Houthis emitem alerta de risco para novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita
Grupo extremista do Iêmen pediu que companhias aéreas e viajantes evitem o espaço aéreo saudita; ataque ao aeroporto de Riade deixou 12 mortos e centenas de feridos.
Quick Look
- Os Houthis emitiram alerta de novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita após atentado em Riade que deixou 12 mortos e 300 feridos.
- Companhias aéreas suspenderam voos e embaixadas emitiram recomendações de segurança.
AI-generated summary
Why It Matters
Conflito prolongado no Iêmen envolve rebeldes houthis e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.
Os Houthis, grupo extremista do Iêmen, emitiram um alerta de risco para novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita e pediram que companhias aéreas, viajantes e funcionários se mantenham afastados.
O comunicado foi feito através da rede social neste domingo (11), um dia após um ataque ao aeroporto internacional de Riad ter deixado 12 mortos e mais de 300 feridos.
"Reiteramos nosso alerta a todas as companhias aéreas, especialistas, funcionários, trabalhadores e viajantes contra o uso dos aeroportos e do espaço aéreo saudita, pois são vulneráveis a ataques e se tornaram alvo de operações para nossas forças, com exceção dos aeroportos em Meca e Medina (cidades sagradas). Instamos a todos a levarem nossos avisos a sério, e a Arábia Saudita é responsável por quaisquer interceptações malsucedidas", diz o post.
Ataque foi o mais mortal em uma década
O ataque deste sábado ocorreu por volta das 15h, no horário local, sem que o sistema de alerta de ameaças da Arábia Saudita emitisse qualquer aviso, segundo as informações divulgadas.
Foi o mais mortal desse tipo no reino em mais de uma década e ocorre em meio a uma escalada dos combates entre os houthis, apoiados pelo Irã, e as forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita.
Os Houthis assumiram a autoria do bombardeio. Segundo o jornal americano The New York Times, Mohammed al-Bukhaiti, uma das principais autoridades do grupo rebelde do Iêmen, afirmou que a ofensiva foi uma retaliação aos bombardeios realizados pela Arábia Saudita contra o território iemenita.
Uma testemunha afirmou à Reuters ter visto a explosão e, em seguida, várias pessoas feridas caídas no chão dentro do aeroporto. Mais de uma dúzia de ambulâncias foram vistas seguindo para o local.
As operações do aeroporto tiveram que ser temporariamente suspensas.
O site de monitoramento de voos Flightradar24 mostrou que todos os voos com destino a Riade haviam sido desviados ou cancelados. Em determinado momento, apenas um helicóptero sobrevoava o aeroporto.
A Kuwait Airways anunciou o cancelamento de voos para a capital saudita devido à situação de segurança. Etihad Airways e Qatar Airways também suspenderam viagens, algumas delas até segunda-feira (12).
As embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Alemanha orientaram seus cidadãos a evitar o aeroporto. A representação espanhola também recomendou evitar deslocamentos não essenciais, enquanto a Alemanha aconselhou que seus cidadãos não utilizassem o terminal até novo aviso.
A embaixada americana informou ainda que funcionários do governo dos Estados Unidos que trabalham na Arábia Saudita precisam de autorização especial para utilizar o aeroporto. O Canadá também alertou que as operações estavam sendo afetadas pela atividade militar na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo avalia participar dos bombardeios sauditas contra os Houthis.
"Talvez. Vamos analisar. Acabamos de saber do ataque mais recente, então vamos tomar uma decisão. Agimos muito rapidamente", disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
Terceiro ataque em uma semana
O aeroporto Rei Khalid já havia sido alvo de um ataque nesta quinta-feira (8), quando uma extensa coluna de fumaça foi vista sobre o local e um avião comercial da companhia estatal Saudi Arabian Airlines foi gravemente danificado.
Ao reivindicarem os ataques anteriores, os Houthis advertiram que aeronaves comerciais deveriam evitar o espaço aéreo saudita, declarado pelo grupo como zona de operações militares.
Após o ataque deste sábado, o porta-voz militar dos Houthis republicou uma mensagem anterior na qual afirmava que apenas voos humanitários previamente autorizados poderiam pousar em Riade. Na publicação, acrescentou apenas a expressão "um lembrete".
A sequência de ataques ocorre em meio à intensificação do conflito no Iêmen. No início de outubro, forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita lançaram uma operação militar contra os Houthis.
Desde então, o grupo rebelde intensificou os ataques com mísseis contra o território saudita, enquanto a Arábia Saudita realiza bombardeios contra posições dos Houthis no Iêmen.
Os rebeldes também apertaram o cerco à cidade de Taiz, a terceira maior do país. Ao mesmo tempo, autoridades sauditas e iemenitas afirmaram ter retomado o controle do estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem marítima estratégica que havia sido ocupada pelos Houthis no mês passado.
Os ataques ao aeroporto ocorrem às vésperas de importantes conferências internacionais sobre energia e investimentos previstas para Riade. Apesar das ameaças à segurança, os organizadores afirmaram neste sábado que os eventos serão mantidos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
EUA podem avaliar participação em bombardeios contra os Houthis
Possible · Within days
Open Questions
- Os Estados Unidos participarão dos bombardeios?
- Como a Arábia Saudita reforçará a defesa antiaérea?







