Disputa por casa de luxo na Riviera de São Lourenço levada a 'tribunal do crime' do PCC
Operação Janus investiga empresários por lavagem de dinheiro e laços com a facção criminosa, resultando em prisões.
Quick Look
- Uma casa de luxo na Riviera de São Lourenço, avaliada em R$2 milhões, foi alvo de uma disputa resolvida por um "tribunal do crime" do PCC.
- O caso é central para a Operação Janus, que investiga empresários por lavagem de dinheiro e seus laços com a facção, resultando em 13 prisões.
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Why It Matters
Uma casa de luxo na Riviera de São Lourenço foi objeto de uma disputa que, segundo o MP-SP, foi resolvida por um "tribunal do crime" do PCC, aproximando empresários e a facção. Este caso embasou a Operação Janus, que resultou em 13 prisões.
Uma casa de alto padrão tornou-se o centro de uma disputa que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), não acabou sendo resolvida pela Justiça, mas sim por um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC). O imóvel, avaliado em R$ 2 milhões, fica na Riviera de São Lourenço, um bairro de Bertioga (SP) com seguranças e mansões de celebridades.
O "tribunal do crime" é uma prática adotada por facções criminosas para julgar e punir pessoas que tenham alguma desavença com o grupo.
A negociação da casa foi apontada como um dos principais episódios que aproximaram empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes da facção criminosa, além de ter ajudado a embasar a Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21). Ao menos 13 investigados foram presos.
Rose Braga é corretora de imóveis há 20 anos na Riviera de São Lourenço e não tem relação com a casa de alto padrão envolvida na disputa 'resolvida' pelo tribunal do crime. Procurada pelo g1, ela explicou que, apesar de o local ser confundido com um condomínio de luxo, trata-se de um bairro aberto e 100% planejado, que fica a cerca de 120 quilômetros da capital paulista.
"Apesar dos dois portais e do rigoroso sistema de segurança e conservação, não é um condomínio fechado, mas sim um loteamento urbano integrado à cidade. Isso significa que qualquer um pode transitar nas ruas e praças sem restrições, e por lei também pode usar a praia", explicou Rose.
De acordo com a corretora, a Riviera de São Lourenço tem casas e apartamentos luxuosos, que podem chegar a R$ 60 milhões. Ela destacou que os valores dependem da localização e da distância da praia.
Ainda segundo Rose, dezenas de celebridades são donas de imóveis no bairro, como a apresentadora Eliana e o influenciador Léo Picon, além de cantores como Daniel, MC Gui e Luciano, da dupla com Zezé Di Camargo.
Anteriormente, o g1 noticiou que a influenciadora Deolane Bezerra comprou uma luxuosa mansão avaliada em mais de R$ 15 milhões na região. O bairro também foi palco da prisão de MC Ryan SP durante a Operação Narco Fluxo, que também prendeu o MC Poze do Rodo no Rio de Janeiro.
Como é o bairro?
A corretora explicou que o projeto começou a ser construído em 1979, pela Sobloco Construtora S.A. Rose acrescentou que a ideia era unir infraestrutura de alto padrão e segurança com preservação ambiental. Por isso, o bairro tem limites de construções e ocupação.
O bairro está situado no quilômetro 212 da Rodovia Rio-Santos e tem uma área total de 8.849.164,64 m². Conforme divulgado no site oficial da Riviera de São Lourenço, aproximadamente 60% do projeto já foi implantado, com a seguinte infraestrutura:
Escolas Shopping Restaurantes Flats e hotéis Hipermercado Complexo tenístico Clube hípico e de golfe 12 mil unidades habitacionais Centro comercial e de serviços Postos de abastecimento e serviços Atendimento médico e odontológico
Além disso, a Riviera de São Lourenço tem a própria infraestrutura de saneamento básico, como sistemas de captação, tratamento e distribuição de água e coleta e tratamento de esgotos. O bairro também mantém, há mais de 20 anos, uma política ambiental, certificada pela Norma ISO 14001.
"É considerada de luxo por ser a praia mais limpa e tranquila do litoral, por ser um bairro 100% planejado com infraestrutura própria e integrada à natureza e por ter a certificação ISO 14001, por ter seu próprio tratamento de água e esgoto, gerador de energia e segurança 24 horas", destacou Rose.
Operação Janus
A polícia já prendeu 11 pessoas e outros dois investigados já estavam presos. Até a última atualização desta reportagem, cinco seguem foragidos, entre eles Leonardo Meirelles, que já era considerado procurado em outras operações.
Segundo o MP, o empresário Cléber Azevedo dos Santos, um dos principais investigados, teria recorrido voluntariamente ao mecanismo paralelo de resolução de conflitos do PCC para tentar solucionar um impasse envolvendo a venda da residência, localizada na Riviera de São Lourenço.
De acordo com a investigação, Cléber Azevedo dos Santos, apontado como vendedor do imóvel, e Marcelo de Morais Oliveira, identificado como comprador, passaram a disputar o pagamento de R$ 2 milhões relacionados à venda da casa.
A partir da análise de celulares apreendidos, o Ministério Público concluiu que o conflito extrapolou a esfera comercial e passou a ser tratado por integrantes do PCC. Cléber e Marcelo estão entre os investigados que tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Janus.
Marcelo de Morais Oliveira é um dos detidos da Operação Janus e está envolvido no imbróglio do PCC por casa na Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo.
As apurações indicam que Cléber contou com o auxílio de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana — ambos também alvos de prisão preventiva e denunciados anteriormente na Operação Bazaar — para se aproximar de integrantes da facção.
Entre eles estava Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado pelo MP como um dos chefes do PCC e que também teve a prisão decretada na operação. Segundo a investigação, foi a partir dessa aproximação que a disputa pela casa acabou submetida ao "tribunal do crime".
Alvos da operação
Entre os personagens envolvidos diretamente na disputa pela casa, tiveram a prisão preventiva decretada Cléber Azevedo dos Santos, Antonio Carlos Ubaldo Júnior, Marlon Antonio Fontana, Leonardo Monteiro Moja, André de Souza Haddad, Antonio Carlos Sampaio, Alexandre Viriato da Silva, Danillo Vinicius da Silva Rosário e Marcelo de Morais Oliveira.
Open Questions
- Qual o desfecho da disputa pela casa?
- Quais as próximas etapas da Operação Janus?
- Onde estão os cinco foragidos?







