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Empreender no Brasil é ruim, mas é bom
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Folha Mercado15 hours agoBusiness3 min readBrazilView translation

Empreender no Brasil é ruim, mas é bom

Fundador da Petz reflete sobre barreiras, concorrência e o custo das dificuldades para o país

Quick Look

  • O fundador da Petz analisa o paradoxo de empreender no Brasil: juros altos, insegurança jurídica e tributação complexa afastam concorrentes e protegem empresas estabelecidas, mas encarecem produtos e dificultam a entrada de novos negócios.
  • Ele defende um país onde seja mais fácil empreender, mesmo com mais concorrência.

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Why It Matters

O autor, fundador da Petz, compara o ambiente de negócios no Brasil e nos Estados Unidos com base em mais de 40 anos de experiência administrando empresas. Ele cita 5.569 municípios com competências para editar normas locais, a judicialização das relações de trabalho e a diferença entre o ambiente previsível dos EUA e o labirinto regulatório brasileiro.

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Há uma frase que circula entre brasileiros que foram morar em Miami: viver nos Estados Unidos é bom, mas é ruim; viver no Brasil é ruim, mas é bom. O conforto de lá convive com a saudade do calor humano daqui. Depois de mais de 40 anos administrando empresas, percebi que o paradoxo também vale para os negócios.

Empreender no Brasil é ruim. Juros altos, crédito caro, insegurança jurídica, violência e um sistema tributário que parece um manicômio. Há ainda regras que mudam conforme o endereço. Temos 5.569 municípios, com competências para editar normas locais. Quem opera no país inteiro sabe: abrir uma loja em outra cidade pode significar enfrentar regras completamente diferentes.

Some-se a isso a judicialização das relações de trabalho. Milhões de casos chegam anualmente à Justiça do Trabalho. Muitas ações buscam direitos legítimos, mas o volume revela a dimensão de conflitos, riscos e custos que precisam ser administrados.

Não basta vender bem, cuidar do cliente e controlar o caixa. O empresário precisa dominar licenças, fiscalização e obrigações que consomem recursos antes mesmo da primeira venda. Energia que poderia financiar inovação acaba dedicada a superar obstáculos.

Até aqui, só o lado ruim. O lado bom é menos óbvio: esses obstáculos também afastam concorrentes. Uma empresa estrangeira que avalia entrar no Brasil compara riscos e mercados e pode decidir que o esforço não compensa. Quem já está aqui aprendeu a navegar no labirinto. O que continua sendo um problema também pode virar vantagem competitiva.

Vivi esse paradoxo. Quando fundei a Petz, no início dos anos 2000, os gigantes americanos do setor pet não tinham aqui a presença que tinham nos Estados Unidos. A partir da primeira loja, tivemos espaço para aprender, formar equipes e desenvolver competências. Hoje, Petz e Cobasi integram um grupo de escala latino-americana, com uma operação omnicanal sofisticada. Foi mérito de quem construiu o negócio, mas a menor pressão de concorrentes internacionais também abriu espaço para crescer.

Nos Estados Unidos, o paradoxo se inverte: empreender é bom, mas é ruim. O ambiente é mais previsível, o acesso a capital é mais amplo e novos competidores entram com maior facilidade. Conquistar clientes e preservar margens exige reinventar-se continuamente.

Aqui, muitas vezes, o desafio é entrar no jogo. Lá, é continuar vencendo quando tantos outros podem jogar.

Seria um erro comemorar nossas barreiras. Elas podem proteger empresas estabelecidas, mas afastam investimentos, encarecem produtos e dificultam a vida de quem começa. Não explicam sozinhas a desigualdade, mas ajudam a perpetuar um Brasil com base larga de baixa renda e topo estreito de riqueza, tão diferente da classe média mais ampla americana.

Aquilo que pode ter ajudado minha empresa a crescer não é necessariamente o melhor para o país. Prefiro um Brasil em que seja mais fácil empreender, mesmo que isso signifique mais concorrentes disputando meus clientes.

Afinal, empreender no Brasil é ruim, mas pode ser bom para quem já venceu os obstáculos. O que não podemos aceitar é que o sucesso de quem chegou primeiro dependa das dificuldades de quem ainda tenta começar.

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Empresas estabelecidas continuarão se beneficiando das barreiras de entrada no curto prazo

    Likely · Within months

  • Novos investidores estrangeiros continuarão avaliando cuidadosamente os riscos antes de entrar no Brasil

    Likely · Within months

Open Questions

  • Quais medidas específicas o autor propõe para simplificar o ambiente de negócios no Brasil?
  • Qual é o impacto quantitativo das barreiras de entrada sobre investimentos estrangeiros no setor pet?
  • Como a fusão entre Petz e Cobasi se relaciona com o argumento de escala latino-americana?

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This article was originally published by Folha Mercado.

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