
Imóvel histórico e tombado apresenta sinais de abandono, pichações, goteiras e extintores vencidos, segundo vistoria.
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A Casa do Povoador é um imóvel histórico do final do século XVIII associado à fundação de Piracicaba, tombado pelo estado e pelo município.
A Casa do Povoador, situada na rua do Porto e às margens do Rio Piracicaba, é um imóvel histórico, tombado e considerado um dos marcos do início da ocupação urbana do que viria a se tornar o município de Piracicaba (SP).
Pela importância histórica, o espaço é tombado pelo estado de São Paulo e pelo município e virou um centro cultural. No entanto, apresenta sinais de abandono e degradação – saiba mais abaixo.
A casa foi construída entre o final do século XVIII e o início do XIX com paredes de taipa de mão (pau a pique) em cima de bases de pedra e estrutura de madeira, seguindo a tradição dos bandeirantes.
Trata-se de uma das edificações mais antigas do município, afirma o inventário de tombamento do imóvel, feito pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac).
‘Não existem registros que comprovem a data exata de sua construção, nem a propriedade do Capitão Antonio Corrêa Barbosa, visto que o mesmo vivia na margem esquerda do Rio Piracicaba, onde fundou a Povoação de Piracicaba”, escreve o livro ‘Piracicaba em traços e cores atuais’, do Instituto de Pesquisas e Planejamentos de Piracicaba (IPPLAP), de 2015.
A afirmação ocorre porque a Casa do Povoador leva o nome do colono povoador de Piracicaba, capitão Antonio Corrêa Barbosa. Além disso, marca a transferência da Freguesia de Santo Antonio da margem direita para a esquerda do rio, em 1794, feita pelo capitão. Antes dessa transferência, os colonizadores habitavam apenas do lado direito do rio, onde atualmente fica a região da Vila Rezende.
Segundo a publicação do IPPLAP, a Casa do Povoador é uma das últimas remanescentes da técnica de pau a pique na cidade e o imóvel já funcionou como residência familiar, entreposto de sal e asilo de órfãos.
Compra pela prefeitura e tombamentos
O imóvel foi adquirido pela Prefeitura de Piracicaba em 1947 e iniciou-se o processo de restauração do espaço, que estava deteriorado. Em 1967, durante o bicentenário da cidade, foi reconhecido como símbolo municipal.
O tombamento estadual ocorreu em 1969, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Em 2004, foi tombado em nível municipal pelo Codepac.
Uso atual e degradação
A Casa do Povoador funciona como centro cultural e abriga a Galeria Alberto Thomazi.
Apesar da relevância histórica, o imóvel apresenta desgaste pelo tempo e falta de manutenção.
A EPTV, afiliada da TV Globo, visitou o local na última quarta-feira (14) e constatou que a parte externa possui pichações nas paredes e deterioração nos acabamentos. No interior, há danos e buracos nos tetos de madeira, portas desajustadas, vazamentos e um bebedouro quebrado. No exterior, o corrimão da escada está solto.
Funcionários do local utilizam placas de papelão improvisadas para conter goteiras em dias de chuva.
Além disso, na área externa, há problemas na trilha de acesso e presença de árvores caídas desde um temporal ocorrido em dezembro de 2025.
A segurança estrutural e de combate a incêndios também apresentou falhas: quatro extintores do local estavam com o prazo de validade vencido desde 2022.
Mesmo com o cenário de deterioração e com a última exposição tendo sido inaugurada em 2025, o local segue aberto e recebendo turistas, tanto é que, no domingo (9), 40 pessoas assinaram o livro de presença.
"A Casa do Povoador é fundamental. Quer dizer, é a nossa história que começa ali. Então, se Piracicaba, pela administração pública, pelo poder político, não entende, não tem essa consciência histórica, nós vamos acabar perdendo tudo isso. [...] Atualmente, a Casa do Povoador está praticamente abandonada. É um absurdo. Eu diria que é um pecado histórico o que estão cometendo", afirma o escritor e pesquisador da história e raízes de Piracicaba, Cecílio Elias Netto.
O que diz a prefeitura
Em nota à EPTV, a Prefeitura de Piracicaba comunicou que fez a troca dos extintores vencidos ainda na quarta-feira (12). O Executivo ainda informou que a Casa do Povoador está incluída em um projeto de requalificação da Avenida Beira Rio e da orla da Rua do Porto — já aprovado pelo Codepac —, que prevê melhorias paisagísticas, urbanísticas e de iluminação.
Ainda de acordo com a administração municipal, uma vistoria técnica foi realizada em julho deste ano para mapear as intervenções necessárias no prédio.
A Secretaria Municipal de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos declarou que fará a remoção das árvores caídas e avaliará os reparos na trilha externa. A prefeitura, no entanto, não estabeleceu prazos oficiais para o início e para a conclusão das obras de readequação do espaço histórico.

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