar viabilidade ambiental e impactos na biodiversidade marinha.

AI-generated summary

Why It Matters

A Ilha dos Lobos, em Torres (RS), possui ondas perfeitas para o surfe tow-in, mas a prática é proibida desde 2006 por ser uma área de proteção ambiental e refúgio de pinípedes.

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Há 23 anos, ondas que têm um dos melhores tubos do Brasil — e quiçá do mundo — quebram praticamente sozinhas em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Desde 2006, o surfe é proibido na Ilha dos Lobos, local a cerca de 1,8 quilômetro da costa gaúcha. Mas essa situação pode estar próxima de mudar.

Pesquisadores irão analisar, durante três anos, a viabilidade ambiental da prática do surfe na modalidade tow-in dentro da área protegida, unindo conservação da biodiversidade, ciência e diálogo com a sociedade.

🌊 O “tow-in” é uma técnica de surfe desenvolvida especificamente para encarar ondas gigantes. Em vez de usar a força dos próprios braços para remar e entrar na onda de forma tradicional, o surfista é puxado por um jet ski ou outra embarcação. O surfista segura uma corda com um manete e, quando ganha a velocidade ideal na parede da onda, ele solta a corda e começa a surfar.

“É uma onda muito parecida com a de Teahupo'o, no Taiti. É perfeita. Quebra numa bancada rasa de pedra e dá um tubo muito bom. Um tubo bem largo, especial”, afirma Rodrigo Dornelles, o Pedra, um dos maiores nomes do surf do Rio Grande do Sul, tendo sido o único gaúcho a participar do circuito mundial (WCT).

“Considero a melhor onda do brasil. Já viajei bastante: Indonésia, Taiti, Havaí. Posso dizer que é uma das melhores do mundo”, arremata Pedra, que competiu por 18 anos no surfe profissional.

A onda não é apenas proibida — ela é protegida. A Ilha dos Lobos possui características ambientais inexistentes em outro ponto do país.

Além de ser a única ilha marinha do litoral gaúcho, a área representa o principal ponto natural de concentração de pinípedes no Brasil, como lobos e leões-marinhos. O local desempenha papel fundamental para a conservação da fauna marinha e dos ecossistemas costeiros.

Os estudos foram permitidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo Refúgio de Vida Silvestre (Revis) do local, e estão sendo feitos pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), da UFRGS, em parceria com a Associação de Surfistas de Torres (AST).

O objetivo é avaliar, de forma técnica e responsável, os possíveis impactos, limites e protocolos necessários para compatibilizar a prática do surfe com a proteção da biodiversidade e a segurança das operações no ambiente marinho.

A 'onda proibida' da Ilha dos Lobos, em Torres (RS) — Foto: Rodolfo Martins/@r.mphotography

A expectativa é de que os estudos contribuam não apenas para avaliar a viabilidade da prática esportiva, mas também para ampliar o entendimento sobre a dinâmica ecológica da região e fortalecer estratégias para o turismo sustentável.

“Buscamos responder se existe algum efeito adverso ou não na abundância e no comportamento dos pinípedes e das aves marinhas costeiras. Vai envolver, ao longo de três anos, o monitoramento da variação do local com a prática do surfe tow-in e sem a prática”, descreve Federico Sucunza, coordenador de pesquisas do Gemar.

Durante os estudos, serão organizadas sessões-teste de surfe para a coleta de informações antes, durante e depois da prática do esporte.

A ideia é comparar o antes e o depois para observar se há impactos no ecossistema local.

“Queremos entender qual é a carga máxima da unidade para estabelecer critérios de segurança, tanto em relação à biodiversidade, mas também para os surfistas. O surfe tow-in envolve motoaquáticas e outras embarcações. Buscamos entender qual é a densidade de pessoas e embarcações que o Revis poderia suportar sem trazer prejuízos à vida marinha”, acrescenta.

A 'onda proibida' da Ilha dos Lobos, em Torres (RS) — Foto: Rodolfo Martins/@r.mphotography

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What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Possível liberação do surfe tow-in na Ilha dos Lobos após conclusão dos estudos ambientais.

    Possible · Long term

Open Questions

  • Quais serão os resultados dos estudos de impacto?
  • Haverá restrições específicas para o surfe?
  • Como será o monitoramento pós-liberação?

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This article was originally published by G1.

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