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As deteções ocorreram no contexto de aumento das operações de imigração nos EUA durante o segundo mandato de Donald Trump, com programas como a Seção 287(g) que permitem colaboração entre forças locais e o ICE. As mulheres tinham entrado legalmente nos EUA, mas excederam o período de permanência autorizado.
Cidadãs equatorianas foram detidas enquanto recebiam atendimento médico em um hospital após sofrerem acidente de carro nos EUA.
Por BBC
Duas equatorianas foram detidas por agentes de imigração em um hospital da Flórida após um acidente de trânsito. Elas foram deportadas nesta terça-feira (25).
Familiares gravaram a prisão e afirmam que Grace Calero foi interrogada sob sedativos. O vídeo com gritos de "Socorro, por favor, socorro!" repercutiu nas redes.
O órgão de imigração alegou que as mulheres excederam o período de permanência legal. Em julho, agentes prenderam quase 50.000 pessoas nos Estados Unidos.
Elas foram levadas de ambulância ao pronto-socorro em Kissimmee, no centro da Flórida, nos Estados Unidos.
Mas durante o período em que se recuperava em um dos quartos do hospital, Grace foi algemada e detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), enquanto a filha — deitada em uma cama — se agarrava a ela.
As equatorianas Grace Calero e sua filha, Giulianna, foram detidas no hospital por agentes do ICE. — Foto: Divulgação
Um vídeo mostrando o momento da prisão foi gravado por um familiar e repercutiu nas redes sociais.
Na gravação é possível ouvir Gia Calero, irmã de Grace, gritando desesperadamente por ajuda: "Socorro, por favor, socorro!", e pedindo aos agentes de imigração que mostrassem um mandado de prisão.
Grace foi levada pelos agentes para a cadeia do condado de Pinellas, o mesmo local para onde sua filha foi levada algumas horas depois.
Segundo familiares, Grace e a filha são imigrantes equatorianas e haviam solicitado asilo nos EUA após fugirem de Guayaquil, no Equador, por terem sido ameaçadas por gangues criminosas que atuam no país.
Calero tinha autorização para trabalhar, afirmou seu primo Jonathan Bravo. Ele estava presente no momento da detenção no hospital e gravou o vídeo.
"Foi aterrorizante", afirmou ele em entrevista por telefone à BBC News Mundo — serviço em espanhol da BBC.
Ao ver que estavam levando sua mãe, "Giuliana teve um ataque de pânico seguido de convulsões", descreveu Bravo, acrescentando que a jovem já sofria de ansiedade e depressão antes do acidente.
"Me mostre o mandado de prisão", é possível ouvir Bravo dizer em inglês em um segundo vídeo gravado por ele quando os agentes retiram Grace do hospital e a levam para um veículo.
Um porta-voz do ICE, órgão ligado ao Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês), informou à BBC News Mundo que, em 20 de agosto, o serviço de imigração emitiu ordens de detenção contra as duas mulheres, classificando-as como "imigrantes ilegais do Equador", após elas serem presas pelo Gabinete do Xerife do Condado de Polk em decorrência de um acidente de trânsito.
Calero entrou legalmente no país em 8 de março de 2023, mas "permaneceu no território além do período permitido legalmente", enquanto Carriel entrou legalmente no país em 8 de fevereiro de 2025, mas também "excedeu o período de permanência autorizado", acrescentou.
"Ambas permanecerão sob custódia do ICE enquanto aguardam os procedimentos de deportação", afirmou o porta-voz.
Deportação voluntária
Mãe e filha foram levadas do hospital para o presídio do condado de Pinellas e, após permanecerem lá por quatro dias, ficaram sob custódia do ICE em um centro de detenção temporário da divisão de Operações de Execução e Remoção (ERO, na sigla em inglês), na cidade de Tampa, segundo relatos de familiares.
Mãe e filha rumo ao Equador. Elas retornaram ao país na quarta-feira (26). — Foto: Divulgação
Segundo Bravo, Grace e a filha manifestaram seu desejo de deportação voluntária e pediram para retornar ao Equador.
Depois de tudo o que viveram, elas temiam ser enviadas para um centro de detenção do ICE.
Na tarde de terça-feira (25/8), cindo dias após a detenção, o ICE providenciou o embarque das duas em um voo para o Equador.
