Breaking
CN超級颱風巴威逼近羅塔島 關島已現強風豪雨INIndia Directs Meta to Disable Child Exploitation Ads on InstagramRUВолонтеры и жители Тувы штурмовали дом по наводке ясновидящей в поисках пропавших детейKRCoupang's US entanglement risks undermining allianceINOPEC+ Approves Modest Production Increase Amid Market ShiftsINTLFIFA Suspends Balogun's Red Card Ban, Allowing Play Against BelgiumCNChinese Researcher Wu Xinbo on US Foreign Policy and China-US RelationsBRConcursos Públicos e Seleções Simplificadas: 255 Vagas Abertas em PernambucoRUМинобороны РФ: ПВО сбили почти 4000 украинских дронов за неделюPLNiezgodności w mięsie mielonym – zaniżona zawartość tłuszczu i niedozwolone składnikiCN超級颱風巴威逼近羅塔島 關島已現強風豪雨INIndia Directs Meta to Disable Child Exploitation Ads on InstagramRUВолонтеры и жители Тувы штурмовали дом по наводке ясновидящей в поисках пропавших детейKRCoupang's US entanglement risks undermining allianceINOPEC+ Approves Modest Production Increase Amid Market ShiftsINTLFIFA Suspends Balogun's Red Card Ban, Allowing Play Against BelgiumCNChinese Researcher Wu Xinbo on US Foreign Policy and China-US RelationsBRConcursos Públicos e Seleções Simplificadas: 255 Vagas Abertas em PernambucoRUМинобороны РФ: ПВО сбили почти 4000 украинских дронов за неделюPLNiezgodności w mięsie mielonym – zaniżona zawartość tłuszczu i niedozwolone składniki
Newsgather
BackUberlândia em 2002: o ano do Penta, internet discada e passes de plástico
Uberlândia em 2002: o ano do Penta, internet discada e passes de plástico
NEWS
G16/20/2026Other9 min readBrazil

Uberlândia em 2002: o ano do Penta, internet discada e passes de plástico

Quick Look

  • Em 2002, enquanto o Brasil conquistava o pentacampeonato, Uberlândia vivia uma realidade de internet discada, celulares básicos e passes de plástico.
  • Pesquisa em jornais da época revela o cotidiano, preços e desafios urbanos.

AI-generated summary

Why It Matters

Em 2002, Uberlândia vivia uma realidade tecnológica e social distinta, com a internet discada, celulares básicos e passes de ônibus de plástico, enquanto o Brasil se preparava para a Copa do Mundo.

Font size

Enquanto a Seleção Brasileira caminhava rumo ao pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002, Uberlândia vivia uma realidade muito diferente da atual. A internet ainda engatinhava, os celulares eram artigos para poucos e as passagens de ônibus eram pagas com passes feitos de plástico.

O g1 fez uma pesquisa entre os meses de maio e julho de 2002 no Cedoc da TV Integração e no extinto jornal Correio de Uberlândia, disponível no Arquivo Público Municipal. O objetivo é reconstruir o cotidiano dos moradores na última vez em que o Brasil levantou a taça do mundial. Entre hábitos, preços, tecnologia, transporte, esporte e desafios urbanos, a cidade revela um retrato que hoje parece distante.

O Correio de Uberlândia foi um dos principais jornais da cidade e marcou a história da imprensa regional até encerrar as atividades em 2016, aos 76 anos.

Da desconfiança à festa do pentacampeonato

Entre celulares simples, internet discada, ônibus pagos com fichas e ruas tomadas por buzinaços, Uberlândia acompanhou a conquista do pentacampeonato em um mundo muito diferente do atual.

Nem todo mundo acreditava que a Seleção Brasileira conquistaria o título. Dezessete dias antes do início da Copa, comerciantes reclamavam das vendas tímidas de produtos temáticos.

Camisetas com o slogan 'Rumo ao Penta' custavam entre R$ 5 e R$ 8, mas a procura era considerada baixa. Um serigrafista ouvido pelo jornal atribuiu a situação à desconfiança dos torcedores em relação à equipe comandada por Luiz Felipe Scolari.

A percepção mudou conforme o Brasil avançava no torneio. Com as primeiras vitórias, os torcedores passaram a acreditar no título. Muitos já apostavam em uma final contra a Alemanha.

A cada triunfo, as ruas eram tomadas por buzinaços que chegavam a durar até 40 minutos. Bares ficavam lotados, escolas adaptavam a rotina para acompanhar os jogos e milhares de pessoas saíam para comemorar.

No dia da final, a expectativa era de que os torcedores ocupassem as ruas da cidade. Mais de 600 policiais militares e agentes de trânsito foram mobilizados para acompanhar as comemorações.

