Em ato no Rio, Lula diz que Flávio é adversário de mais baixo nível e volta a citar morte de menina
Presidente classificou adversário como o de 'mais baixo nível' que já enfrentou e reforçou críticas sobre caso da menina Ana Clara
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Em caminhada de campanha em Copacabana, o presidente Lula (PT) atacou seu adversário Flávio Bolsonaro (PL), chamando-o de mentiroso e criticando sua atuação na defesa de um policial militar envolvido na morte da menina Ana Clara.
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Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25. O debate entre os candidatos foi marcado por trocas de acusações pessoais.
O presidente Lula (PT) afirmou neste sábado (24) que Flávio Bolsonaro (PL) é possivelmente o adversário de "mais baixo nível" que já enfrentou em uma eleição.
Durante caminhada de campanha em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, o petista acusou o senador de mentir e voltou a abordar o caso da menina Ana Clara Gomes Machado, morta aos cinco anos por um disparo atribuído a um policial militar defendido na Justiça pelo candidato do PL.
"Estamos chegando ao final de mais uma campanha. Uma campanha que, possivelmente, tenha sido a campanha feita por um adversário de mais baixo nível possível", afirmou Lula a jornalistas antes de iniciar a caminhada. O presidente citou políticos que enfrentou em eleições anteriores, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Collor, e disse que nunca havia disputado contra alguém com tão pouco compromisso com a verdade.
"E, dessa vez, eu tive que disputar a eleição com uma pessoa que não é uma pessoa, é uma mentira", afirmou Lula. "Ele decora os textos, não tem nenhum compromisso com a verdade, com aquilo que fala. Ele diz sim e não com a mesma desfaçatez."
As declarações foram feitas na manhã seguinte ao último debate presidencial, realizado pela Globo na sexta-feira (23), marcado por trocas de acusações entre os candidatos.
Durante o confronto, Flávio usou a expressão "nove dedos" para se referir a Lula, que perdeu um dedo da mão esquerda em um acidente de trabalho em 1964. Após ser cobrado pelo petista, o senador pediu desculpas.
O caso de Ana Clara também foi abordado no debate. A menina morreu em fevereiro de 2021, em Niterói, após ser atingida por um disparo quando brincava na frente de casa. Flávio atuou na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo.
A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o debate na plateia, a convite da campanha de Lula. Durante o confronto, Flávio afirmou confiar que o policial não foi responsável pelo tiro e disse que ele ainda não havia sido julgado.
Na caminhada deste sábado, Lula voltou a criticar a postura do adversário no episódio.
"Vocês viram o cinismo dele ao falar da morte da menina Ana Clara? Vocês viram a desfaçatez? Errou o nome da mãe. Essa gente não presta", afirmou o presidente.
Lula também voltou a chamar Flávio de "miliciano" e disse que sua eleição representaria riscos à democracia e à liberdade.
O presidente demonstrou confiança na vitória no segundo turno, marcado para domingo (25). "Eu estou dizendo para vocês, podem anotar: amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez", afirmou.
Lula agradeceu a mobilização dos apoiadores e disse que a população assumiu a responsabilidade de fazer sua campanha nesta reta final.
"A nossa arma é a urna e a nossa bala é o 13", disse, durante o ato.
A caminhada reuniu uma multidão na avenida Atlântica, com concentração na altura do Posto 5. Além do tradicional vermelho, muitos manifestantes vestiam a camisa da seleção brasileira. Parte dos apoiadores acompanhou a passagem do presidente das janelas dos prédios, enquanto outros subiram em carros e árvores para tentar vê-lo.
O percurso foi interrompido por cerca de 15 minutos depois que um pneu do carro em que Lula estava furou. O presidente explicou a situação aos manifestantes, em tom de brincadeira, antes de trocar de veículo.
"Eu queria dizer para vocês que o pneu do nosso carro furou. Se fosse meu adversário, ele ia dizer que eu fui eu que furei", disse.
Na sequência, Lula demonstrou otimismo com o resultado da eleição de domingo (25). "Enquanto isso, gente, é muita música, muita alegria, porque eu estou com sabor de vitória na boca!", afirmou.
A primeira-dama Janja pediu que os apoiadores permanecessem onde estavam durante a troca, por questões de segurança.
Sob sol forte, alguns participantes passaram mal e precisaram de atendimento. A reportagem presenciou uma mulher sendo carregada em uma maca por bombeiros, enquanto o responsável pela animação do trio elétrico interrompia a música para solicitar socorro a outra pessoa na multidão.
Segundo o Sistema Alerta Rio, a temperatura máxima prevista para este sábado é de 34°C. Havia pontos de hidratação e vendedores ambulantes oferecendo água ao longo do percurso.
Lula classificou o ato como, possivelmente, "a passeata política mais bonita da história de Copacabana" e voltou a destacar a participação das mulheres na eleição.
O presidente encerra neste sábado sua campanha para o segundo turno, quando enfrenta Flávio Bolsonaro na disputa por um quarto mandato presidencial.
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