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O governo Lula tem priorizado a redução da fila do INSS desde o início de 2026, após o estoque de pedidos pendentes atingir recorde de 3,1 milhões em janeiro, acima dos patamares da gestão Bolsonaro. A meta era zerar os pedidos represados até o fim de setembro, às vésperas das eleições presidenciais.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias —recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado.
Em evento com a presença do presidente no Palácio do Planalto, o ministro Wolney Queiroz (Previdência Social) disse que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto, enquanto a quantidade de novos requerimentos mensais alcançou 1,394 milhão no mês passado.
Como o estoque de pedidos ficou abaixo do fluxo de novos requerimentos, o entendimento do governo é que isso é suficiente para dizer que a fila foi zerada. No próprio documento apresentado no evento, o governo cravou: "alcançamos o atendimento sem fila".
"Hoje, tem menos gente aguardando resposta do que os pedidos que recebemos em agosto. Estamos analisando 1,2 milhão de processos, e é importante detalhar um pouco esse número: 640 mil pedidos são super-recentes, 378 mil aguardam que o cidadão apresente algum documento que falta, e 235 mil aguardam resposta há mais de 45 dias", disse a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira.
Ela disse que os pedidos que aguardam há mais de 45 dias caíram 87% em relação a janeiro (quando estavam em 1,9 milhão) e que uma parte deles corresponde a "casos de maior complexidade, que exigem análise cuidadosa e que sempre existirão em uma instituição com a dimensão do INSS". Segundo Silveira, o órgão criou grupos de trabalho específicos para tais casos.
"Mesmo assim, podemos afirmar categoricamente que não há fila no atendimento inicial, pois o número de pedidos em análise hoje é inferior aos novos processos que entraram em agosto", acrescentou.
Em discurso, o presidente Lula criticou quem atribui à Previdência a responsabilidade pelo déficit nas contas do país. "[Dizem] 'O déficit é por causa da Previdência'. Não, o déficit é porque a gente tem que pagar R$ 1,3 trilhão de juros todo ano. Nunca aceitei jogar a responsabilidade por cima da Previdência. Nunca aceitei e não vou aceitar", declarou.
O presidente disse também que precisava de uma mulher para consertar a Previdência, em referência à chefe do instituto, nomeada por Lula em abril deste ano. Ela substituiu Gilberto Waller Jr., que havia assumido o instituto no fim de abril de 2025 após o escândalo dos descontos associativos, mas manteve relação turbulenta com o comando do Ministério da Previdência. O governo usou o mote da redução da fila como motivação para fazer a troca.
"Aos poucos as mulheres vão me convencendo que elas são mais competentes que os homens", disse.
Após a cerimônia, o ministro da Previdência foi questionado por jornalistas sobre os números e disse que não houve mudança de critério da fila. Ele afirmou que os 235 mil pedidos são um "resíduo que não tem impacto no número gigantesco" dos pedidos.
"Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha", disse.
Como mostrou a Folha em junho, o governo estabeleceu como meta zerar os pedidos represados do INSS até o fim de setembro, às vésperas das eleições presidenciais, diante da preocupação de que o tema fosse explorado pela oposição para desgastar a imagem do petista.
Nessa época, o critério era eliminar o estoque de requerimentos à espera de análise há mais de 45 dias.
Em entrevistas de acompanhamento desses números, tanto a presidente do INSS quanto o ministro da Previdência também focaram nessa estatística para ilustrar a evolução dos trabalhos do governo para reduzir a espera dos segurados.
Após a publicação deste texto, o Ministério da Previdência Social enviou uma nota dizendo que não alterou critérios para dizer que zerou a fila do INSS.
"O conceito de atendimento sem fila apresentado pelo governo considera a capacidade do instituto de analisar mensalmente mais processos do que o volume de novos requerimentos recebidos. Em julho, por exemplo, deram entrada 1,435 milhão de pedidos, e o INSS apresentou 1,658 milhão de respostas. O estoque total, que chegou a 3,1 milhões de processos, caiu para 1,25 milhão e hoje está dentro da capacidade mensal de análise do órgão", diz a nota.
Segundo a pasta, os 235 mil requerimentos que aguardam há mais de 45 dias foram informados pelo próprio governo e "continuam sendo tratados prioritariamente, inclusive por equipes dedicadas aos casos de maior complexidade".
"Portanto, não houve mudança de critério para produzir artificialmente um resultado. O que houve foi redução expressiva do passivo e aumento da capacidade de resposta do INSS, que hoje consegue processar mais requerimentos do que recebe."
Na semana passada, durante sabatina no Jornal Nacional, o presidente adiantou que anunciaria nesta semana que a fila estava zerada.
A redução da fila virou uma prioridade do governo no início deste ano, após o estoque acumulado de pedidos renovar recordes mês a mês, alcançando o pico de 3,1 milhões em janeiro de 2026 —acima até mesmo dos patamares observados na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando chegou a 2 milhões.
No evento, Queiroz disse que o presidente havia dado a ele a missão de restabelecer a credibilidade do INSS e "não deixar ninguém para trás".
Na cerimônia, ele afirmou também que o número de atendimentos do INSS tem superado os processos que entram no sistema. Em julho, por exemplo, entrou 1,4 milhão de novos pedidos e o órgão diz ter respondido 1,6 milhão. Segundo o INSS, a média de espera está em torno de 34 dias.
AI outlook — possibilities, not facts
O governo vai continuar divulgando mensalmente que a fila do INSS está zerada, desde que o estoque permaneça abaixo do fluxo de novos requerimentos.
Likely · Within months
A oposição vai intensificar os ataques ao governo sobre a suposta manipulação dos dados da fila do INSS à medida que se aproximam as eleições de 2026.
Very likely · Within months

