Academia e quadra de areia: casas de luxo são alvo de buscas da PF em operação que prendeu deputado e ex-chefe da Polícia Civil
Operação investiga grupo que utilizava postos de combustíveis para lavagem de dinheiro com participação de agentes públicos
Quick Look
A Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, cumprindo mandados de prisão e busca contra um grupo suspeito de lavar R$ 7,6 bilhões via postos de combustíveis, envolvendo políticos e policiais civis.
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Why It Matters
A operação investiga conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no RJ, inserida no contexto da ADPF 635.
Coberturas e imóveis de alto padrão em Icaraí, Camboinhas, Itaipava e Angra dos Reis estão entre os endereços alvos de mandados de busca e apreensão na 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal (PF).
Os imóveis chamam a atenção pela estrutura e pelos espaços de lazer. Entre os elementos identificados estão uma piscina monumental, áreas com cadeiras e móveis em madeira, espaço lounge para receber convidados, adega e mesa de pingue-pongue.
Na adega localizada em uma das casas, a PF encontrou dinheiro, cerca de R$ 40 mil, no espaço destinado aos vinhos.
Em uma das propriedades também é possível ver uma academia particular. Uma outra casa possui uma quadra de areia e diversas dependências, com padrão muito superior ao de residências convencionais.
A Operação mira um grupo que, segundo a Polícia Federal, usava 96 postos de combustíveis no Grande Rio e na Região dos Lagos para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos e articulação político-institucional.
Entre os presos estão Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil. Ambos já haviam sido alvo de buscas na 6ª fase da operação, em julho.
Ao todo, agentes saíram para cumprir 6 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
As ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também está inserida no contexto da ADPF 635, a ADPF das Favelas, que determinou, entre outras providências, que a PF conduzisse investigações sobre relações de agentes públicos com grupos criminosos no RJ.
De acordo com um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, das quais 96 são postos de combustíveis e revendas associadas.
Segundo a PF, além de organização criminosa armada, são investigados, de acordo com a participação atribuída a cada um, crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Márcio Canella: articulação política. Segundo a investigação, ele exercia o papel de articulador político do grupo e fazia a ligação entre agentes públicos e a estrutura econômica formada em torno dos postos de combustíveis. A investigação afirma que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, posteriormente, para a Secretaria de Polícia Civil. Os investigadores também apontam que Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões em créditos da Brumar Empreendimentos, além de mais de R$ 139 mil em espécie. A origem desses valores, segundo a apuração, não foi esclarecida. Canella foi indiciado por organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
Marcus Amim: atuação na cúpula da segurança. Marcus Vinicius Amim Fernandes é delegado e comandou o Detran-RJ antes de assumir a Secretaria de Polícia Civil. Segundo a investigação, ele usava os cargos ocupados para dar proteção institucional às atividades do grupo. Os investigadores afirmam ainda que Amim era sócio oculto do posto Gasmix Alcântara, ao lado dos irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. A apuração aponta também que uma empresa de Amim, a Mamim Consultoria, recebeu R$ 1,821 milhão da ADM Oil por meio de um contrato de consultoria que os investigadores consideram fictício.
Pablo Russo: controle de uma rede de postos. Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, ele era o principal operador de fato de uma ampla rede de postos de combustíveis. A apuração aponta que Pablo atuava em mais de 20 postos e controlava cerca de 43 estabelecimentos de bandeira BR, embora as empresas estivessem formalmente registradas em nome da mulher dele e de uma sócia dela. Os investigadores afirmam ainda que Pablo tinha acesso antecipado, por intermédio de um advogado, a agendas sigilosas de fiscalização do Procon e da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor.
José Carlos Alves de Souza Júnior: gestão dos recursos. José Carlos Alves de Souza Júnior, conhecido como Júnior, também é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, embora não aparecesse formalmente como sócio ou administrador da maior parte das empresas, Júnior tinha controle de fato sobre parte da estrutura econômica do grupo. Os investigadores afirmam que ele usava a mulher, Luisi Correa Pinho, como laranja, e participava da distribuição de recursos entre integrantes do grupo e agentes públicos.
Christiano Gaspar Fernandes: policial civil e secretário municipal. Christiano Gaspar Fernandes é inspetor da Polícia Civil e ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo. Segundo a investigação, ele é sócio oculto da Gasmix Alcântara Posto de Gasolina, juntamente com o irmão, Giovanni Gaspar Fernandes.
Giovanni Gaspar Fernandes: sociedade oculta no posto. Também inspetor da Polícia Civil, Giovanni Gaspar Fernandes é apontado pela investigação como sócio oculto da Gasmix Alcântara nas mesmas condições do irmão, Christiano. A apuração também analisa operações envolvendo a Vitaserv, empresa ligada à mulher de Giovanni, Taissa Burgos Fernandes.
Outros alvos da operação: Além dos presos, outros 6 investigados são alvo de medidas na 8ª fase. Eles não tiveram a prisão preventiva decretada, mas foram incluídos nos mandados de busca e apreensão. Um deles também foi afastado cautelarmente da função pública.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Continuidade das investigações sobre os demais alvos da operação.
Very likely · Within months
Open Questions
- Quais serão os desdobramentos políticos para os demais citados?
- Como ficará a operação dos postos de combustíveis lacrados?




