
O debate presidencial da Globo foi cancelado após decisões judiciais que alteraram as regras acordadas com os partidos poucos horas antes do evento, gerando insegurança jurídica e críticas de juristas e entidades da imprensa, que apontaram prejuízo ao direito dos eleitores de conhecer as propostas dos candidatos.
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O debate presidencial da Globo estava previsto para ocorrer com regras previamente acordadas entre os partidos e a emissora, incluindo a participação de candidatos que tinham pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional. As regras foram aprovadas em reunião no dia 23 de setembro e protocoladas no TSE no dia 28.
O cancelamento do debate que a Globo realizaria na quinta-feira (1º) à noite tirou de milhões de brasileiros a oportunidade de comparar as propostas dos candidatos à Presidência da República e de ouvir a discussão de ideias entre eles. Juristas e entidades que representam a imprensa criticaram as decisões da Justiça, que foram tomadas horas antes do debate e que provocaram insegurança jurídica ao mudar regras que já tinham sido acertadas com os partidos convidados.
O esforço, o olhar, o talento. Organizar um debate é um trabalho de muitas mãos e muitos dias. Cada gesto, de cada profissional, e toda a estrutura montada estão a serviço do eleitor e das ideias. As regras são feitas para incentivar a apresentação de propostas. O Brasil estava ali, esperando por elas.
Um mapa gigante, no centro do cenário, cobrava dos candidatos planos e projetos para as cinco regiões do país – Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Além das regiões, temas prioritários para o futuro do país:
a questão da Amazônia - como preservar a natureza e promover o desenvolvimento econômico e social;
a segurança nas fronteiras brasileiras - como combater o crime organizado;
e as rodovias, ferrovias, hidrovias e portos - os candidatos teriam de responder quais são os investimentos mais importantes em infraestrutura para aumentar as exportações brasileiras.
Juristas e entidades da imprensa criticam decisões da Justiça que provocaram cancelamento do debate da Globo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Dois blocos seriam de tema livre. Mas um outro bloco traria de volta, obrigatoriamente, questões fundamentais. A cada pergunta, os candidatos escolheriam para debater um tema entre a dívida pública, retomada de territórios, as terras raras, a inteligência artificial, o endividamento dos brasileiros, crise entre Poderes, relação com Estados Unidos e China, ensino integral, Sistema Único de Saúde e a adaptação das cidades.
Perguntas de candidato para candidato, banco de tempo em cada rodada. Se algum candidato decidisse não participar, o lugar dele ficaria vazio, com uma placa de identificação. Em um dos blocos, os candidatos presentes teriam 30 segundos para dizer a pergunta que fariam ao candidato ausente.
Todas as regras, tempos e dinâmicas foram aprovados e assinados por representantes das candidaturas de Lula, do PT; Ronaldo Caiado, do PSD; Augusto Cury, do Avante; e Flávio Bolsonaro, do PL, em uma reunião presencial no dia 23 de setembro. Eram esses os partidos que teriam de ser convidados por lei, já que eles têm pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional. Essa ata foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral no dia 28.
Dois dias antes do debate, a primeira mudança: o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, mudou o entendimento do próprio tribunal e determinou a participação obrigatória dos candidatos do partido Novo em todos os debates. Diante dessa decisão, Romeu Zema foi convidado.
Na véspera do debate, o presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, optou por não participar.
Juristas e entidades da imprensa criticam decisões da Justiça que provocaram cancelamento do debate da Globo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Dia do debate: tudo pronto, cenário montado, contagem regressiva. Foi então que a Globo recebeu duas intimações judiciais, alterando as regras que haviam sido combinadas e aprovadas por todos. Às 17h54, no horário de Brasília, a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu a um pedido da coligação da candidatura de Lula. A decisão liminar da ministra proibiu o púlpito com o nome de Lula e a formulação das perguntas que seriam feitas a ele.
Flávio Bolsonaro, do PL, publicou em uma rede social sua decisão de não ir ao debate.
Quando os primeiros candidatos já estavam começando a chegar aos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, uma outra mudança: o ministro Gilmar Mendes, do STF - Supremo Tribunal Federal, atendeu a um pedido do partido Solidariedade e determinou a participação no debate do candidato Renan Santos, do Missão. Renan Santos não havia sido convidado porque o Missão só tem um representante no Congresso Nacional, ou seja, o partido não atinge o número mínimo de parlamentares exigido por lei para ser convidado.
Às 21h38, o jornalista César Tralli, mediador do debate, anunciou:
“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia. Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite”.
Associações de veículos de imprensa criticaram a intervenção da Justiça e a mudança de regras pouco tempo antes do debate. Em uma nota conjunta, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais manifestaram profunda indignação. As entidades disseram que a intervenção foi uma agressão à liberdade de imprensa e concluíram apontando o maior prejudicado: o direito dos cidadãos de terem acesso às propostas dos candidatos.
Juristas e entidades da imprensa criticam decisões da Justiça que provocaram cancelamento do debate da Globo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Juristas afirmam que os debates são parte fundamental da liberdade de imprensa.
“A informação jornalística tem muitas formas. Uma delas é organizar debates que servem para os eleitores conhecerem os candidatos e conhecerem suas ideias. Existe a lei eleitoral que já estabelece as regras, aliás, bem detalhada. Cumpridas essas regras, o órgão de imprensa tem liberdade para organizar o debate e é importante que os debates existam. Injetar novas regras para um debate específico na última hora é violar o sistema da lei eleitoral. E isso é muito ruim porque coloca em xeque a função do próprio legislador. Então, para que serve a lei eleitoral, se regras são inventadas para cada caso, na última hora? As leis têm que ser respeitadas por todos, inclusive pelos juízes”, diz Carlos Ari Sundfeld, professor da FGV Direito SP.
“A questão é como as decisões são tomadas, quando elas são tomadas. Não é uma decisão em plenário do tribunal trazendo essa determinação. Cria insegurança jurídica para a imprensa, cria insegurança jurídica para os candidatos também que, poucas horas antes, em função de uma decisão individual, monocrática, são obrigados a repensar toda sua estratégia e aqui a gente está falando de muito pouco tempo antes da eleição”, afirma Ivar Hartmann, professor de Direito associado do Insper.
O cientista político Leandro Gabiati diz que, em uma campanha com baixo índice de discussão de ideias, um debate propositivo seria ainda mais necessário:
“Foi priorizada a crítica, foi priorizado o ataque e não houve discussão de plataformas de governo, de ideias ou de políticas públicas. Os temas são mencionados, mas são mencionados de forma superficial, sem dar detalhes. A infinidade de assuntos que poderiam ser abordados, que são de interesse estratégico para o Brasil. Vamos mencionar educação. Vamos mencionar ciência e tecnologia. Vamos mencionar exploração mineral. Com o cancelamento do debate, essa oportunidade acabou se perdendo”.
Ideias circulando livremente em um ambiente criado e construído para isso. Candidatos discutem e dezenas de milhões de eleitores comparam. O silêncio não combina com a democracia.
“Eleições existem para os eleitores dizerem livremente a sua vontade sobre quem vai conduzir os destinos, as decisões políticas e, para que eles possam fazer isso, eles precisam ter informações, eles precisam ter acesso aos debates e, para que haja debates, é preciso que seja cumprida a lei e é preciso que seja respeitada a liberdade da imprensa, segundo a lei, organizar os debates”, diz Carlos Ari Sundfeld.
AI outlook — possibilities, not facts
A Justiça Eleitoral será pressionada a estabelecer diretrizes mais claras para evitar mudanças de regras em debates eleitorais em cima da hora.
Likely · Within weeks
Próximos debates presidenciais terão maior participação de partidos menores devido às decisões recentes do TSE e STF.
Possible · Within weeks