Gilmar Mendes suggested to the president of the STF, Edson Fachin, to prohibit PF delegates from working in ministers' offices, following a crisis between André Mendonça and the PF leadership and the revelation of dialogues between Daniel Vorcaro and Alexandre de Moraes.

The STF decided that the right to free employment in the Labor Court is limited to workers who earn up to R$5,000, overturning the 2024 TST summary that expanded access through self-declaration of poverty. The decision was taken by eight votes to two in the judgment of ADC 80, with the winning thesis of Minister Gilmar Mendes.

Datafolha research shows that 42% of voters consider Lula's government to be bad or terrible, 31% to be excellent or good and 25% to be average; 51% disapprove of his work and 45% approve, with a margin of error of two points.

The National Congress approved a tortoise in the project that modifies the Fiscal Responsibility Law, allowing municipalities with less than 65 thousand inhabitants to receive amendments even if they are in debt to the Union or lack transparency in spending. The measure benefits more than five thousand Brazilian cities. The text also includes the Special Taxation Regime for Datacenter Services (Redata) in the list of regimes exempt from the 2% of GDP ceiling for tax benefits, with an estimated waiver of R$5.2 billion in 2026. The project was approved by 364 votes in favor, 46 against and three abstentions.

Aloizio Mercadante, president of BNDES and informal advisor to Lula, defended the director general of the Federal Police, Andrei Rodrigues, after the release of messages between former banker Daniel Vorcaro and minister Alexandre de Moraes, stating that questioning the PF is unacceptable and politically motivated.

Judge Ronnie Herbert Barros Soares, from TRE-SP, ordered the candidate for state deputy Lucas Bove (PL) to stop using the image of Jair Bolsonaro in campaign material, partially complying with the representation of Duda Hidalgo (PT-SP). The monocratic decision, signed on October 1st, is based on an order from the STF that prohibits the former president from publicizing political-electoral demonstrations by any means, including through third parties. Bove must refrain from reusing the content under penalty of fine and says it will appeal.