
Vice-presidente busca reeleição e atua como ponte com o empresariado e eleitores de centro na campanha de segundo turno
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Geraldo Alckmin e Lula foram adversários históricos, com destaque para o confronto nas eleições de 2006. Em 2022, Alckmin deixou o PSDB e filiou-se ao PSB para compor a chapa presidencial com o petista.
Com menos de cinco minutos de debate na TV Bandeirantes, em outubro de 2006, o então candidato tucano Geraldo Alckmin, 73, partiu para o ataque contra Lula (PT) e cobrou a origem do "dinheiro sujo" que teria sido usado para comprar um dossiê contra políticos do PSDB. Adversários na corrida presidencial daquele ano, os dois protagonizaram um confronto duro na campanha, com acusações e críticas.
Vinte anos depois, a rivalidade deu lugar a uma aliança. Atual vice-presidente de Lula, Alckmin (PSB) busca a reeleição e chega ao segundo turno como aposta do petista para atrair o eleitor de centro e de direita que rejeita Flávio Bolsonaro (PL). Discreto em boa parte da campanha, ganhou espaço na reta final.
Desde a formação da chapa, em 2022, o ex-tucano atua como ponte entre Lula e um eleitorado historicamente menos ligado ao petista, principalmente no empresariado.
Em maio daquele ano, no lançamento da pré-candidatura, Alckmin chegou até a fazer piada com o termo "picolé de chuchu", apelido que o próprio Lula já havia usado para se referir ao estilo "insosso" dele. Em discurso por vídeo durante o evento, disse em tom descontraído: "Lula é um prato que cai bem com chuchu."
No terceiro mandato do petista, Alckmin acumulou a vice-presidência com o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e se tornou um dos principais interlocutores do governo com os Estados Unidos após o tarifaço imposto por Donald Trump. Os resultados dessas tratativas agradaram a Lula, que confirmou a repetição da chapa na disputa deste ano.
Antes do primeiro turno, Alckmin participou de um esforço da campanha para reeditar o pacto com setores do PIB (Produto Interno Bruto) que apoiaram Lula em 2022. Em jantar com empresários em setembro, prometeu superávit nas contas públicas e defendeu cortar privilégios no Judiciário e no Legislativo.
Também gravou vídeo dizendo que ele e Lula protegeriam as tradições religiosas, em meio aos falsos rumores de que Flávio tiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
Depois do resultado de 4 de outubro, a campanha decidiu dar mais protagonismo ao vice. Em Hortolândia (SP), Alckmin participou de encontro com prefeitos e vereadores de São Paulo, que contou com a presença de partidos ligados a Flávio, como PL, PP e União Brasil. A proposta era mostrar que um novo governo Lula não discriminaria prefeitos de outros partidos.
Ao longo de dez dias, esteve em Campinas, São Carlos, Curitiba, São Bernardo, Poços de Caldas, Salvador e Rio de Janeiro.
O papel de Alckmin na campanha mudou em meio a um desconforto de pessoas ligadas a Lula com a exposição dada a ele em comparação à da primeira-dama, Janja. A insatisfação foi verbalizada pela ex-senadora Kátia Abreu (PT), que defendeu "menos Janja e mais Alckmin". A fala foi aplaudida por petistas.
No primeiro programa de TV do segundo turno, Janja ficou de fora, e o vice apareceu em vídeo no formato selfie, estratégia do PT para impulsionar a campanha.
Na noite do primeiro turno, Lula disse que ninguém tinha autoridade moral para falar de seriedade fiscal a ele e a Alckmin. No dia seguinte, a agência Reuters disse que o petista avaliava anunciar o vice como ministro da Fazenda caso seja reeleito.
Chapa reúne antigos adversários
Na campanha de 2018, Alckmin foi candidato à Presidência da República pelo PSDB e chegou a dizer que o PT jamais teria seu apoio para "voltar à cena do crime". Terminou a disputa em quarto lugar, com menos de 4,8% dos votos.
Após a derrota, o tucano ficou sem mandato. No ano seguinte, passa a dar dicas de saúde na TV. No programa de Ronnie Von, na TV Gazeta, chega a falar de acupuntura.
Em dezembro de 2021, Alckmin deixa o PSDB, partido que ajudou a fundar, e se filia ao PSB. É quando começa a aproximação com Lula.
Meses após a troca de partido, em abril de 2022, Lula formaliza a chapa com seu antigo adversário como vice. Nas palavras do petista, os dois haviam mudado. "Feliz era este Brasil quando a polarização se dava entre PSDB e PT", disse durante o ato que formalizou a aliança.
Quando se filiou ao PSB para ser vice de Lula, em março de 2022, Alckmin era réu na Justiça Eleitoral em processo aberto a partir de delações da Odebrecht. Em 2020, o Ministério Público de São Paulo o denunciou sob acusação de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa dois. A Promotoria afirmou que ele recebeu R$ 11,3 milhões não declarados da empreiteira nas campanhas ao governo paulista de 2010 e 2014, o que ele nega.
A ação penal foi encerrada por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), que também considerou ilícitas provas obtidas de sistemas da Odebrecht. Com base nesse entendimento, o ministro Dias Toffoli arquivou em outubro de 2024 uma ação de improbidade sobre os repasses de 2014.
Em março de 2022, semanas antes de ser indicado vice, a Justiça Eleitoral também arquivou um inquérito aberto a partir da delação de um ex-presidente da Ecovias, por falta de provas que corroborassem o relato. Alckmin nega ter recebido doações ilegais.
Médico anestesista, começou na política em 1972, aos 19 anos, como vereador em Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal. Foi prefeito, deputado estadual e deputado federal, e vice de Mário Covas, a quem sucedeu no governo paulista em 2001. Comandou o estado por quatro mandatos e disputou a Presidência em 2006 e 2018.
É casado com Lu Alckmin, que acompanhou atos da campanha como o da praça da Sé, em 27 de setembro, e o da avenida Paulista, em 11 de outubro. Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o vice declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões, a maior parte em aplicações financeiras e previdência privada, além de um apartamento em São Paulo e imóveis em Pindamonhangaba.
Com Lu, teve três filhos. O caçula, Thomaz, morreu aos 31 anos, em 2015, na queda de um helicóptero em Carapicuíba (SP).
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Alckmin terá maior protagonismo na comunicação da campanha de segundo turno.
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