Como está a economia da Argentina? Crescimento e queda da inflação contrastam com pobreza e desemprego
Quick Look
- Durante encontro no Fórum Econômico Mundial em Davos, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua proximidade com Javier Milei e se pretende replicar a política econômica argentina no Brasil.
- Apesar do crescimento do PIB argentino em 2026, indicadores mostram aumento da pobreza e do desemprego, com recuperação impulsionada pelas exportações enquanto o consumo interno e a indústria enfrentam retração.
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Why It Matters
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua proximidade com Javier Milei durante evento no Fórum Econômico Mundial em Davos, após Daniella Marques, coordenadora da campanha de Bolsonaro, citar o governo argentino como inspiração para redução de impostos e burocracia no Brasil.
O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. — Foto: Reuters
Ao questionar candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política econômica adotado pelo argentino.
A discussão ocorreu depois de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontar o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e burocracia.
Os indicadores, porém, revelam um quadro mais complexo: a economia argentina voltou a crescer e a inflação desacelerou, mas a pobreza e o desemprego aumentaram, enquanto o consumo interno e setores importantes para a geração de empregos enfrentam dificuldades.
O Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 2% na mesma base de comparação, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Os resultados positivos, porém, escondem uma perda de ritmo. Entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O consumo privado recuou 2,4%, o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos caíram 0,8%.
Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo — indicador dos investimentos realizados na economia — teve queda de 11,1%.
A composição do crescimento também ajuda a entender esse cenário. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira estiveram entre os principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%.
No segundo trimestre, atividades ligadas às exportações voltaram a se destacar: a pesca cresceu 44,7%, a mineração e a extração em pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária teve alta de 6,9%.
As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, enquanto as importações diminuíram 8,6%. Em sentido contrário, a indústria manufatureira recuou 2,1%.
➡️ Os números apontam para uma recuperação desigual. Enquanto atividades ligadas às exportações avançam, segmentos mais dependentes do mercado interno enfrentam dificuldades. Essa diferença importa porque os setores em expansão, como a mineração, nem sempre são os que mais geram empregos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O debate sobre a replicação do modelo econômico argentino no Brasil continuará durante a campanha eleitoral.
Likely · Within months
Open Questions
- Quais medidas específicas da política econômica argentina Flávio Bolsonaro pretende adotar caso eleito?
- Como a recuperação desigual da economia argentina afetará as relações comerciais entre Brasil e Argentina?
- Qual será o impacto das políticas de Milei na pobreza e no desemprego a médio prazo?







