Caso Elyne: procurador municipal prometeu pagar R$ 40 mil para mandar matar ex no Acre, diz polícia
Polícia Civil prende executador e investiga intermediação no crime de mando no interior do Acre
Quick Look
- O procurador municipal de Brasiléia, Francisco Valadares Neto, é suspeito de encomendar a morte da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, por R$ 40 mil.
- Lucivaldo Lopes de Souza, apontado como executor, confessou o crime e recebeu R$ 2 mil de adiantamento.
- O procurador está hospitalizado e com mandado de prisão em aberto.
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Why It Matters
Elyne de Assis Nogueira, médica de 39 anos, foi assassinada a tiros em um bar em Brasiléia, no Acre, na última segunda-feira (2). O procurador municipal Francisco Valadares Neto é suspeito de encomendar a morte por R$ 40 mil. Francisco já possui histórico de condenação por violência doméstica contra a ex-prefeita Fernanda Hassem. A vítima possuía medida protetiva contra ele.
O procurador municipal de Brasiléia, Francisco Valadares Neto, prometeu pagar R$ 40 mil pela morte da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em um bar na última segunda-feira (2) no interior do estado. A informação foi divulgada pela Polícia Civil na manhã desta sexta (6) após a prisão de Lucivaldo Lopes de Souza, apontado como o executador do crime.
De acordo com o delegado Alex Dany, responsável pela investigação, Lucivaldo receberia R$ 10 mil para matar a médica. Desse total, R$ 2 mil foram entregues antecipadamente e os outros R$ 8 mil seriam pagos depois da execução. Durante a prisão do suspeito, a polícia conseguiu recuperar R$ 700 desse adiantamento.
"Em espécie, ele recebeu R$ 2 mil de adiantamento para executar. Os outros R$ 8 mil seriam pagos após a morte. Desses R$ 2 mil que ele recebeu, conseguimos arrecadar R$ 700, em sete cédulas de R$ 100. Então, o pagamento de R$ 40 mil envolve também outras pessoas que estão sendo investigadas", explicou o delegado Alex Dany.
Delegado Alex Dany e a investigadora Chayene Medeiros falaram sobre o assassinato da médica Elyne de Assis — Foto: Eldson Júnior/Rede Amazônica Acre
Lucivaldo confessou ter assassinado a médica a mando do procurador municipal durante interrogatório na manhã desta sexta.
Conforme o delegado, a investigação já identificou outras pessoas que participaram da intermediação entre o suposto mandante e o executor. A polícia ainda trabalha para esclarecer como foi feito o contato entre eles e qual foi a participação de cada envolvido.
"É um crime de mando. Temos como mandante [Francisco] e como autor da execução o Lucivaldo. Nesse meio de campo, ainda estamos fechando as informações e já temos identificadas algumas pessoas, não apenas uma, envolvidas nessa intermediação entre o mandante e a execução da morte", explicou.
Apesar da confissão, a Polícia Civil afirma que ainda há etapas da investigação a cumprir. A motivação do assassinato também não foi esclarecida, já que os investigadores ainda não conseguiram ouvir formalmente o procurador, que ainda está hospitalizado em Rio Branco.
"Não temos como responder sobre a motivação, visto que ela é originária da própria pessoa que encomendou a morte dela, e nós não tivemos oportunidade de interrogá-lo por causa da situação de saúde em que se encontra", disse o delegado.
Lucivaldo Lopes de Souza confessou ter atirado contra a médica Elyne de Assis Nogueira e afirmou que o crime foi encomendado por R$ 40 mil — Foto: Reprodução/Alexandre Lima
Procurador pesquisava sobre a médica
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de Francisco Valadares, na terça-feira (3), os policiais encontraram um computador ligado, com páginas e pesquisas relacionadas à morte da médica, além de outros objetos que foram recolhidos para auxiliar nas investigações.
Segundo Alex Dany, também foram encontrados no imóvel uma substância em pó, com características semelhantes às da cocaína, e uma carta. O material foi apreendido e será analisado pelos investigadores.
