Baixa mobilidade social no Amazonas: Apenas 1,43% dos jovens de baixa renda concluem ensino superior
Quick Look
- Um estudo do IMDS e Prospera Lab revela que apenas 1,43% dos jovens amazonenses de baixa renda concluem o ensino superior, e 80,2% permanecem na metade inferior de rendimento.
- A desigualdade de gênero e raça agrava o cenário, com mulheres não brancas sendo as mais afetadas.
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Why It Matters
O Atlas da Mobilidade Social Brasil, realizado pelo IMDS e Prospera Lab, analisou a trajetória econômica de famílias brasileiras entre 2006-2010 e 2015-2019 para medir a influência da renda dos pais no rendimento futuro dos filhos.
Apenas 1,43% dos jovens amazonenses criados nas famílias de menor renda conseguem concluir o ensino superior na vida adulta. O dado faz parte do Atlas da Mobilidade Social Brasil e expõe uma das principais barreiras para a ascensão econômica no estado.
O levantamento, realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab, mostra que o gargalo educacional no Amazonas começa ainda na educação básica: a probabilidade de um jovem vindo de família de baixa renda concluir o ensino médio é de apenas 51,25%.
Essa baixa escolaridade reflete diretamente na perpetuação da pobreza entre gerações. Segundo o estudo, apenas 19,8% dos filhos de famílias da metade de menor renda no AM conseguem alcançar a metade mais rica da população na vida adulta.
De acordo com estudo, que significa que 80,2% continuam retidos na metade inferior de rendimento. O índice é consideravelmente pior do que a média nacional, onde a taxa de permanência na baixa renda é de 66,6%.
No ranking de mobilidade social entre as 27 unidades da federação, o Amazonas aparece à frente apenas do Acre e do Amapá.
Conforme a plataforma, sem a formação acadêmica, a distância entre a base e o topo da pirâmide socioeconômica se torna quase insuperável. O levantamento mostra como a falta de oportunidades limita o futuro dos jovens amazonenses:
Raros no topo: Apenas 1,15% dos filhos de famílias vulneráveis no AM chegam ao grupo dos 10% mais ricos do país. Quando analisada a fatia dos 25% mais ricos, o acesso é de somente 5,82%.
Presos à pobreza: A imensa maioria (82,19%) continua na metade de menor renda. Além disso, 56,97% permanecem retidos entre os 25% mais pobres e 26,13% continuam na faixa extrema dos 10% mais pobres.
Superação limitada: A probabilidade de o filho ter um rendimento relativo pelo menos 10% superior ao dos pais é de apenas 31,68%.
Ainda segundo a atlas, o abismo da mobilidade social fica ainda mais evidente quando recortado por gênero e raça, mostrando que as oportunidades educacionais e de renda são assimétricas.
Entre as pessoas com maior probabilidade de permanecer na metade mais pobre da população no Amazonas, 89% são mulheres, enquanto entre os homens o percentual é de 70,8%.
Quando analisada a situação das mulheres não brancas (pretas, pardas e indígenas), o índice de permanência na metade de menor renda sobe para 89,5%, indicando uma sobreposição de vulnerabilidades que dificulta o avanço social.
O Atlas da Mobilidade Social Brasil acompanhou a trajetória econômica de famílias brasileiras em dois momentos distintos:
Primeira fase (2006 a 2010): Pesquisadores identificaram famílias posicionadas na metade de menor renda per capita que possuíam filhos crianças ou adolescentes.
Segunda fase (2015 a 2019): O estudo acompanhou esses mesmos filhos, já na vida adulta, para comparar seu rendimento com a condição original de seus pais.
De acordo com os autores da pesquisa, quanto maior for a influência da renda dos pais sobre o rendimento futuro dos filhos, menor é o nível de mobilidade social do estado.
Open Questions
- Quais políticas públicas específicas poderiam reverter esse cenário no Amazonas?
- Quais são as causas subjacentes da baixa escolaridade na educação básica?