Imagens da comemoração do penta em Uberlândia em 2002 — Foto: Jornal Correio de Uberlândia/Reprodução

Bares abriam às 5h30 da manhã

Por causa do fuso horário entre Brasil, Coreia do Sul e Japão, os jogos aconteciam nas primeiras horas do dia. Na estreia da Seleção, estabelecimentos abriram antes das 6h para receber os torcedores.

Uma das referências da época era a Choperia Zero Grau, que reunia cerca de 500 pessoas diante de cinco televisores de 29 polegadas. O comércio e os bancos só começavam a funcionar ao meio-dia nos dias de jogos do Brasil. Muitas crianças também acompanhavam as partidas dentro das escolas.

Ônibus a R$ 1,25 e mototáxi em expansão

Muito antes dos aplicativos de transporte, os moradores dependiam principalmente dos ônibus, táxis e mototáxis. A bandeirada do táxi custava R$ 2,69 e uma corrida média saía entre R$ 8 e R$ 10.

Já os mototáxis, que ainda eram vistos com desconfiança e enfrentavam discussões sobre regulamentação, cobravam entre R$ 3 e R$ 5 por viagem.

As empresas responsáveis pelo transporte coletivo eram a Transcol e a Viação Triângulo. Em maio daquele ano, a tarifa passou para R$ 1,25. Cerca de 200 mil passageiros utilizavam diariamente o sistema.

Na época, a cidade se preparava para trocar os passes plásticos por bilhetes impressos. A implantação dos cartões magnéticos acumulava quase um ano de atraso.

Os passes de plástico foram substituídos pelos selos e posteriormente pelo cartão — Foto: TV Integração/Reprodução

Quanto custava viver em Uberlândia em 2002?

Os anúncios publicados pelo jornal ajudam a entender o custo de vida da época:

Coca-Cola de 2 litros: R$ 1,39

Leite tipo C: R$ 0,90

Gás de cozinha: R$ 25

Linguiça a granel: R$ 1,99 o quilo

Gasolina: R$ 1,60 o litro

Apartamento novo no Jardim Finotti com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço, sacada e vaga na garagem: R$ 40 mil

Celular Nokia 5125: R$ 379

O salário mínimo nacional era de R$ 200.

Um motorista de ônibus recebia R$ 595,85. Já um cobrador ganhava R$ 357.

Um professor das séries iniciais tinha remuneração de aproximadamente R$ 212.

Alguns anúncios veiculados entre maio e julho de 2002 — Foto: Jornal Correio de Uberlândia/Reprodução

A Algar anunciava, em São Paulo, a fusão das empresas de telefonia fixa, celular, TV a cabo, Internet e data center. Surgia a criação da 'nova' CTBC. A empresa passou a fazer chamadas a longa distância. Um interurbano em um domingo, de fixo para fixo, saia por cinco centavos.

Entre os jovens com celular, que não eram muitos, na modalidade pré-pago, ficou famoso o 'me dá um toquinho', ou seja, em três segundo você avisava ao amigo que precisava falar com ele mas não tinha crédito.

Quando a internet ainda era novidade

Em 2002, o Brasil tinha cerca de 13 milhões de usuários de internet. As novas regras para registro de domínios começavam a ser implantadas e o acesso à rede ainda estava longe de ser algo comum nos lares brasileiros.

Quem queria ouvir música recorria ao walkman. Já para gravar programas de televisão ou os jogos da Copa, o videocassete era indispensável.

Em Uberlândia, um dos destaques era o site Charges.com, criado pelo cartunista Maurício Ricardo. O portal acumulava milhões de acessos e já se destacava nacionalmente. Na época, o chargista comentou sobre os desafios de produzir conteúdo para a internet.

"Eu não arrisco nenhuma previsão. Todas as tentativas de definir para onde esse movimento vai erraram."

Maurício Ricardo criou o Charges.com que em 2002 e acumulava milhões de acesso e se destacava no Brasil — Foto: Jornal Correio de Uberlândia/Reprodução

Problemas que atravessaram as décadas

Alguns desafios enfrentados pela cidade há 24 anos continuam atuais.

Uberlândia registrava mais de 3 mil casos confirmados de dengue.

A cidade produzia cerca de 350 toneladas de lixo por dia e perdia aproximadamente 31% da água tratada em vazamentos e ligações clandestinas.

Moradores reclamavam da poluição visual na região central e da falta de agentes de fiscalização de trânsito.

A acessibilidade também era motivo de preocupação. Estimava-se a necessidade de cerca de mil rampas para atender pessoas com deficiência.

