
Imóvel construído por Luiz de Queiroz recebeu mostra de arquitetura e permitiu visitação inédita após mais de 140 anos.
O Palacete Luiz de Queiroz, em Piracicaba (SP), apontado como a primeira residência do estado a receber energia elétrica e telefone, foi aberto ao público pela primeira vez em mais de 140 anos por meio de uma mostra de arquitetura.
AI-generated summary
O Palacete Luiz de Queiroz foi construído no século XIX e marcou a história local ao ser pioneiro no uso de energia elétrica e telefone no estado de São Paulo.
O Palacete Luiz de Queiroz, que fica ao lado do Rio Piracicaba em Piracicaba (SP), foi a primeira casa do estado de São Paulo a receber energia elétrica e linha telefônica. É o que afirma o historiador Maurício Beraldo à EPTV, afiliada da TV Globo.
Segundo o historiador, o imóvel foi planejado por Luiz de Queiroz como presente para a esposa Ermelina Ottoni de Queiroz e foi lá que ele começou a planejar a criação da Esalq/USP. A beleza da paisagem fez com que o local ganhasse o apelido de “O Seio de Abraão”.
'Quando eles se casaram, ele deu esse palacete para a esposa', conta o historiador.
Na época em que o imóvel foi construído, ele recebeu os nomes de Vila Aretuzina e Palacete Luiz de Queiroz. Hoje o local é conhecido também como 'Palacete Boyes', devido a venda do local para a família Boyes — veja detalhes das vendas abaixo.
O palacete tem 613 m² de área construída em um terreno arborizado de quase 12 mil m². Dentro dele, corre um afluente do rio Piracicaba, que forma um lago antes de desaguar no rio.
O espaço sediou, nas últimas semanas, uma mostra de arquitetura. O evento possibilitou a visitação do palacete para o público em mais de 140 anos por meio.
Ao longo dos anos, o imóvel passou pelas mãos de cinco famílias. Em uma dessas mudanças de propriedade, o casarão passou a integrar o patrimônio da Companhia Industrial e Agrícola Boyes. Foi nessa fase que ganhou o nome de Palacete Boyes, pelo qual é conhecido até hoje.
Segundo Beraldo, foi provavelmente em uma das salas do próprio palacete que ele começou a planejar a criação de uma escola agrícola, projeto que mais tarde deu origem à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) com a ajuda do governo do estado de São Paulo.
A construção reúne características ecléticas e neoclássicas, influenciadas pela experiência de Luiz de Queiroz na Europa. A casa tem uma planta simétrica, conhecida como planta paladiana, com ambientes semelhantes dos dois lados.
Ao todo, são quatro salas no térreo e oito no andar superior, todas amplas, com pé-direito alto e muitas janelas, que favorecem a iluminação e a ventilação.
Um dos principais marcos da história do palacete é o pioneirismo no uso de energia elétrica e telefone. Ao lado da residência, Luiz de Queiroz construiu uma fábrica de tecidos equipada com uma pequena usina hidrelétrica.
A estrutura aproveitava um desvio do rio Piracicaba para movimentar as máquinas e também fornecia energia para o palacete.
Segundo Beraldo, a residência pode ser considerada a primeira do estado de São Paulo a receber energia elétrica.
A novidade chamou a atenção dos moradores de Piracicaba, que se reuniam no local para observar as lâmpadas sendo acesas, já que a iluminação elétrica ainda era uma tecnologia nova no Brasil, contou o historiador.
No século XXI, o imóvel foi adquirido pelo empresário Arnold Fioravante, por meio do Instituto Tancredo Neves. Segundo Anna Gabriela Fioravante Bonaparte, neta do empresário, o interesse do avô pelo palacete começou ainda na infância da mãe.
De acordo com a neta, ele costumava passar pelo local com a filha criança e dizia que um dia compraria o casarão para ela.
“Ela dizia que era algo impossível, pela realidade deles na época. Ele cresceu, se tornou uma pessoa bem-sucedida e conseguiu realizar esse sonho, que acabou se transformando em uma homenagem à mãe”, conta.
Para a família, a abertura do imóvel ao público por meio da mostra de arquitetura representa a realização de um sonho da família e uma homenagem ao avô, mas também uma forma de manter viva a história do casarão viva.
“Muitos piracicabanos, assim como ele, sempre tiveram o sonho de entrar nessa casa. Quando surgiu essa oportunidade, vimos que seria a forma de abrir as portas, contando com uma infraestrutura que garantisse que a casa continuasse intacta”, afirma.
“Tem coisas que a gente não pode deixar se tornar algo cotidiano, porque não são comuns. O Palacete é uma dessas coisas. É um lugar que está no nosso coração e vale muito mais do que o financeiro”, diz.
Entre 2000 e 2002, o casarão passou por uma restauração para recuperar a estrutura e preservar as características originais da construção.
Entre os elementos preservados estão a planta inspirada no estilo paladiano, as 41 janelas distribuídas de forma simétrica e as colunas dóricas. Desde a abertura do palacete em 10 de julho, esses detalhes podem ser vistos de perto pelo público.
Segundo Bruno Chamochumbi, responsável pela organização da mostra que marcou a abertura do palacete ao público, cerca de 15 escritórios de arquitetura, decoração e paisagismo participaram da montagem dos ambientes.
A proposta da restauração é apresentar o palacete como um espaço vivo e acessível ao público. Para Bruno, a abertura do imóvel representa a realização de um sonho antigo: permitir que a população conheça de perto um lugar que, por décadas, só podia ser visto do lado de fora.
“É abrir novamente o livro das histórias, não só das famílias que foram proprietárias desse espaço, não só do Luiz de Queiroz, que foi um grande inovador, um homem à frente do seu tempo, mas trazer essas histórias como um presente urbano, uma transformação e uma esperança para o futuro”, diz.
Ele afirmou que muitos visitantes se emocionam ao entrar pela primeira vez no imóvel.
“Cada pessoa que entra nesse espaço se emociona de alguma maneira. Você vê uma pessoa idosa com uma criança de mãos dadas, famílias lembrando de pessoas que não conseguiram conhecer esse lugar”, conta.

Menores imigrantes desacompanhados em Ceuta enfrentam abusos sexuais e falta de infraestrutura básica. Com cerca de 5 mil menores na cidade, o governo espanhol planeja transferir 500 meninas para o continente para aliviar a crise humanitária local.

Há 40 anos, o lago Nyos, em Camarões, liberou uma nuvem letal de dióxido de carbono que matou cerca de 1,7 mil pessoas. Sobreviventes ainda sofrem com o trauma e o retorno é dificultado por um conflito separatista atual.

Um avião fretado por uma empresa civil caiu na estação de radar de Cape Newenham, no Alasca, resultando na morte de todas as oito pessoas a bordo. O Comando do Alasca confirmou o acidente e iniciou uma investigação sobre as causas da queda.
Sete das 23 vítimas de colisão frontal entre micro-ônibus e carreta na BR-373, em Ipiranga (PR), são veladas em cerimônia coletiva em Imbituva nesta quarta-feira (20). Veículo transportava pacientes para Curitiba.
Um avião Cessna 441 operado pela Security Aviation caiu a oeste do Aeroporto LRRS de Cape Newenham, no Alasca. A aeronave havia decolado de Anchorage com destino à instalação de radar remota.
O governo brasileiro enviou 19 toneladas de arroz à Colômbia para auxiliar vítimas de um forte terremoto que matou mais de 300 pessoas. A carga seguiu em aeronave da Força Aérea Brasileira.