Deputado Val Ceasa e ex-vereador Ulisses Marins são investigados por ligação com facção TCP
Quick Look
- Investigações da Polícia Civil e MP no Rio apontam que Val Ceasa (PRD) e Ulisses Marins (PSD) receberam votos de áreas dominadas pelo TCP.
- Suspeitas incluem lavagem de dinheiro e ocultação de armas para o traficante Peixão.
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Why It Matters
Investigações apontam que locais comandados pela facção Terceiro Comando Puro (TCP) na Zona Norte do Rio de Janeiro contribuíram significativamente para a votação de políticos locais. Há suspeitas de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção.
Val Ceasa e Ulisses Marins — Foto: Reprodução
Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que locais comandados pelo Terceiro Comando Puro (TCP) na Zona Norte representam "uma parcela relevante da votação" nas últimas eleições do deputado estadual Roosevelt Barcelos, o Val Ceasa (PRD), e o ex-vereador Ulisses Marins (PSD).
Os dados do Tribunal Regional Eleitoral foram cruzados com informações sobre a atuação das facções criminosas durante a investigação da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil do Rio.
A denúncia do Ministério Público contra os dois e outros alvos da operação da última quinta-feira (18) cita que os índices de votação de Val do Ceasa e Ulisses Marins denotam sua "capilarização naquelas comunidades, circunstância reveladora de sua capacidade de influência para agir em benefício da facção criminosa à qual está associado".
Em 2022, Val Ceasa teve 69.034 votos. Pelo menos 12,24 mil, aproximadamente 17,73% dos votos, foram contabilizados em áreas de atuação do TCP, como Para Pedro, Acari, e Beira Rio, além dos bairros de Cordovil e Irajá.
Para Pedro- 1787 votos
Cordovil-1710 votos
Acari-1628 votos
Beira-Rio-1099 votos
Já Ulisses, quando foi eleito em 2020 para vereador, teve mais de 10 mil votos nas duas zonas eleitorais, que compreendem os bairros de Vigário Geral, Parada de Lucas e Brás de Pina.
O Complexo de Israel — Foto: Reprodução/TV Globo
As três fazem parte do chamado Complexo de Israel, que tem também inclui as favelas Cinco Bocas e Pica-Pau.
Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão — Foto: Reprodução/TV Globo
Acusações
As investigações apontam suspeitas de que Val Ceasa lavava dinheiro para o Terceiro Comando Puro (TCP) e que atuou para favorecer os interesses da facção, especialmente em Irajá e bairros vizinhos na Zona Norte do Rio.
Procurado, Val do Ceasa afirmou à GloboNews que trabalha em prol das pessoas mais humildes e negou que tenha procurado batalhão para impedir a demolição de um "resort" do traficante Peixão.
Ulisses Marins, também alvo da operação desta quinta-feira (18), teria utilizado um imóvel onde funcionava seu comitê eleitoral para esconder armas e drogas para o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. O criminoso é o maior chefe do TCP na região do Complexo de Israel.
A investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil também apontou que Val Ceasa possui imóveis e bens que chegam a R$ 13 milhões. O valor é substancialmente maior do que o patrimônio de R$ 1 milhão declarado em 2022.
Piscina estava sendo construída em nono 'resort' do traficante Álvaro Malaquias, o Peixão, em Nova Iguaçu — Foto: Reprodução
Roosevelt Barreto Barcelos, nome de batismo de Val Ceasa, começou a sua vida no centro de abastecimento que virou parte de seu nome político, o Ceasa. Lá, virou dono de vários boxes.
Em 2016, já havia uma investigação na Polícia Civil, em que a 27ª DP (Vicente de Carvalho) apontava indícios de extorsão cometida por Val Ceasa contra comerciantes, além de suspeita de lavagem de dinheiro do TCP.
Val Ceasa também adquiriu outros bens nos últimos anos, segundo o MPRJ e a Polícia Civil:
Diversas empresas (comércio e cultivo de frutas e abastecimento), com capital social somado de R$ 800 mil no Rio de Janeiro e no Espírito Santo;
Imóvel rural do tamanho de um campo de futebol;
Galpão avaliado em R$ 3 milhões;
Apartamento de frente para a praia no Recreio, avaliado em R$ 1,5 milhão;
Casa na Barra da Tijuca avaliada em R$ 5,5 milhões.
O Ministério Público pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do parlamentar, além de relatórios de inteligência financeira.
Na casa de Val Ceasa, agentes apreenderam R$ 166 mil em espécie. Cerca de R$ 150 mil foram encontrados em outros endereços dele.
Como foi a operação
A operação teve como alvos agentes públicos suspeitos de ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), a 2ª maior facção do tráfico do RJ.
Ao todo, a Policia Civil e o Ministério Público cumpriram 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Um dos endereços foi a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Segundo a força-tarefa, Val do Ceasa, Ulisses e um ex-assessor tentaram impedir a demolição do “resort” do chefão do TCP. A operação policial para pôr o imóvel abaixo chegou a ser adiada. Duas pessoas foram presas em flagrante.
Polícia desmantela 'resort' usado por traficantes em Parada de Lucas — Foto: Reprodução/ TV Globo
Segundo o MPRJ, os investigados teriam usado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. No entanto, as apurações indicam que essa justificativa não correspondia à realidade.
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Val Ceasa se defende
Pouco antes de chegar à Assembleia Legislativa do Rio, o deputado Val Ceasa afirmou que vem sofrendo perseguição política, e que se a investigação for séria, ele vai sair como "herói":
Val Ceasa — Foto: Reprodução/TV Globo
Ops!
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Deputado Val Ceasa e ex-vereador Ulisses Marins podem ter seus mandatos cassados.
Likely · Within months
Novas operações policiais podem ocorrer contra outros agentes públicos ligados ao TCP.
Possible · Within weeks
Open Questions
- Qual a extensão total da influência do TCP nas eleições?
- Quais as punições para os envolvidos?
- Como a investigação afetará a política local?







