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Esquema de jogos de azar: dez influenciadores são denunciados pelo MP
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G157 minutes agoCrime4 min readBrazil

Esquema de jogos de azar: dez influenciadores são denunciados pelo MP

Grupo acumulava mais de 1,4 milhão de seguidores e utilizava contas 'demo' para simular ganhos milionários com o 'jogo do tigrinho'.

Quick Look

  • Dez influenciadores digitais e empresários foram denunciados pelo Ministério Público por esquema de jogos de azar, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
  • O grupo usava contas simuladas para induzir seguidores ao erro.

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Why It Matters

Investigados utilizavam redes sociais para promover jogos de azar como o 'tigrinho' usando contas falsas de demonstração.

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Investigados por esquema de jogos de azar: Adrielly Vivianny Araújo de Jesus e o marido Dione dos Santos da Silva, Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso.

Em nota, a defesa de Raniely disse que "as acusações não correspondem à realidade". Já a defesa dos investigados Adrielly, Dione e Patrick informou que "se pronunciará nos autos e não adiantará qualquer estratégia técnica", enquanto a de Gildázio negou os crimes atribuídos a ele e disse que "confia que terá assegurados o contraditório".

A defesa das investigadas Victoria e Vitória também foi procurada, mas não enviou resposta até a última atualização. A reportagem tenta localizar os demais.

Os denunciados atuavam como uma ponte entre as plataformas de jogos de azar e o público. No total, são dez suspeitos: Raniely Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos, Patrik Adhan, Amanda Faria, Vitória Reis, Vick Paixão, Juliana Lima e Adrielly Araújo. Além do empresário Dione Santos, marido de Adrielly.

Entenda: Jogos de azar são aqueles em que o resultado depende predominantemente da sorte, e não da habilidade do jogador. No caso do "tigrinho", jogo se assemelha a um cassino on-line ou a um caça-níquel digital, em que o jogador faz apostas e o resultado é definido por combinações aleatórias geradas pelo sistema.

Segundo o MP, os investigados exibiam ganhos altos por meio de versões do jogo programadas para sempre vencer, conhecidas como contas "demo". Com isso, criavam uma falsa ideia de que qualquer pessoa poderia obter os mesmos lucros. O grupo foi preso em abril deste ano.

Em maio, a Justiça concedeu liberdade aos investigados. Juntos, os criadores de conteúdo somavam mais de 1,4 milhão de seguidores na internet. Os perfis ligados aos nove influenciadores digitais foram desativados no Instagram em abril deste ano.

A associação criminosa era estruturada em três núcleos interligados: operacional e empresarial, núcleo de divulgação e captação e núcleo de ocultação financeira.

Veja abaixo como funcionava o esquema:

Adrielly Vivianny Araújo de Jesus

A investigada Adrielly Araújo, de 29 anos, tinha 189,8 mil seguidores divididos em três contas no Instagram. Ela é apontada como figura central para atrair novos apostadores e na movimentação financeira do esquema.

Segundo a denúncia, ela movimentou R$ 144,3 milhões, sendo R$ 61,6 milhões recebidos de intermediadoras de jogos. Ainda de acordo com o MP, ela era beneficiária do Bolsa Família e adquiriu uma mansão avaliada em R$ 2,5 milhões e carros de luxo, como uma Hilux e um Corolla GR-S.

Raniely Silva Carvalho

Atuava na captação direta de usuários. Ela incentivava os seguidores a criarem "contas novas" para gerar comissões, segundo o MP.

Raniely movimentou R$ 7,3 milhões pelo PicPay e utilizava uma BMW 320i registrada em nome do empresário Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, com o objetivo de ocultar que era dona do veículo, de acordo com a investigação.

Patrik Adhan dos Santos Ribeiro

Além de divulgar os links específicos para as plataformas de jogo, Patrik, de 27 anos, agia como um intermediário entre a plataforma e as vítimas. Ele respondia a questionamentos sobre problemas de suporte, gerência e bloqueios de contas.

O influenciador utilizava a empresa que é de nome dele, a Adhan Corporation Ltda, para "pulverizar" , isto é, para distribuir os valores entre diferentes contas e dificultar o rastreio fiscal.

Ele era o mais seguido do grupo alvo da investigação, com 629,6 mil seguidores no total, sendo 616 mil no perfil principal e 13,6 mil em uma conta reserva no Instagram.

