Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia
Ataques ocorreram durante colheita de azeitonas; governo israelense diz investigar, enquanto Bélgica pede sanções da UE
Quick Look
- Colonos israelenses atacaram diplomatas europeus, um prefeito francês e civis palestinos na Cisjordânia durante a colheita de azeitonas.
- O governo belga exigiu sanções, enquanto Israel prometeu investigar os incidentes.
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Why It Matters
Os ataques de colonos na Cisjordânia têm aumentado nos últimos três anos em paralelo à expansão dos assentamentos. A colheita de azeitonas é um período de alta tensão na região.
Colonos israelenses atacaram civis palestinos, diplomatas europeus e um prefeito francês neste sábado (17) na Cisjordânia ocupada, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Bélgica. Um dia antes, colonos haviam agredido uma fotojornalista americana.
Maxime Prévot disse que estavam entre os alvos o cônsul-geral da Bélgica junto aos palestinos, diplomatas franceses e poloneses e representantes católicos. Um veículo belga também foi danificado, afirmou.
"Como potência ocupante, as autoridades israelenses devem proteger os palestinos, garantir a segurança de diplomatas e jornalistas e levar os responsáveis à Justiça. A impunidade dos colonos violentos precisa acabar", declarou Prévot em uma publicação no X.
Bernard Baudoux, prefeito de Aulnoye-Aymeries, no norte da França, disse à agênicia de notícias Reuters que colhia azeitonas nas proximidades do vilarejo cristão palestino de Taybeh, em um gesto de solidariedade à comunidade local, quando foi "violentamente atacado" por colonos mascarados. "Fui jogado ao chão", afirmou.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, condenou o ataque e classificou os responsáveis como manifestantes israelenses violentos. Ele também sugeriu que os diplomatas deveriam ter coordenado a visita com as Forças Armadas israelenses. "Essa coordenação poderia ter ajudado a garantir a segurança dos visitantes", afirmou em uma publicação no X.
Em nota, o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu pediu cautela sobre o ocorrido. Apesar de dizer que ataque a diplomatas é grave, o governo afirma que precisa de provas para verificar as acusações, o que não seria possível só com os vídeos divulgados.
"Esses relatos surgem em meio a preocupações com uma campanha coordenada para difamar Israel e os moradores judeus da Judeia e Samaria durante a colheita anual de azeitonas, recorrendo a manchetes sensacionalistas antes que todos os fatos venham à tona", afirmou em comunicado, utilizando o termo bíblico pelo qual a região é chamada em Israel. Segundo o governo israelense, foi aberta uma investigação para apurar as agressões.
O vice-presidente palestino, Hussein al-Sheikh, condenou o ataque e o classificou como um pequeno exemplo do "terrorismo diário" a que os palestinos são submetidos.
Autoridades israelenses, incluindo Netanyahu, condenaram periodicamente a violência de colonos, mas afirmam que ela é praticada por uma pequena minoria. Palestinos e grupos de direitos humanos contestam essa caracterização.
Os ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia aumentaram nos últimos três anos, assim como foram expandidos, pelo governo Netanyahu, os assentamentos de judeus na região, ilegais sob o direito internacional. Jornalistas, ativistas e observadores estrangeiros também têm sido alvos.
Na sexta-feira (16), dezenas de colonos mascarados atacaram palestinos que colhiam azeitonas na Cisjordânia. Heidi Levine, fotojornalista americana do Washington Post que cobria a colheita, foi hospitalizada após ser agredida por colonos mascarados.
"Aqueles que atacaram uma repórter desarmada deveriam passar anos na prisão", escreveu no X neste sábado Mike Huckabee, embaixador dos Estados Unidos em Israel.
Ela afirma que o país pediu investigação, prisão e responsabilização, "nos termos mais rigorosos da lei", de todos os envolvidos. "Atacar uma fotógrafa é um ato desprezível de terror, cometido por covardes mascarados. Um ato desonroso de violência sem sentido", completou Huckabee.
Também neste sábado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as recentes cenas de violência de colonos na Cisjordânia são "perturbadoras".
"Os palestinos enfrentam essa violência todos os dias. Os colonos também atacam jornalistas que noticiam esses episódios e diplomatas. Colher azeitonas, cobrir os acontecimentos ou cumprir funções diplomáticas nunca deveria colocar ninguém em risco de sofrer um ataque", disse Prévot.
A Bélgica, que anunciou a proibição de importações provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia e nas Colinas de Golã, outro território ocupado por Israel, pressionará por sanções da União Europeia "contra os responsáveis por essa violência e aqueles que os apoiam", acrescentou o ministro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Maciej Wewior, afirmou no X que um comboio que transportava diplomatas, incluindo autoridades polonesas, havia sido atacado. Os diplomatas poloneses não ficaram feridos. "Os ataques contra integrantes do corpo diplomático são absolutamente inaceitáveis", declarou.
A polícia israelense informou que abriu uma investigação sobre o episódio. Até a publicação desta reportagem, não havia anunciado nenhuma prisão. Processos judiciais contra colonos acusados de crimes violentos contra palestinos na Cisjordânia são raros.
What to Watch
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Abertura de inquéritos formais pelas autoridades israelenses.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Haverá prisões concretas após a investigação?
- A União Europeia aplicará sanções contra os responsáveis?