"Me ligaram de dentro do avião", disse Gia Calero à BBC News Mundo. "Graças a Deus, elas já foram embora." Na quarta-feira, mãe e filha chegaram a Guayaquil.
Os familiares também demonstraram indignação com o procedimento utilizado para detê-las.
Bravo afirma que, antes da prisão, um policial do condado de Polk permaneceu no hospital durante várias horas e, enquanto Calero recebia atendimento médico, o agente a interrogou.
Ela estava com o pescoço imobilizado e "tinham dado sedativos para aliviar as dores". Nessas circunstâncias, segundo ele, Grace foi interrogada sobre seu status migratório.
'Cumprir com as leis'
Em comunicado, o hospital HCA Florida Poinciana afirmou que sua prioridade "é sempre atender todos os pacientes que chegam ao pronto-socorro, independentemente de seu status migratório", e que seus funcionários se dedicam a oferecer um "atendimento humanizado a todos os pacientes", segundo informou a revista Newsweek.
"Assim como todos os hospitais, somos obrigados a cumprir as leis e regulamentações que regem as interações com agentes credenciados das forças de segurança quando eles entram em nosso hospital", acrescentou.
Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Polk, como parte da investigação do acidente de carro, agentes policiais foram ao hospital para conversar com as ocupantes de um dos veículos.
"Enquanto os agentes coletavam informações dos envolvidos, descobriram que a motorista, natural do Equador, estava ilegalmente nos Estados Unidos após ter permanecido no país por vários anos além do vencimento de seu visto", diz um comunicado obtido pela BBC News Mundo.
Em seguida, o texto afirma que os agentes descobriram que a filha da motorista, que também havia se envolvido no acidente, "estava em situação migratória irregular".
O ICE "emitiu ordens de detenção para as duas mulheres após elas receberem alta do hospital".
A família, no entanto, afirma que as duas nunca receberam um documento informando sobre a alta hospitalar e que foram detidas enquanto recebiam tratamento médico pelos ferimentos causados pelo acidente, dentro do quarto onde estavam internadas.
Aumento do número de detenções
Em julho, o ICE prendeu quase 50 mil pessoas em todo os EUA, o maior número mensal do segundo mandato do presidente Donald Trump, segundo informou o Projeto de Dados de Deportação da Universidade da Califórnia em Berkeley, após analisar informações oficiais.
Texas e Flórida foram os dois estados que concentraram a maior parte das prisões em julho.
Os dois Estados estão colaborando com o ICE por meio de programas como a Seção 287(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade, que permite que forças de segurança locais e estaduais atuem, na prática, como braços de aplicação das leis de imigração, após receberem treinamento e autorização federal.
A política de detenções e deportações de imigrantes promovida pelo governo Trump ampliou seu alcance nos últimos meses, incluindo mais prisões em aeroportos e durante abordagens de trânsito.
Parece que os agentes do ICE estão trabalhando de forma cada vez mais coordenada com outras agências governamentais e com forças policiais estaduais e locais, como ocorreu no caso das imigrantes equatorianas após o acidente de carro.
Algumas das pessoas levadas sob custódia têm autorizações de trabalho válidas e pedidos de asilo pendentes, mas isso não é garantia de que não sejam detidas pelas forças policiais em colaboração com agentes de imigração.
As operações aumentaram nas últimas semanas nos aeroportos. Organizações sociais e advogados de imigração atribuem o fenômeno a um memorando de entendimento firmado entre o ICE e a Administração de Segurança nos Transportes (TSA), em vigor desde maio de 2025, que permite às duas agências compartilhar informações.
"Uma autorização de trabalho ou um pedido pendente não concedem status legal nos EUA", disse um porta-voz do ICE à BBC News Mundo no início de agosto.
Casos de pessoas detidas por agentes de imigração em aeroportos dos EUA, tanto nos balcões de check-in quanto nos portões de embarque, têm tomado conta da imprensa e das redes sociais.
Ops!
AI outlook — possibilities, not facts
O caso gerará pedidos de investigação sobre as ações do ICE em ambientes hospitalares.
Likely · Within weeks
Hospitais nos EUA podem revisar protocolos de cooperação com agentes de imigração durante atendimento médico.
Possible · Within months

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