Novo centro atuará na integração de órgãos de inteligência das polícias penais para coibir crimes a partir de presídios
O Ministério da Justiça confirmou para este mês o início das operações do Centro Nacional de Inteligência Penal para unificar protocolos de segurança, monitorar crises e combater crimes originados em presídios brasileiros.
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O Cnip integra o projeto Padrão Segurança Máxima, inserido no programa federal Brasil Contra o Crime Organizado.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou, nesta quarta-feira (19), que o Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) iniciará suas operações ainda este mês.
A nova estrutura operacional reunirá órgãos de inteligência das polícias penais federal, dos estados e do Distrito Federal, com o objetivo de unificar protocolos de segurança e coibir o planejamento de crimes a partir do interior dos estabelecimentos prisionais brasileiros.
Instituído em junho deste ano por meio da Portaria Ministerial 1.234, o Cnip integra o projeto Padrão Segurança Máxima, que faz parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado.
Responsável por integrar e coordenar a chamada Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), o Cnip atuará em regime contínuo para integrar, consolidar e difundir informações de inteligência penal, além de monitorar situações de crise e oferecer suporte técnico para a tomada de decisões pela Secretaria Nacional de Políticas Penais e pelos entes federativos.
A estratégia ministerial busca sufocar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas. O que, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, exige integração entre as forças federais e estaduais e uma ação coordenada para impedir a entrada ilegal de aparelhos de telefone celular nos presídios.
“O problema do [telefone] celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública”, comentou Silva ao participar, nesta quarta-feira, de uma entrevista coletiva sobre as estratégias nacionais de enfrentamento aos ilícitos envolvendo telefones celulares.
“Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação. Em alguns casos, temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios”, acrescentou o ministro.
Silva argumenta que a única forma de enfrentar o problema é por meio da integração das forças de segurança pública.
Ações
Durante a coletiva de imprensa, o ministério apresentou resultados preliminares de ações ostensivas, como a Operação Última Chamada, realizada entre os dias 10 e 19 de agosto.
Segundo a pasta, no período, foram recuperados 6.052 aparelhos celulares e executadas 97 prisões em flagrantes. A ação também fiscalizou 227 comércios e enviou mais de 33 mil alertas para pessoas em posse de aparelhos irregulares.
Especificamente quanto ao sistema penitenciário, as operações que a Secretaria Nacional de Políticas Penais realizou entre maio e agosto deste ano, em parceria com os estados e o Distrito Federal, resultaram na apreensão de 2.254 aparelhos celulares. Quase 9,9 mil celas de 295 unidades prisionais de todo o país foram revistadas.
Ainda segundo o ministério, os roubos e furtos de celulares passaram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, resultando em uma redução de 4,5% nesse tipo de ocorrência.
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, as ações desenvolvidas no âmbito do sistema prisional são fundamentais para interromper o furto, roubo, receptação e o comércio ilegal de celulares.
“Essa cadeia de crimes termina, ocasionalmente, no sistema prisional. Isso atinge o dia a dia do cidadão, na aplicação de golpes e outras questões relacionadas a execuções de crimes letais intencionais. Por isso, é tão importante, além de compreender essa cadeia, romper o ciclo”, concluiu Garcia.

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