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Luiza Brunet comenta condenação de Lirio Parisotto após 10 anos de episódio de agressão: 'Não é uma vitória'
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G12 hours agoLaw2 min readBrazilView translation

Luiza Brunet comenta condenação de Lirio Parisotto após 10 anos de episódio de agressão: 'Não é uma vitória'

Quick Look

Luiza Brunet, 64 anos, afirmou que a indenização de R$ 150 mil determinada pela Justiça de São Paulo a ser paga por Lirio Parisotto por agressão em 2016 é insuficiente diante da realidade financeira do agressor, defendendo que critérios de indenização devem considerar a capacidade econômica do condenado para ter efeito real de responsabilização.

AI-generated summary

Why It Matters

Luiza Brunet foi agredida por Lirio Parisotto em 2016 durante uma viagem a Nova York. Após um processo judicial de 10 anos, a Justiça de São Paulo condenou o empresário a pagar R$ 150 mil por danos morais. A modelo também pediu indenização por danos materiais e lucros cessantes, que não foram reconhecidos devido à falta de provas que ligassem diretamente as perdas profissionais à agressão.

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Luiza Brunet — Foto: Reprodução/Instagram

Luiza Brunet, 64 anos, afirmou que não ficou satisfeita com a indenização que Lirio Parisotto terá de pagar a ela referente ao caso de violência doméstica, ocorrido em 2016. A Justiça de São Paulo condenou o empresário a pagar R$ 150 mil após agredir a modelo durante passagem do então casal a Nova York (EUA).

Em entrevista exclusiva ao g1, Brunet disse que o valor representa pouco diante da realidade financeira de Lirio e questionou a eficácia de uma condenação que, segundo ela, praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou a violência.

"Não é uma vitória. Depois de tantos anos, mais precisamente 10, finalmente saiu a sentença que condenou meu agressor a me indenizar pelos danos morais que me causou", afirmou Luiza.

A modelo reconheceu que a Justiça identificou a violência sofrida, mas ponderou que o reconhecimento do dano não significa, necessariamente, uma reparação justa.

"A indenização foi fixada em R$ 150 mil. Sei que é um valor expressivo para a imensa maioria dos brasileiros. Mas também sei que, diante da realidade financeira de quem me agrediu, representa muito pouco".

Para Luiza, o valor da indenização precisa levar em conta não apenas a gravidade da agressão e os danos causados à vítima, mas também a capacidade econômica do condenado. Ela argumentou que, quando a quantia é pequena em comparação com o patrimônio do agressor, a condenação pode perder parte de seu efeito como instrumento de responsabilização e prevenção.

"Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?", questionou.

Modelo diz que dinheiro não apaga violência

Justiça de SP condena Lírio Parisotto a pagar R$ 150 mil a Luiza Brunet por agressão em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram

Luiza Brunet ressaltou que a discussão não significa atribuir um preço à dor provocada pela violência. Segundo ela, nenhum valor financeiro é capaz de apagar uma agressão ou reparar completamente as consequências físicas e emocionais deixadas pelo episódio.

"Não se trata de colocar preço na dor. Nenhum dinheiro apaga uma agressão, devolve a tranquilidade perdida ou repara integralmente as marcas físicas e emocionais deixadas pela violência", afirmou.

A modelo também relatou que, durante os 10 anos de trajetória judicial, enfrentou as consequências das agressões, a exposição pública, ataques à sua imagem e o desgaste de um processo que, segundo ela, parecia não ter fim.

Apesar disso, disse ter transformado parte da experiência em uma atuação voltada à defesa dos direitos das mulheres.

"Passei a dedicar minha voz, meu trabalho e minha visibilidade à defesa dos direitos das mulheres. Encontrei, na minha própria história, uma razão ainda maior para lutar por tantas outras", declarou.

Luiza Brunet expôs nas redes sociais fotos do seu rosto machucado após agressão de Lirio Parisotto, em 2016 — Foto: TV Globo

Luiza defende mudanças nos critérios de indenização

Ao comentar a decisão, Luiza afirmou que o encerramento de mais uma etapa judicial não significa que as consequências da violência tenham sido apagadas. Para ela, o caso também evidencia a necessidade de discutir a efetividade das punições aplicadas aos agressores.

"Precisamos discutir a efetividade das penas aplicadas aos agressores e a necessidade de critérios de indenização que considerem não apenas a gravidade da violência e a extensão dos danos, mas também a realidade econômica de quem os causou", disse.

A modelo defendeu que as condenações tenham consequências concretas para quem pratica violência contra mulheres e que as vítimas não precisem enfrentar anos de disputa judicial para obter reconhecimento e reparação.

"Porque uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor", afirmou.

Ao concluir a declaração, Luiza reforçou que a sentença representa apenas mais uma etapa de uma trajetória marcada, segundo ela, por coragem, resistência e perseverança.

"A violência contra a mulher precisa ter consequências reais. E nenhuma mulher deveria precisar lutar por tantos anos para ser ouvida, respeitada e reparada".

Juiz destaca gravidade das agressões

Ao determinar o pagamento de R$ 150 mil, o magistrado considerou a gravidade das lesões físicas e o sofrimento provocado pela violência. De acordo com a sentença, os documentos do processo criminal que já transitou em julgado demonstraram que Luiza sofreu golpes que provocaram fraturas na sétima, oitava, nona e décima costelas.

A decisão também aponta que a intensidade da dor foi tão forte que a modelo perdeu involuntariamente o controle corporal e urinou nas próprias roupas.

Segundo o processo, Luiza precisou fazer uma viagem internacional de avião em condições físicas precárias e sob forte abalo emocional. Ela utilizou analgésicos para suportar a dor até retornar ao Brasil.

O juiz também levou em conta a repercussão pública do caso, que, segundo ele, ampliou os efeitos da violência sobre a vida pessoal da modelo.

A defesa de Parisotto argumentou que Luiza teria se exposto voluntariamente ao público ao atuar na conscientização sobre a violência de gênero. O magistrado rejeitou o argumento e afirmou que a atuação da modelo na defesa dos direitos das mulheres não elimina o direito à reparação pelo que sofreu.

Na avaliação do juiz, a participação pública de Luiza nessa causa representa um exercício legítimo de cidadania e uma forma de ressignificar o trauma, e não uma renúncia ao direito de ser indenizada.

Justiça não reconheceu prejuízos financeiros

Luiza também pediu indenização por danos materiais e lucros cessantes, que correspondem aos ganhos que uma pessoa deixa de receber em razão de determinado acontecimento.

Entre os prejuízos alegados estavam a redução de trabalhos publicitários, o encerramento de um contrato com a Avon e a perda de uma campanha com a joalheria Miranda Castro, de Brasília, cujo cachê seria de aproximadamente R$ 1 milhão.

O juiz, no entanto, considerou que as provas apresentadas não permitiam confirmar os valores nem demonstrar que as perdas profissionais decorreram diretamente da agressão.

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Luiza Brunet continuará atuando na defesa dos direitos das mulheres e pressionando por mudanças nos critérios de indenização por violência doméstica.

    Very likely · Within months

  • O caso pode gerar debate público sobre a necessidade de vincular o valor das indenizações à capacidade econômica do agressor em casos de violência doméstica.

    Likely · Within weeks

Open Questions

  • Qual é o patrimônio atual de Lirio Parisotto?
  • Houve alguma apelação contra a decisão de indenização?
  • Quais são os próximos passos na luta de Luiza Brunet por mudanças na legislação de indenização por violência doméstica?

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This article was originally published by G1.

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