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Mãe relata que filha descobriu lista de categorias sexuais em colégio por busca no Google
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G13d agoCrime5 min readBrazil

Mãe relata que filha descobriu lista de categorias sexuais em colégio por busca no Google

Quick Look

  • Mãe de aluna do Colégio Cruzeiro, no Rio, relata que filha descobriu lista com 65 nomes de colegas em categorias sexuais por busca no Google.
  • A lista, criada em plataforma online, levou a depoimentos na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

AI-generated summary

Why It Matters

Alunos do Colégio Cruzeiro, no Rio, criaram uma lista com 65 nomes de alunas do 9º ano, categorizando-as sexualmente de forma depreciativa. O caso está sendo investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

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A mãe de uma das alunas incluídas em uma lista de categorias sexuais feita por alunos do colégio Cruzeiro, na Zona Sudoeste do Rio, contou ao g1 que a filha descobriu a lista ao colocar o nome completo em um buscador na internet. Ao todo, a lista tinha 65 nomes de alunas do 9º ano.

Segundo a mãe, a filha estava "incrédula" ao saber do que tinha acontecido.

"Ela estava brincando com as amigas de jogar o nome dela no Google, e quando ela fez isso apareceu esse site. Ela contou de uma forma bem incrédula, acho que ela ficou sem entender quem poderia ter feito isso com ela. Ficou com raiva e incrédula", disse a mãe.

A filha dela, de 14 anos, foi uma das sete estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, que prestaram depoimento na quinta-feira (9) na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), que investiga o caso.

Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) no Rio — Foto: Henrique Coelho/G1

A mãe classificou o caso como uma "violência imensa", e relatou que sua filha voltou ao psicólogo, mas está razoavelmente bem. No entanto, o mesmo não aconteceu com outras vítimas:

"Ela fez questão de ir na delegacia, tentar achar o responsável, então acho que ela está lidando bem com isso. Mas tem menina que reagiu muito mal, que não quer mais ir para a escola, que está envergonhada", relatou a mãe.

Mãe alerta para maior alcance e pede punição

A mãe argumentou que, com o crescimento de uso de redes sociais, qualquer comportamento como o dos alunos do colégio Cruzeiro possui um alcance destrutivo muito maior e com um maior nível de agressividade vinda dos meninos:

"Todo mundo no Rio de Janeiro está falando disso, o sobrenome da minha filha está circulando. Acho que a exposição nas redes sociais fez com que a escala da violação fosse muito maior. Claro que tinha ranking antigamente, também tinha uma violação, mas hoje é muito pior", ponderou.

A mãe também pediu uma responsabilização de quem fez a lista e a divulgou na internet:

"Eu acho fundamental, por isso que eu fiz tanta questão de abrir um boletim de ocorrência, várias outras mães abriram. Eu não quero que ninguém mais passe por isso que minha filha tá passando, que essas meninas estão passando", disse ela.

"Tem aí uma responsabilização dos pais que estão sendo omissos, ou que não estão monitorando o celular dos filhos, ou que não estão conversando com eles. É realmente algo que tem que acontecer", finalizou a mãe.

Quem já foi ouvido

O diretor da unidade de Jacarepaguá do Colégio Cruzeiro foi ouvido na Dcav na quarta-feira (8). Ele não quis falar com a imprensa.

Em depoimento, o diretor afirmou que a escola está tentando apurar internamente quem foram os responsáveis pela criação da lista.

Quais crimes foram cometidos

Na lista, feita em uma plataforma on-line (tierlist), as meninas entre 14 e 15 anos foram definidas a partir de categorias sexuais, muitas delas depreciativas.

Os investigados, todos menores de idade, responderão por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outros crimes podem ser incluídos ao longo da investigação, caso a polícia encontre provas de ameaças ou agressões psicológicas.

A delegada Maria Luiza Machado, da Dcav, disse que os registros de casos como esses vêm aumentando nos últimos anos.

“A gente vê realmente que ultimamente o volume desse compartilhamento tem crescido. E as vítimas se tornam cada vez mais vulneráveis, não só pela idade, mas também pelo gênero”, explicou a delegada Maria Luiza Machado.

Para ouvir as vítimas de casos envolvendo menores de idade, é feito um depoimento especial na Dcav. O objetivo é reunir todas as informações que podem ajudar a investigação, para que a vitima seja ouvida apenas uma vez e evitando que a criança ou adolescente passe por traumas.

“A gente, de fato, tem uma cautela específica, tem um setor específico para depoimento especial para que a gente consiga ouvir essas vítimas de forma a não revitimizá-las", explicou a delegada.

Os depoimentos especiais são colhidos por policiais especializados, que ficam sozinhos na sala com as vítimas, enquanto algum delegado acompanha os depoimentos em salas separadas. Os pais, muitas vezes, também são ouvidos.

O que estava na lista

Entre as categorias em imagens da “lista” às quais o g1 teve acesso, estavam:

'GOAT' (sigla para greatest of all time, termo em inglês para “melhor de todos os tempos”)

'Comeria no lucro'

'Bêbado vai'

'Me arrependi depois'

'Nem olharia'

Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá — Foto: Reprodução/Site oficial

Procurado, o colégio Cruzeiro afirmou que registrou o boletim de ocorrência e que fez uma denúncia à plataforma onde a lista foi criada. A relação já foi retirada do ar.

O que diz o colégio

O colégio se pronunciou com a seguinte nota:

"O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias.

Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros.

Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo.

Ops!

Open Questions

  • Quem são os responsáveis pela criação e divulgação da lista?
  • Quais serão as punições aplicadas aos envolvidos?
  • Como a escola pretende reforçar a prevenção contra cyberbullying?

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This article was originally published by G1.

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