Ponte Histórica da Revolução de 32 é Símbolo de Luta e Resiliência
Quick Look
- A Ponte Pênsil Alves de Lima, na divisa entre SP e PR, foi palco de batalhas na Revolução de 1932.
- Marcada por ataques e reconstruções, hoje é patrimônio histórico e turístico, lembrando o levante paulista contra Getúlio Vargas.
AI-generated summary
Why It Matters
A Ponte Pênsil Alves de Lima, inaugurada em 1920, foi palco de batalhas durante a Revolução Constitucionalista de 1932, um levante de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. A ponte foi bombardeada e reconstruída, sendo tombada como patrimônio histórico.
Uma ponte suspensa sobre o Rio Paranapanema, na divisa entre Chavantes, no interior de São Paulo, e Ribeirão Claro, no Paraná, guarda marcas de um dos episódios mais importantes da história paulista.
A Ponte Pênsil Alves de Lima foi palco de batalhas durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Nesta quinta-feira (9) é feriado no estado de São Paulo em memória ao conflito. Veja abaixo mais detalhes sobre a data.
Ponte pênsil em Chavantes (SP) foi estratégica durante as batalhas da Revolução Constitucionalista — Foto: Filipe Zampoli/ TV TEM
A Revolução Constitucionalista foi o levante de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, em 1932.
Os paulistas exigiam uma Constituição e protestavam contra o interventor imposto pelo governo federal após o fim da chamada "política do café com leite", período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o controle da Presidência da República.
LEIA TAMBÉM:
O conflito durou cerca de três meses e deixou mais de 600 constitucionalistas mortos nas batalhas, segundo estimativas oficiais.
"A ponte faz divisa com o Paraná e os soldados paulistas estiveram próximos dela para evitar a entrada dos soldados gaúchos. Então, a ponte é uma referência histórica nossa da revolução, assim como a pedra na qual os soldados escreveram frases sobre o movimento", disse a professora e pesquisadora Maria Helena Cadamuro à TV TEM.
Movimento MMDC — Foto: Divulgação
Chavantes como fronte da revolução
Pela posição geográfica às margens do Rio Paranapanema, na divisa com o Paraná, Chavantes se tornou um dos frontes da revolução.
As tropas paulistas chegaram à cidade pelos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana e se instalaram no município para tentar conter o avanço das tropas federalistas vindas do sul.
A única escola da cidade na época foi transformada em quartel militar. Os soldados se posicionaram às margens do rio, em alerta para a chegada das tropas inimigas.
Ponte é símbolo histórico e também ponto turístico em Chavantes (SP) — Foto: Filipe Zampoli/ TV TEM
As marcas desse período ainda podem ser vistas em pontos da cidade, inclusive em uma pedra às margens do Paranapanema, na qual soldados constitucionalistas gravaram frases do movimento com baionetas.
Hoje, o local é conhecido como "Pedra da Revolução" e fica na margem paulista do Rio Paranapanema, próximo à barragem da Usina Hidrelétrica Chavantes. Confira a transcrição da mensagem abaixo.
'Pedra da Revolução' às margens do Rio Paranapanema em Chavantes (SP) — Foto: Reprodução/Museu Histórico de Chavantes
"VIVA S. PAULO VIVA O BRASIL.
NA BEIRA DO RIO PARANAPANEMA
ONDE AO LONGE SE OUVIAM OS RUÍDOS DAS METRALHADORAS,
QUE NO TROAR DAS GRANADAS IMITAVAM O GRITO DO IPIRANGA:
INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
ASSIM OS SOLDADOS DA CONSTITUIÇÃO DERRUBARÃO,
DE ARMAS NAS MÃOS A NEFAUSTA DITADURA NO CHÃO.
22-09-1932"
A ponte e os ataques com dinamite
Inaugurada em 1920, a Ponte Pênsil Alves de Lima era utilizada para escoar a produção de café do Paraná pelas ferrovias paulistas.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, as tropas sulistas utilizavam a travessia. Por isso, as torres de sustentação da ponte foram bombardeadas com dinamite para dificultar o avanço das tropas federalistas em direção a São Paulo.
"Essa ponte, por ser divisa dos estados de São Paulo e Paraná, foi alvo das revoluções. Em 1932, os soldados paulistas ficaram próximos a ela para não deixar os sulistas entrarem. Mesmo assim, eles entraram e chegaram até Chavantes", destaca a pesquisadora.
Ponte pênsil de Chavantes (SP) foi importante para Revolução de 32 — Foto: Reprodução/TV TEM
Com a estrutura comprometida pelos ataques, a ponte foi reconstruída em 1935. Décadas depois, em 1985, foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) como patrimônio histórico e arquitetônico do estado de São Paulo.
Em 2001, o Paraná também a tombou pelo valor histórico e arquitetônico que representa para os dois estados.
Incêndio e recuperação
Em novembro de 2020, um incêndio destruiu parte da estrutura de madeira da ponte. O fogo começou pelo lado paranaense.
Incêndio destrói ponte pênsil centenária sobre o Rio Paranapanema entre Chavantes (SP) e Ribeirão Claro (PR) — Foto: Arquivo/TV TEM
Na época, a ponte estava prestes a completar 100 anos. Com 149 metros de extensão e 82 metros de vão suspenso, ela havia sido restaurada em 2011 pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que também construiu, ao lado, uma ponte de concreto para o tráfego de veículos.
Após os trabalhos de recuperação, a Ponte Pênsil Alves de Lima foi reaberta para visitação em outubro de 2023.
Incêndio destrói ponte pênsil centenária sobre o Rio Paranapanema entre Chavantes (SP) e Ribeirão Claro (PR) — Foto: TV TEM
A revolução e o feriado de 9 de julho
O 9 de julho é feriado estadual em São Paulo desde 1997, por força da Lei nº 9.497, sancionada pelo então governador Mário Covas. A data marca o início do levante constitucionalista, em 1932.
O movimento ganhou força após a morte de quatro manifestantes, em maio daquele ano (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo), durante uma manifestação na sede do Partido Popular Paulista.
As iniciais dos quatro nomes formaram o movimento MMDC, que teve papel central na mobilização para a luta armada.
Movimento MMDC — Foto: Divulgação/MMDC
A revolução perdeu força porque o apoio esperado de outros estados não se concretizou, e as armas encomendadas no exterior não chegaram a tempo.
Open Questions
- Qual o impacto exato do bombardeio na estrutura original da ponte?
- Como a restauração de 2011 e o incêndio de 2020 afetaram a integridade histórica da ponte?




