
Ex-chefe das Forças Armadas busca apoio para liderar novo gabinete após eleições sem maioria clara
Gadi Eisenkot, indicado pelo presidente Isaac Herzog para formar um novo governo em Israel, declarou estar aberto a incluir Netanyahu e aliados de extrema direita em sua coalizão, desde que sob sua liderança, após eleições que não definiram uma maioria.
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As eleições de 27 de outubro em Israel não resultaram em maioria parlamentar para nenhum bloco. O presidente Isaac Herzog indicou Gadi Eisenkot para tentar formar um novo governo.
Gadi Eisenkot, designado para formar um novo governo em Israel, disse estar aberto à possibilidade de o primeiro-ministro em fim de mandato, Binyamin Netanyahu, e alguns de seus aliados de extrema direita integrarem uma coalizão governamental, desde que sob o seu comando.
Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, foi o principal político do atual premiê nas eleições legislativas israelenses, realizadas em 27 de outubro, que terminaram sem que nenhum dos blocos políticos conquistasse maioria no Parlamento.
"Se os membros do Likud e do Partido Sionista Religioso realmente acreditam que este é um momento de união, como disseram ao presidente, não consigo conceber nenhuma razão pela qual não apoiariam um governo sob a minha liderança e os princípios que apresentei", disse Eisenkot, em referência ao partido de Netanyahu e à legenda do ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich.
O presidente Isaac Herzog indicou Eisenkot no sábado (7), após consultar os partidos representados no Knesset, o Parlamento israelense.
Ele recebeu o maior número de indicações entre as legendas, inclusive de siglas que representam a minoria árabe do país, embora tenha descartado formar uma coalizão com elas. Nesse cenário, ele poderia firmar um acordo com elas para obter apoio a propostas do Executivo, sem que elas integrassem formalmente a coalizão governista.
Durante a campanha, os partidos do bloco oposicionista, liderados pelo Yashar, de Eisenkot, concentraram suas críticas na gestão de Netanyahu e na condução das guerras na região.
O pleito do mês passado foi o primeiro desde os ataques terroristas do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. Os eleitores foram às urnas para escolher os 120 integrantes do Parlamento israelense, o Knesset.
O Likud, partido de Netanyahu, conquistou a maior bancada, com 27 cadeiras, mas isso não bastou para garantir ao premiê o direito de formar o governo, já que o presidente optou por quem reuniu mais apoios entre os partidos.
A legenda do premiê governa atualmente com o apoio de outros partidos religiosos e de extrema direita. Juntas, as siglas que compõem o bloco de Netanyahu conquistaram 53 cadeiras, número insuficiente para garantir a maioria parlamentar, de 61 assentos, e que exige novas alianças para a formação de um governo.
Eisenkot tem 28 dias para negociar a formação de um novo governo, prazo que pode ser prorrogado por mais 14. Se não conseguir chegar a um acordo —seja para formar uma coalizão majoritária, seja para governar com apoio externo—, o presidente poderá indicar outro nome para tentar formar o governo.
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, 66, pode se tornar o primeiro premiê do país oriundo da comunidade mizrahi de Israel, formada por judeus cujas raízes remontam ao Oriente Médio e ao Norte da África.
Reservado e considerado avesso à mídia, ele só ingressou na política em 2022. Eisenkot integrou, de forma breve, o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel em 2023, antes de voltar à oposição.
Com o conflito em curso, ele chegou a repreender Netanyahu por sua condução da campanha militar na Faixa de Gaza e afirmou que não voltaria a integrar um governo ao lado dele.
A imagem de Eisenkot também está ligada ao preço pessoal pago por sua família desde 2023: um filho e dois sobrinhos morreram combatendo em Gaza.
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Eisenkot tem 28 dias para negociar a formação do governo.
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