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O prejuízo dos Correios quase dobrou no primeiro trimestre de 2026: ficou em R$ 3 bilhões. A estatal acumula 14 resultados negativos seguidos.
O balanço contábil mostra os Correios no limite. A receita bruta no primeiro trimestre até ficou estável, um pouco acima do projetado. Mas as despesas foram maiores. Conta negativa que se repete há quatro anos. O último lucro trimestral foi no começo de 2022.
De janeiro a março de 2025, o prejuízo foi de R$ 1,7 bilhão. Em 2026, passou de R$ 3 bilhões. A estatal informou que, entre os fatores que impactaram o resultado, estão despesas judiciais e precatórios, que somaram R$ 1,4 bilhão – 44% do prejuízo no período. Em todo o ano de 2025, o rombo total foi de R$ 8,5 bilhões. E a previsão dos Correios é que deve piorar em 2026. Situação que, para o economista Armando Castelar, é irremediável.
“É sinal de que é um problema que não vai ter solução tão cedo, está certo? Obviamente, você pode dizer: ‘Vai pegar um empréstimo, quando pegar um empréstimo, vai pagar o tributo'. Mas a não geração de caixa não vai embora porque você pegou um empréstimo. Então, você está simplesmente adiando um problema. A solução dos Correios é a privatização. Você não tem muita alternativa a isso”, afirma Armando Castelar, economista do FGV Ibre.
Correios têm prejuízo de R$ 3 bilhões nos primeiros 3 meses de 2026 — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Outro resultado negativo no trimestre foi o da dívida tributária, que cresce como bola de neve e já está quase em R$ 1 bilhão. De janeiro a março, a estatal pagou R$ 700 milhões em atrasados. A empresa afirmou que aderiu ao parcelamento dessa dívida, com pagamentos a partir de 2026, com o objetivo de otimizar o fluxo de caixa e assegurar a regularidade fiscal.
Segundo os Correios, apesar do déficit bilionário, o resultado ficou melhor do que o projetado. E isso, na avaliação da estatal, estaria evidenciando o resultado de ações voltadas à recuperação da empresa. O plano de reestruturação, anunciado em 2025, prevê, por exemplo, venda de imóveis, fechamento de agências, demissões voluntárias e um empréstimo – R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional. Ou seja, é o governo federal que vai pagar, com dinheiro público, parcelas do empréstimo caso os Correios não consigam.
Bruno Carazza, economista da Fundação Dom Cabral e comentarista do Jornal da Globo, disse que as medidas foram insuficientes:
“A atual administração tentou conter essa sangria de recursos com um programa de reestruturação, mas a gente observa que as respostas ainda estão muito aquém do necessário. Enquanto essas soluções não acontecem, ou se os resultados delas não vêm em sua plenitude, as despesas não param de crescer”.
Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia da USP, disse que quem paga a conta é o contribuinte:
“O prejuízo quase que dobrou, quando o objetivo era inverter. Aquele prejuízo do primeiro trimestre de 2025 piorou muito, aumentou 82%. Isso não podia ter acontecido. Que medidas são essas que o prejuízo vai piorando? Quem vai pagar essa conta? Somos nós, consumidores. Porque isso vai aumentar o déficit fiscal do Brasil”.
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