María Corina Machado diz que Venezuela precisa de mais do que dinheiro após acordo EUA-Caracas
Quick Look
- María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou que a Venezuela necessita de mais do que recursos financeiros para sua reconstrução, após os EUA assinarem acordo para controlar 20% das reservas de petróleo do país.
- Ela destacou a necessidade de transparência, legalidade e um governo democrático legítimo, ressaltando que o patrimônio nacional pertence ao povo venezuelano, não a um regime ilegítimo.
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Why It Matters
A Venezuela enfrenta uma crise política e institucional prolongada, com disputas sobre a legitimidade do governo após as eleições presidenciais de 2024, amplamente contestadas pela oposição e observadores internacionais. María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, está no exílio no Panamá após deixar o país clandestinamente em dezembro. Os Estados Unidos assinaram um acordo com o regime interino de Delcy Rodríguez para controlar 20% das reservas de petróleo venezuelanas, equivalente a 65 bilhões de barris em 17 campos.
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (3) que a Venezuela "precisa de muito mais do que dinheiro", após o acordo petrolífero sem precedentes firmado entre os Estados Unidos e o regime interino de Delcy Rodríguez.
Em um vídeo gravado no exílio e publicado no X, María Corina disse que "o setor petrolífero é apenas uma parte da imensa reconstrução" da Venezuela, que "exige investimentos colossais".
"Em um país com as dimensões e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor poderá funcionar de forma isolada", afirmou Machado, que deixou Caracas de forma clandestina em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz e que, atualmente, vive no Panamá.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na semana passada a assinatura de um acordo histórico com Caracas, que concede a seu país 20% das gigantescas reservas de petróleo venezuelanas.
O acordo dá à Casa Branca o controle de 65 bilhões de barris de petróleo bruto em 17 campos localizados em diferentes regiões do país.
"Tudo isso confere à Venezuela um valor estratégico extraordinário, tanto para a segurança nacional dos EUA quanto para a estabilidade do hemisfério. Mas o patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano", disse María Corina.
Após a assinatura de acordos com multinacionais petrolíferas como Chevron e Eni, na quarta-feira (2), em Caracas, Trump e Delcy concordaram que o país não está pronto para realizar eleições.
A mensagem da líder opositora foi divulgada oito meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, em uma operação militar americana.
María Corina defendeu a aliança com Washington, mas afirmou que o país deve trabalhar "sob os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência".
Isso, ressaltou, "só é possível com a legitimidade e a estabilidade oferecidas por um governo sério e democrático".
A oposição e observadores independentes afirmam que houve fraude eleitoral de Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024, e reivindicam a vitória de Edmundo González, candidato apoiado por María Corina. A líder opositora foi inabilitada politicamente e não pôde concorrer naquela ocasião.
Em agosto, teve início um diálogo político entre o regime chavista e parte da oposição com vistas a uma transição democrática, mas María Corina não foi convidada.
A líder promete voltar à Venezuela, mas especialistas afirmam que Washington não vê seu retorno com bons olhos.
"Sei o que vocês estão sentindo: tristeza, raiva e esse mal-estar tão recorrente em nossa história, provocado pelo fato de alguém decidir sobre o que é nosso, em nosso nome, sem nos levar em conta", afirmou María Corina em sua mensagem, ao destacar a "profunda preocupação com as implicações que isso tem" para o futuro da Venezuela.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
A oposição venezuelana intensificará pressão internacional para revisar ou cancelar o acordo EUA-Caracas sobre o controle do petróleo.
Likely · Within weeks
Novas negociações entre o regime chavista e setores da oposição ocorrerão, mas María Corina Machado provavelmente continuará excluída do diálogo político em curso.
Very likely · Within months
Open Questions
- Quais são os termos detalhados do acordo entre os EUA e o regime venezuelano sobre o controle do petróleo?
- Como a oposição venezuelana planeja responder ao acordo EUA-Caracas e à exclusão de María Corina Machado do diálogo político?
- Que garantias existem de que os recursos do petróleo serão usados para o benefício do povo venezuelano e não para sustentar o regime?
- Qual é a posição oficial de outros países e organizações internacionais sobre o acordo entre os EUA e a Venezuela?







