Cientista belga que estuda partículas invisíveis na Antártica ganha o Nobel de Física
Pesquisa pioneira transforma gelo do Polo Sul em detector para rastrear a origem de partículas cósmicas extremas.
Quick Look
Neutrinos, conhecidos como partículas fantasmas, são estudados por cientistas no Polo Sul por meio do projeto IceCube, abrindo uma nova era para a astronomia de neutrinos e revelando segredos sobre eventos extremos no cosmos.
AI-generated summary
Why It Matters
Cientistas usam blocos de gelo na Antártica com sensores para detectar rastros luminosos de colisões de neutrinos.
Neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do universo. O nosso Sol mesmo manda para cá uma vasta quantidade, o tempo todo. A cada segundo, 1 bilhão de neutrinos atravessam a palma da mão e não se sente e não vê nada. O neutrino não tem carga elétrica, tem massa quase nula e atravessa o planeta inteiro como se fosse um vazio. Por isso, ele é chamado de partícula fantasma.
Até Halzen ter uma ideia que muita gente não acreditou que fosse dar certo. Ele suspeitava que a rara colisão de um neutrino com um átomos do gelo geraria alguma reação que fosse possível observar. Para provar a hipótese, o cientista foi até o Polo Sul e transformou gelo em detector. Era ideal porque o gelo é transparente e escuro. A equipe enterrou 86 cabos com mais de 5 mil sensores de luz em um gigantesco bloco de gelo. Deu certo. Foi possível observar os rastros de luz azul das colisões dos neutrinos com o gelo, e Halzen criou uma nova ciência, a astronomia de neutrinos.
Mas por que observar um neutrino é importante? Porque a partícula pode revelar muitos segredos sobre o universo. Para isso, os cientistas querem identificar os neutrinos de alta energia, que vêm de mais longe, do espaço sideral profundo. Como o neutrino quase não interage com nada, faz a viagem pelo universo em linha reta, ele aponta, como uma bússola para o lugar de onde saiu, como buracos negros ou galáxias bem distantes.
“Essa luz deixa um rastro. E esse rastro permite reconstruir a direção de onde veio o neutrino. E isso permite-nos começar a compor um cenário sobre as regiões do universo que produzem esse tipo de partículas. Eles sempre, então, carregam informação sobre processos extremos no cosmos. Por exemplo, o que acontece no entorno de buracos negros? Ou o que acontece quando uma estrela explode? Ele consegue trazer informação de regiões que a luz não consegue acessar, como, por exemplo, o próprio núcleo das estrelas, quando existe um processo de colapso e explosão estelar. Isso foi realmente revolucionário porque abriu uma nova janela da astrofísica”, diz Ulisses Barres, pesquisador do CBPF/Instituto Serrapilheira.
Embora Halzen seja o primeiro cientista em mais de três décadas a receber o prêmio sozinho, ele deu crédito à equipe. Mais de 400 cientistas do mundo todo fazem parte do projeto IceCube, na Antártica. Ele disse que os desafios foram superados por uma combinação de perseverança, talento e sorte.
Open Questions
- Quais novos segredos de buracos negros serão revelados?
- Como o projeto IceCube será expandido no futuro?






