Lula acompanha caso de afastamento do diretor da PF e governo prepara contestação judicial
Quick Look
- O presidente Lula acompanhou os desdobramentos da decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e suspendeu atividades de inteligência da corporação.
- Apesar de não se manifestar publicamente, o presidente reuniu-se com ministros e deve viajar para Teresina na quarta-feira.
- A AGU argumenta que a decisão interfere na prerrogativa presidencial de nomear e exonerar o diretor da PF e pode contestar a medida judicialmente.
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Why It Matters
O ministro André Mendonça do STF determinou o afastamento imediato do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob suspeita de monitoramento ilegal de autoridades, incluindo o advogado-geral da União Jorge Messias. A decisão também suspendeu a produção e compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação de magistrados e membros da advocacia pública. A AGU entrou com pedido para contestar a medida, alegando que ela interfere na prerrogativa presidencial de nomear e exonerar o diretor da PF.
Apesar de não ter se manifestado publicamente, Lula acompanhou os desdobramentos do caso ao longo do dia. Após a divulgação da decisão, o presidente se reuniu com integrantes do governo, entre eles o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Nesta quarta-feira (9), o presidente mantém a agenda prevista fora de Brasília e embarca para Teresina (PI), onde cumpre agendas de governo e também compromissos relacionados à campanha eleitoral. A programação oficial não prevê compromissos na capital federal.
Na tarde desta terça, o presidente participou de um evento no Planalto do Planalto na tarde desta terça, realizado em alusão ao Dia da Amazônia. Durante o discurso, se limitou a falar sobre temas ambientais e não citou o caso.
A avaliação é que o Planalto pode contestar a medida pelas vias legais, mas sem adotar um discurso de confronto com a Corte.
No pedido apresentado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a AGU argumenta que a decisão de Mendonça interfere na prerrogativa do presidente da República de nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal.
O órgão também sustenta que a retirada imediata do chefe da corporação pode provocar prejuízos à administração da PF e gerar risco de descontinuidade na condução de suas atividades.
O ministro apontou suspeitas relacionadas ao monitoramento ilegal de autoridades e determinou também o afastamento do diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada. Segundo Mendonça, as medidas são necessárias para preservar investigações em andamento.
A decisão impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar as circunstâncias de produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.
Mendonça determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.
O ministro argumentou que houve um monitoramento sistemático e ilegal conduzido pela PF por mais de um mês contra a sua própria atuação e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão foi levada à Segunda Turma do STF e obteve três votos favoráveis à sua manutenção, dos ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux. O julgamento, entretanto, foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes. A liminar segue em vigor.
A decisão provocou reações no governo, no Supremo e dentro da Polícia Federal. Em manifestação pública, Murad saiu em defesa de Andrei Rodrigues e afirmou que a corporação manterá sua atuação técnica e independente. Diretores da PF também demonstraram apoio ao delegado afastado.
Os diretores da Polícia Federal manifestaram, por meio de uma nota, seu "total apoio" ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição para o delegado William Marcel Murad, diretor-geral substituto que assumiu a corporação com o afastamento.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O STF retomará o julgamento da liminar após o término do pedido de vista de Gilmar Mendes.
Very likely · Within weeks
A AGU entrará com uma ação direta de inconstitucionalidade ou recurso extraordinário contra a decisão do ministro André Mendonça.
Likely · Within days
O diretor-geral substituto William Marcel Murad manterá o cargo até o desfecho do julgamento no STF ou até nova nomeação presidencial.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Qual será o desfecho do pedido de vista de Gilmar Mendes no STF?
- O governo realmente entrará com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a decisão?
- Quais são as provas concretas apresentadas pelo ministro Mendonça sobre o suposto monitoramento ilegal?
- Como a PF vai conduzir suas investigações em andamento sem o diretor-geral e com a suspensão das atividades de inteligência?






