EUA: Governo Trump desiste de fundo para compensar aliados por perseguição política
Quick Look
- O governo dos EUA abandonou a iniciativa de um "fundo anti-instrumentalização" que compensaria com dinheiro público pessoas que alegam perseguição política.
- A medida, criticada como "corrupção" e "caixa político", visava resolver um processo de Trump contra a Receita Federal.
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Why It Matters
O governo Trump propôs um fundo para compensar financeiramente indivíduos que alegam ter sido perseguidos politicamente. Essa iniciativa surgiu de um acordo judicial entre o Departamento de Justiça e a Receita Federal, após Trump buscar US$ 10 bilhões por suposta má gestão de suas declarações de imposto de renda.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci
O site Axios já havia informado na segunda-feira (1º) que a iniciativa havia sido abandonada. O jornal "The New York Times" e as agências Reuters e AP obtiveram a mesma informação. Batizada de "fundo anti-instrumentalização", a iniciativa sofreu uma onda de críticas.
O fundo, que compensaria vítimas de "instrumentalização" política com dinheiro dos contribuintes, surgiu de um acordo judicial entre o Departamento de Justiça de Trump e a Receita Federal (IRS) para resolver um processo sem precedentes no qual o presidente buscava US$ 10 bilhões por suposta má gestão de suas declarações de imposto de renda.
O anúncio gerou críticas, com parlamentares levantando preocupações sobre possíveis favorecimentos de Trump e a possibilidade de pagamentos a apoiadores violentos de Trump que invadiram o Capitólio dos EUA e agrediram policiais em 6 de janeiro de 2021.
O acordo de Trump com a IRS também levou o governo americano a abandonar auditorias e cobranças ligadas a investigações tributárias já abertas contra Trump, familiares e empresas do grupo Trump, além de prever um pedido formal de desculpas ao presidente.
Fundo para aliados
Segundo o procurador-geral interino Todd Blanche, o fundo criaria um processo legal para que pessoas que alegam ter sido perseguidas politicamente possam apresentar pedidos de reparação financeira.
De acordo com o Departamento de Justiça, o dinheiro virá de uma reserva usada para pagar indenizações e acordos judiciais do governo federal.
O fundo poderá analisar denúncias de perseguição política, emitir pedidos formais de desculpas e conceder compensações financeiras a candidatos aprovados.
Uma comissão de cinco integrantes, indicada por Blanche, ficará responsável por avaliar os pedidos. O presidente terá poder para substituir membros do grupo.
O programa deverá funcionar até dezembro de 2028.
O governo não divulgou nomes de possíveis beneficiários nem critérios detalhados para receber indenizações.
Entre os casos citados por analistas estão investigações contra aliados de Trump durante o governo do ex-presidente Joe Biden, incluindo processos ligados à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Mais de 1.500 pessoas foram acusadas pelos ataques. Questionado sobre a possibilidade de participantes do episódio receberem pagamentos, Trump afirmou que a decisão caberá ao comitê responsável pelo fundo.
Entre aliados investigados que poderiam tentar compensação estão o ex-estrategista Steve Bannon e o ex-assessor comercial Peter Navarro, ambos condenados por desacato ao Congresso e que negam irregularidades.
Por que o fundo virou alvo de críticas
O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington — Foto: Mark Schiefelbein / AP
Parlamentares democratas e organizações de ética pública afirmam que o fundo pode se transformar em um mecanismo para direcionar dinheiro público a aliados políticos do presidente.
A deputada Jamie Raskin, principal democrata do Comitê Judiciário da Câmara, afirmou que a medida abre caminho para a criação de um “caixa político” financiado por contribuintes.
Já a senadora Elizabeth Warren classificou a iniciativa como “corrupção em nível extremo” e apresentou um projeto de lei para impedir que presidentes possam se beneficiar financeiramente de acordos com o governo.
O governo Trump afirma que o fundo foi criado para reparar o que o presidente chama de uso político do Departamento de Justiça contra ele e aliados durante o governo Biden.
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What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O governo Trump pode enfrentar novas investigações ou escrutínio sobre o acordo com a IRS e as auditorias tributárias.
Likely · Short term
Aliados de Trump investigados podem buscar outras vias legais para compensação ou defesa.
Possible · Medium term
Open Questions
- Quais foram os critérios exatos que levaram à desistência do fundo?
- Haverá outras iniciativas para compensar supostas perseguições políticas?
- Quais serão as consequências do acordo entre Trump e a IRS para as investigações tributárias em curso?
- O procurador-geral interino Todd Blanche indicará membros para um novo comitê avaliador?