Amanda Lourenço Faria

A influenciadora, de 28 anos, tinha 35,3 mil seguidores nas redes sociais. Segundo a investigação, Amanda divulgava diversas plataformas de jogos de azar e usou os valores recebidos para adquirir uma frota de veículos, incluindo modelos como T-Cross, HB20 e Renault Kwid. Ela movimentou R$ 2,4 milhões sem declarar renda formal.

Laís Ramos Gomes da Silva

Laís movimentou R$ 2,5 milhões com as divulgações de jogos de azar e, segundo a investigação, utilizava o dinheiro para adquirir bens de alto valor, como um veículo híbrido BYD Song Plus, exibido nas redes sociais. Ela possuía 179 mil seguidores.

Vitória Reis da Silva

Em depoimento, confessou que utilizava "contas demo", versões de demonstração fornecidas pelas plataformas, para simular ganhos e atrair seguidores. Vitória, de 26 anos, tinha pouco mais de 5 mil seguidores no Instagram.

A influenciadora recebia R$ 10 por cada novo usuário que depositasse dinheiro, de acordo com ela. Após a polícia apreender o carro de Vitória, um Voyage, ela tentou simular um documento de devolução com data retroativa para ocultar a propriedade do veículo.

Victoria Paixão Barros

Conhecida como "Vick Paixão", 26 anos, ela recebeu quase meio milhão de reais das plataformas e integrava os valores comprando bens como um Honda HR-V e uma moto, que também tentou transferir para terceiros para dispersar o patrimônio.

Ela somava 44,3 mil seguidores (33,6 mil no perfil principal e 10,7 mil em uma conta reserva).

Juliana Lima do Nascimento

A jovem, de 23 anos, utilizava carteiras digitais e plataformas de passagem para que suas movimentações, que somaram R$ 876 mil, não chamassem a atenção de órgãos fiscalizadores tradicionais, de acordo com o MP. Ela é esteticista e tinha mais de 27,7 mil seguidores.

Gildázio Sobrinho Santos Cardoso

Atuava na divulgação contínua e realizava saques imediatos das comissões para mascarar o fluxo financeiro, dissipando os recursos em viagens e procedimentos estéticos. Gildázio Cardoso, de 25 anos, é conhecido como "Mulherzona" nas redes sociais. Ele tinha 28,9 mil seguidores.

Dione dos Santos da Silva

Companheiro de Adrielly, atuava como o principal operador para esconder o patrimônio dela. Dione, de 37 anos, cedia contas em nome dele para transferências "cruzadas" (feitas no mesmo dia para confundir o rastreio) e registrava bens em seu nome para blindar a parceira, segundo a investigação.

Sozinho, movimentou mais de R$ 28 milhões. Ele é atleta de levantamento de peso e possuía pouco mais de 5 mil seguidores no perfil pessoal.

Contas simulavam ganhos

Nas redes sociais, o grupo exibia carros de alto valor, viagens e hospedagens de luxo, compra de imóveis, procedimentos estéticos e supostos ganhos milionários com o "jogo do tigrinho" com a intenção de passar a ideia de enriquecimento fácil. Os influenciadores publicavam stories, reels e vídeos com links personalizados.

Eles foram denunciados pelos crimes de exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Três deles também foram denunciados por estelionato.

O que dizem os citados:

Raniely Silva Carvalho

"A defesa, após analisar os elementos disponíveis, sustenta que as acusações não correspondem à realidade dos fatos e demonstrará, no momento processual adequado, a ausência de responsabilidade penal de Raniely Carvalho. Por estratégia processual, não serão antecipados neste momento detalhes da manifestação defensiva."

Adrielly, Dione e Patrick

"A defesa se pronunciará nos autos e não adiantará qualquer estratégia técnica".

Gildázio Cardoso

"A defesa de GILDAZIO Cardoso informa que não fará comentários conclusivos sobre acusações apresentadas pelo MP que deverão ser devidamente apuradas no curso do processo. GILDAZIO nega a prática dos crimes atribuídos a ele e confia que terá assegurados o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. Ressalta-se que o oferecimento de denúncia não implica condenação, permanecendo vigente a presunção de inocência até decisão judicial definitiva. A defesa permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais após o recebimento da denúncia."

Open Questions

  • Qual será a decisão final da Justiça sobre os réus?
  • Haverá novas fases da operação policial?

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This article was originally published by G1.

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