A investigadora Chayene Medeiros, que participou das diligências desde o início do caso, afirmou que a carta encontrada na residência também pode contribuir para esclarecer o planejamento do crime.
"Durante o cumprimento do mandado de busca, coletamos provas que vão nos ajudar a aprofundar a investigação. Foi apreendida uma carta na casa do doutor Valadares, que também nos auxiliou a avançar nas apurações sobre o crime de mando. Ainda temos muito trabalho pela frente e outros desdobramentos devem ocorrer no decorrer da investigação", afirmou.
Segundo a Polícia Civil, Francisco Valadares Neto encomendou a morte da médica Elyne de Assis Nogueira por R$ 40 mil — Foto: Reprodução
Chayene também destacou que a prisão de Lucivaldo ocorreu sem resistência. Segundo ela, o suspeito não tentou fugir nem reagiu à abordagem policial.
"Foram três dias intensos de investigação, de comprometimento e determinação da equipe. Todos estavam empenhados em dar uma resposta à família, à sociedade e a todas as mulheres que também esperavam isso. Conseguimos capturar o executor, mas ainda não finalizamos o caso", disse.
Investigação
A Polícia Civil informou que trabalha para identificar todos os envolvidos na contratação e na execução do assassinato.
O procurador, que também é advogado e ex-vereador de Brasiléia, está com mandado de prisão em aberto, mas permanece hospitalizado. Conforme o delegado, a polícia acompanha a situação e aguarda condições para cumprir a ordem judicial.
''A motivação do crime ainda depende de esclarecimentos. Nós não tivemos acesso a todos os procedimentos relacionados a possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o ex-casal, pois parte das medidas foi solicitada diretamente ao Judiciário'', ressaltou Alex.
O delegado afirmou também que os investigadores ainda precisam concluir as diligências para esclarecer a participação de cada pessoa e reunir os elementos necessários para finalizar o inquérito.
Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, é médica e foi morta a tiros em Brasiléia, no Acre — Foto: Reprodução
Medida protetiva
Francisco já tem histórico de condenação por violência doméstica contra a ex-prefeita da cidade, Fernanda Hassem, com quem teve um relacionamento.
Testemunhas que estavam na mesma mesa que Elyne contaram aos policiais que ela possuía medida protetiva contra Francisco e que vinha relatando situações de ameaça. Segundo os relatos, ele teria passado várias vezes pela rua onde fica o bar naquela ocasião.
O corpo de Elyne foi velado em Brasiléia. A médica foi sepultada na última quarta-feira (4), no Cemitério São João Batista da cidade. Ao g1, um amigo que pediu para não ser identificado descreveu Elyne como uma pessoa que conquistava a todos que conviviam com ela. Ela trabalhava no Hospital Regional de Brasiléia e na Unidade Básica de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva.
Especialista em medicina da família e comunidade, a médica era admirada não apenas pela competência profissional, mas também pela maneira como acolhia e tratava os pacientes, segundo o amigo.
Ele ressaltou a personalidade alegre da médica. Ela frequentava academia, gostava de cuidar da saúde e aproveitar os momentos com pessoas próximas.
No sepultamento da médica, um cortejo marcou o momento com homenagens e emoções por familiares e amigos. O médico e ex-marido de Elyne, Francisco Nogueira, falou sobre a dor e a revolta pela perda e relembrou que a médica procurou medidas legais para se proteger.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O procurador Francisco Valadares Neto será interrogado e formalmente indiciado após receber alta hospitalar.
Likely · Within weeks
Novas pessoas envolvidas na intermediação serão identificadas e possivelmente presas.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Qual é a motivação do assassinato?
- Quais são as outras pessoas envolvidas na intermediação entre o mandante e o executor?
- Como foi feito o contato entre o procurador e o executor?
- Quando o procurador poderá ser interrogado, dado que está hospitalizado?






