
Problemas na colheita e na moagem da cana no Brasil pressionaram os preços internacionais. Índice geral de alimentos caiu em outubro, mas ainda supera o nível de um ano atrás.
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Índice da FAO acompanha preços internacionais de produtos agrícolas comercializados no mundo.
O preço internacional do açúcar subiu 28,8% em outubro ante o ano anterior, informou a FAO nesta sexta-feira (6). Os preços globais de alimentos caíram 1,2%.
Chuvas no Centro-Sul do Brasil prejudicaram a colheita e moagem da cana. Preocupações com a safra de Índia, União Europeia e Tailândia também pressionaram o preço.
Embora o índice geral da FAO tenha caído em outubro, ele ficou 5,9% acima do registrado em 2025. O recuo foi puxado por cereais, laticínios e carnes.
Os cereais lideraram a queda com recuo de 4,5%. O trigo e o milho ficaram mais baratos, enquanto o arroz subiu 1,6% devido a atrasos nas colheitas.
Carnes e laticínios registraram quedas de 1,2% e 1,1%, respectivamente. Já os óleos vegetais subiram 0,3%, com destaque para a alta da soja impulsionada por biocombustíveis.
O preço internacional do açúcar subiu 28,8% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto os preços globais dos alimentos recuaram. Na comparação com setembro, o preço do açúcar avançou 6,6%.
Foi a quarta alta mensal consecutiva do açúcar, que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2024, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A principal pressão veio das chuvas, que prejudicaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país. Também pesaram as preocupações com a produção na Índia, na União Europeia e na Tailândia na safra 2026/27.
Segundo a FAO, a alta foi impulsionada principalmente por "interrupções relacionadas às chuvas nas operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar" no Centro-Sul brasileiro e pelas incertezas sobre a produção na Índia, na União Europeia e na Tailândia.
A alta do açúcar contrasta com a queda dos preços globais dos alimentos. O índice da FAO, que acompanha os preços internacionais de produtos agrícolas comercializados no mundo, ficou em 133,9 pontos em outubro, queda de 1,2% em relação a setembro.
Apesar da queda no mês, o indicador ainda estava 5,9% acima do nível de outubro de 2025. Na comparação com o pico de março de 2022, após a disparada dos preços provocada pela guerra na Ucrânia, o índice estava 16,4% mais baixo.
A queda em outubro foi puxada principalmente pelos preços dos cereais, dos laticínios e das carnes. Esses recuos mais do que compensaram a alta do açúcar e o aumento dos preços dos óleos vegetais.
Entre os grupos acompanhados pela FAO, os cereais tiveram a maior queda de preços em outubro: 4,5%. O trigo interrompeu uma sequência de quatro meses de alta.
Segundo a organização, os preços caíram diante da demanda internacional mais fraca e da melhora nas perspectivas de produção, especialmente na Argentina.
A expectativa de redução das restrições ao transporte de produtos pelo Mar Negro também ajudou a reduzir os preços, embora dificuldades no transporte e no escoamento da produção na região ainda limitem as exportações.
O milho também ficou mais barato depois de atingir, em setembro, o maior preço em três anos. A queda refletiu a colheita nos Estados Unidos, a expectativa de oferta abundante nos principais países exportadores da América do Sul e a possibilidade de redução das tensões na região do Mar Negro.
O arroz seguiu na direção contrária, com alta de 1,6% nos preços em outubro. O aumento foi influenciado por atrasos nas colheitas em alguns países exportadores, condições climáticas desfavoráveis e custos de produção mais altos.
Os preços internacionais das carnes recuaram 1,2% no mês. Carne suína, ovina e bovina ficaram mais baratas, enquanto os preços do frango permaneceram praticamente estáveis.
Já o índice de preços dos laticínios caiu 1,1%, principalmente devido à redução nos valores internacionais da manteiga e do queijo. A oferta abundante e a menor procura pressionaram os preços desses produtos e compensaram a alta do leite em pó.
Os óleos vegetais tiveram alta de 0,3%. O aumento dos preços dos óleos de soja e girassol superou a queda do óleo de colza.
No caso da soja, os valores atingiram o maior nível desde o fim de 2022, impulsionados pela demanda do setor de biocombustíveis e pela redução da oferta típica deste período do ano na América do Sul.

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