The candidate for the government of Minas Gerais, Patrus Ananias (PT), stated that he intends to expand dialogue with civil society organizations, unions and social movements if he is elected. He participated in a meeting with representatives of these groups and university professors in the central campaign committee, received letters and manifestos, and in the afternoon he took part in a PT march alongside President Lula, gathering at Praça da Liberdade and ending at Praça Tiradentes, in Belo Horizonte.

Candidates for the government of Acre in the 2026 elections released their campaign agendas this Friday (2), with activities such as motorcades, walks, meetings and banners in several cities in the state. Mailza Assis, Alan Rick, Tião Bocalom and Thor Dantas participated in events, while Dr. Luisinho and Eudo Raffael did not send their agendas.

Candidate João Campos announced plans to triple the BR-101 Metropolitana between Abreu e Lima and Cajueiro Seco, build four viaducts and footbridges, implement the Muribeca–Prazeres road bypass and duplicate other highways, in addition to promising the 13th of Bolsa Família and the Hospital Geral Metropolitano.

The candidates for the government of Paraíba, Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL), Lucas Ribeiro (PP) and Camilo Duarte (PCO), completed campaign schedules in João Pessoa, Campina Grande and Santa Rita, with meetings, walks, plenary sessions and marches, while the first round of elections is scheduled for October 4th and the second for the 25th of the same month.

The candidate for the government of Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), stated in a motorcade on Avenida Afonso Pena, in Belo Horizonte, that he intends to increase state revenue without creating new taxes and allocate the majority of public resources to health, in addition to expanding investments in the area.

The first round of elections will be on October 4th and the second on the 25th of the same month. Candidate Professor Maria do Carmo met with the strategic team in the morning, rode a motorbike in Presidente Figueiredo in the afternoon and met leaders in the capital in the evening. Gilberto Vasconcelos participated in the launch of a book at the party headquarters during the night. Cabo Daciolo visited communities in Manaus and in the interior of the state.