Greves de professores das redes municipal e estadual afetavam o calendário escolar.

Na segurança pública, os assaltos a ônibus chamavam atenção. Apenas nos primeiros seis meses do ano foram registrados 163 casos.

O basquete vivia sua era de ouro

Se o Uberlândia Esporte Clube enfrentava dificuldades e acabou rebaixado para o Módulo 2 do Campeonato Mineiro, o basquete vivia um dos períodos mais marcantes da história da cidade.

A chamada 'Unit Mania' lotava o Uberlândia Tênis Clube (UTC), com mais de 3 mil torcedores por partida. Virava o 'caldeirão' da Inferno Verde, torcida organizada do futebol que migrou para o basquete. O time chegou à final do Campeonato Brasileiro e ganhou até álbum de figurinhas.

A relevância da equipe era tanta que a Seleção Brasileira de Basquete utilizou o UTC para parte da preparação para o Mundial de Indianápolis, nos Estados Unidos.

Time de basquete de Uberlândia virou mania na cidade — Foto: Jornal Correio de Uberlândia/Reprodução

Outros destaques

A cidade ainda recebeu competições de judô, futsal e antes do MMA o lutador que se destacava na cena era o Cyborg no box tailandês.

O capoeirista Wellington Ramos, ou Pelezinho, representava Uberlândia e o Brasil na Europa nos Jogos Europeus Abadá Capoeira.

A cidade recebeu neste ano o 6o Open de Futsal Adulto, no clube AABB.

Moda, beleza e costumes

As manicures cobravam cerca de R$ 7 pelos tradicionais serviços de pé e mão. Para quem queria entrar no clima da Copa, era possível decorar as unhas com as cores da bandeira brasileira por cerca de R$ 16.

Bandanas faziam sucesso entre os jovens, enquanto a drenagem linfática se consolidava como uma das técnicas estéticas mais procuradas.

Sem redes sociais, as fotos das festas e eventos eram vistas em portais locais como o Fala X na internet ou em álbuns impressos levados de um lado para o outro.

Uma cidade em transformação

Em 2002, o prefeito de Uberlândia era Zaire Rezende.

Os resultados dos vestibulares ainda eram publicados nos jornais impressos.

O Teatro Rondon Pacheco seguia em funcionamento e a cidade realizava a primeira edição da 'Parada do Orgulho Gay'.

Os condomínios horizontais começavam a ganhar espaço e quem planejava viagens internacionais utilizava traveller checks para levar dinheiro ao exterior.

Foi neste ano também que o Ministério do Trabalho permitiu que menores de 16 anos tivessem direito a ter carteira de trabalho assinada em Uberlândia.

Poucos imaginavam que aquela seria a última vez que o Brasil conquistaria uma Copa do Mundo em um longo período e que transformações tomariam conta da cidade nos anos seguintes.

Carro popular

Em 2002, carros populares custavam entre R$ 11 e R$ 25 mil: apenas 3 de cada 10 saíam das concessionárias como modelos básicos, os outros sete saíam com acessórios típicos de modelos de luxo como ar condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos, segundo registros da época.

Anúncio de carro popular em 2002 — Foto: Jornal Correio de Uberlândia/Reprodução

Agro

Cafeicultores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba esperavam enviar 35 mil sacas de café para o Japão na safra 2002/2003, 20% maior do que o enviado na safra anterior. O líder na lista de exportação era o café cereja descascado.

Saúde

Depois de 8 anos sob a gestão da Fundação Maçônica Manoel dos Santos as cinco UAIs da cidade passaram a ser administradas pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Saúde. UAIs Pampulha, Planalto e Tibery começavam a usar a telemedicina nos atendimentos.

Shows

O Brasil de 2002

O reality show Big Brother Brasil estreou na televisão;

A novela "O Clone" liderava a audiência no horário nobre;

O Congresso Nacional discutia medidas para encerrar o funcionamento dos bingos;

O dólar chegou a R$ 2,55, a maior cotação do ano até então;

A criação de avestruzes vivia um período de forte expansão no país.

Preocupação dos pais

Educadores e pais estavam preocupados com o impacto da exposição de crianças a produções como 'Power Rangers', 'Pokémon', 'Digimón' e 'Dragon Ball Z'. A preocupação era de que os filmes e animem despertassem agressividade nos pequenos.

Videl, Goten e Gohan, em cena de Dragon Ball Z — Foto: Reprodução

VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Open Questions

  • Como a tecnologia atual impacta a memória coletiva?
  • Quais outros aspectos da vida urbana mudaram drasticamente?

Related Topics

This article was originally published by G1.

Related Stories

More on this topicCopa do Mundo de 2002