
Setor produtivo alerta para risco de interrupção na navegabilidade e prejuízos econômicos, enquanto União cita critérios ambientais e sociais para negar obra.
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O Arco Norte movimenta grande parte dos grãos brasileiros. Em 2024 e 2025, a estiagem causou paralisações na navegação fluvial.
Diante do cenário, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) defende a realização urgente de uma dragagem de manutenção em trechos críticos do rio. A entidade afirma que mantém diálogo com o governo federal e associações do setor para evitar uma possível interrupção do tráfego de balsas.
“Hoje nós temos ainda um risco muito real de acontecer, mais uma vez, uma interrupção da navegabilidade. Prevenir sempre é melhor do que remediar. Estamos diante de um problema iminente”, alerta o presidente da Fiepa, Alex Carvalho.
O Governo Federal, porém, afirmou em nota enviado ao g1, que decidiu não realizar, neste momento, a dragagem no trecho entre Itaituba e Santarém. Segundo o governo, a decisão levou em consideração aspectos logísticos, ambientais e sociais, além dos cenários hidrológicos previstos para os próximos meses. O governo também informou que a decisão ocorreu após diálogo entre os órgãos envolvidos e escuta de povos indígenas e comunidades tradicionais da região.
A preocupação do setor produtivo se dá em meio ao crescimento expressivo da região. Em 2025, os portos e corredores do Arco Norte movimentaram 58,6 milhões de toneladas, volume 59% superior ao registrado em 2021. Atualmente, a rota já responde por quase 40% dos embarques nacionais de grãos; 48% das exportações brasileiras de milho; cerca de 60% do escoamento de grãos pelo Norte ocorre pelos rios Tapajós e Madeira, que movimentaram juntos aproximadamente 34 milhões de toneladas em 2025.
A rota paraense também é competitiva: transportar uma tonelada de grãos por Barcarena (PA) custa 10,87% menos do que pelo Porto de Santos (SP). No entanto, essa vantagem depende da manutenção das condições de navegabilidade dos rios. Na seca, as embarcações podem precisar reduzir a quantidade de carga transportada para conseguir navegar em trechos de menor profundidade. Em 2024, a navegação ficou interrompida por cerca de 45 dias no período crítico da estiagem. Em 2025, foram aproximadamente 28 dias de paralisação.
Apesar dos alertas feitos pelo setor produtivo, o Governo Federal afirma que as avaliações técnicas realizadas até o momento indicam que a navegação local poderá ser mantida mesmo em um cenário de redução do nível das águas. Segundo o governo, o transporte na região é feito predominantemente por embarcações de menor porte e menor calado, que poderiam continuar operando durante a estiagem, garantindo o abastecimento das comunidades ribeirinhas. Para cargas de maior porte, o governo aponta o transporte rodoviário como alternativa logística já utilizada na região.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) informou ao g1 por meio de nota que o Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (Padma) é um programa do Governo Federal executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo a Semas, não há, neste momento, demanda do DNIT para uma atividade de dragagem de manutenção no rio Tapajós em análise pela secretaria.
A Fiepa adverte que os impactos de uma eventual redução da navegabilidade vão além do agronegócio. Para a entidade, uma paralisação do rio Tapajós pode encarecer o custo de vida das populações locais. “O combustível é o principal insumo que, se tiver uma interrupção de abastecimento, certamente terá o preço elevado”, explica Alex Carvalho.
A paralisação do fluxo de cargas também pode atingir os cofres públicos. Segundo cálculos apresentados pela Fiepa, períodos anteriores de interrupção da navegação provocaram perdas fiscais: cerca de R$ 30 milhões em ICMS que deixaram de ser arrecadados pelo Estado do Pará; aproximadamente R$ 7,6 milhões em PIS/Cofins para a União; cerca de R$ 7,8 milhões em ISS para municípios que integram a cadeia logística, como Itaituba, Santarém e Barcarena, além de Santana, no Amapá.
Para a Fiepa, a solução não exigiria dinheiro público. A entidade afirma que a dragagem proposta seria pontual, em trechos específicos ao longo do rio, e que empresas do setor já teriam disponibilizado recursos para a realização do serviço. “Não haveria necessidade de recursos públicos. Empresas privadas já aportaram recursos para fazer esse processo de dragagem. A nossa cobrança é para que o governo federal autorize a mobilização dos equipamentos”, afirma Alex Carvalho.
O professor Hito Braga, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que obras de infraestrutura e processos de licenciamento ambiental demandam tempo e que as ações precisam ser planejadas antes que a demanda ultrapasse a capacidade disponível.

Ricardo Castellar de Faria, proprietário da Granja Faria, registrou um aumento de 79% em seu patrimônio, atingindo R$ 35,1 bilhões em 2026. A empresa, sediada em Santa Catarina, é a maior produtora de ovos e pintos de um dia no Brasil.
A Justiça de SP concedeu 'stay period' ao Grupo Casas Bahia, suspendendo cobranças por 180 dias. A medida visa proteger o caixa da varejista, que busca renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas após enfrentar juros altos e queda no consumo.

Famílias em Campinas devem gastar R$ 348,4 milhões com produtos de tabagismo em 2026, um aumento de 12,2% ante 2025. O crescimento ocorre mesmo com a redução no número de fumantes, sugerindo reajustes de preços ou maior consumo individual.
O programa Novo Desenrola Brasil encerra suas atividades na próxima segunda-feira (31). A iniciativa permite a renegociação de dívidas bancárias com descontos de até 90% para consumidores com renda de até cinco salários mínimos.
A Justiça do Trabalho determinou a suspensão provisória das demissões em massa do Grupo Casas Bahia no Espírito Santo, exigindo o restabelecimento de cerca de 100 funcionários e intervenção sindical prévia.

O Bus Café Nelinho, localizado na zona rural de Rolim de Moura (RO), funciona desde 2024 em um ônibus de passageiros desativado estacionado às margens de uma rodovia. O estabelecimento serve café produzido na própria propriedade, das variedades Robusta Amazônico e Apuatã, com opção de mesas ao ar livre ao lado dos pés de café. Aberta de terça a sábado, das 6h às 19h, e aos domingos com café colonial das 6h às 12h, a cafeteria atrai moradores, viajantes e turistas de outros estados e do exterior. O empresário Joás Chagas, ex-promotor de eventos e vendedor de temperos caseiros, criou o negócio para diferenciar no mercado local e reforçar o orçamento familiar, apesar do ceticismo inicial. Planeja implementar novidades temáticas relacionadas ao trânsito, homenagens a empresas de ônibus e pontos turísticos de Rondônia. A frequência de clientes superou as expectativas.