
Superproliferação de cianobactérias causa morte de peixes e deixa comunidades sem água potável em Anapu e Senador José Porfírio
AI-generated summary
A mancha verde no rio Bacajá começou a ser relatada por indígenas da aldeia Pykayako, do povo Xikrin, por volta de 23 de outubro, e foi oficialmente detectada pelos pesquisadores do MATI-VGX em 27 de outubro. Especialistas ligam a proliferação à seca extrema e à alta temperatura da água, sem descartar contaminação por agrotóxicos, fertilizantes ou produtos químicos de garimpos ilegais. A poluição ocorre às vésperas da piracema, período de defeso e reprodução dos peixes que começa em 15 de novembro.
Uma mancha verde com cerca de 30 quilômetros de extensão está se alastrando pelas águas do Rio Bacajá, no Pará. Segundo indígenas e ribeirinhos, a poluição ambiental está provocando a morte de peixes e deixando as comunidades locais sem acesso à água potável.
A mancha no rio atinge diretamente os municípios de Anapu e Senador José Porfírio, afetando a Terra Indígena Trincheira Bacajá (do povo Xikrin), a Terra Indígena Arara da Volta Grande (do povo Arara) e diversas comunidades ribeirinhas.
Análises laboratoriais concluídas na quinta-feira (5) pelo Laboratório Central da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Lacen) confirmaram que o fenômeno é causado por uma superproliferação de cianobactérias.
"O risco é alto, a situação é grave. É necessário que se suspenda todo contato com a água do rio, porque existe um potencial grande de presença de cianotoxinas", alerta o especialista Dilailson Araújo de Souza, que avaliou os resultados do Lacen.
O especialista também reforça que métodos tradicionais de purificação, como coar a água em panos ou usar filtros de barro, não são eficazes para eliminar as toxinas dessas bactérias.
De acordo com o laudo, em alguns pontos do rio, a concentração dessas bactérias chegou a 213.520 células por mililitro (mL), ou seja, valor quatro vezes superior ao limite máximo permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que é de 50.000 células/mL.
Em uma das amostras coletadas, a densidade era tão extrema que o laboratório não conseguiu mensurar, segundo pesquisadores do Instituto de Monitoramento Territorial Ambiental Independente e Ciência Intercultural da Volta Grande do Xingu (MATI-VGX), que detectaram o problema no último dia 27 de outubro.
O Ministério Público Federal (MPF) em Altamira informou que enviou pedidos de providências urgentes ao Poder Público.
Água tóxica
O surgimento da mancha verde começou a ser relatado por indígenas da aldeia Pykayako, do povo Xikrin, por volta do dia 23 de outubro. No dia 27 de outubro, a mancha foi oficialmente detectada pelos pesquisadores do MATI-VGX.
De acordo com especialistas, a proliferação dessas bactérias está diretamente ligada à seca extrema e à alta temperatura da água. Os pesquisadores também não descartam que a situação tenha sido agravada pelo despejo de contaminantes externos, como agrotóxicos, fertilizantes ou produtos químicos de garimpos ilegais.
Amostras adicionais foram enviadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para analisar a presença de metais pesados, segundo os cientistas.
Impactos
A rotina das comunidades que dependem do Rio Bacajá foi completamente alterada. O consumo de peixes e o uso da água para banho, consumo e tarefas domésticas foram suspensos por recomendação.
"Nasci e cresci aqui e nunca tinha visto isso. Não temos mais como tomar banho no rio, também não podemos pescar", desabafa Paulo Passos Ferreira, indígena do povo Arara e pesquisador do instituto.
A poluição ocorre às vésperas do período de defeso e reprodução dos peixes na região, período chamado de piracema, que começa no próximo dia 15 de novembro.
AI outlook — possibilities, not facts
O MPF e o Poder Público adotarão medidas para conter a contaminação e restabelecer o acesso à água potável nas comunidades afetadas.
Likely · Within days
As análises da Fiocruz sobre metais pesados serão divulgadas nas próximas semanas.
Possible · Within weeks

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