Morre o cantor sertanejo Marcelo Gasparini, da dupla com Maurício, aos 54 anos em Ribeirão Preto
Artista lutava contra a leucemia há cerca de seis meses; enterro ocorreu no Cemitério Bom Pastor.
Quick Look
- Morreu em Ribeirão Preto o cantor sertanejo Marcelo Gasparini, que formava a dupla Maurício & Marcelo com seu irmão gêmeo.
- Ele tratava uma leucemia mieloide aguda e faleceu após cerca de seis meses de batalha contra a doença.
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Why It Matters
Marcelo Gasparini integrou a dupla Maurício & Marcelo e participou ativamente da criação do Clube da Viola em Ribeirão Preto.
O artista, que formava com o irmão gêmeo Maurício a dupla Maurício & Marcelo, estava internado em um hospital particular e vinha travando uma batalha contra uma leucemia há cerca de seis meses.
A perda gerou manifestações de fãs, familiares e nomes da música sertaneja, como o cantor Daniel, que relembrou o início da amizade deles.
O enterro do sertanejo ocorreu na segunda-feira no Cemitério Bom Pastor, em Ribeirão Preto. Marcelo foi enterrado no mesmo jazigo do pai, o ex-prefeito de Ribeirão Preto e ex-deputado estadual Welson Gasparini. A Prefeitura decretou luto oficial de três dias no município.
Entre amigos e familiares, Marcelo era conhecido pela alegria e dedicação ao próximo. Essa essência foi resumida pelo produtor executivo e amigo de estrada Herald Antunes. "Marcelo era uma pessoa iluminada, ele contagiava o palco", disse.
O filho, Bruno Gasparini, reforçou a generosidade do cantor.
"Meu pai deixa um legado de muito amor, muito carinho, um sorriso emblemático, muita ajuda, porque meu pai sempre ajudou muitas instituições, pessoas carentes, ajudava o próximo."
Nascido em 23 de novembro de 1971, Marcelo Menna Barreto Gasparini cresceu em uma família tradicional e de atuação política em Ribeirão Preto, cidade onde morou.
Filho do ex-deputado e prefeito de Ribeirão Preto Welson Gasparini, ele era casado e teve um filho. Além do gêmeo Maurício, que atualmente é vereador em Ribeirão Preto, Marcelo era irmão de Welson Júnior e de Luciana.
A trajetória musical dos irmãos começou de maneira precoce, aos 12 anos, cantando em igrejas e festivais. Na adolescência, eles integraram a banda "Voo Livre" antes de consolidarem a dupla.
Depois de "brigar" com a balança no início da carreira, eles tiveram uma mudança radical de vida quando decidiram realizar uma cirurgia de redução de estômago. Marcelo, na época, chegou a perder 80 quilos.
Com mais de três décadas de carreira, Maurício & Marcelo alcançaram projeção nacional nos anos 1990 e 2000, apresentando-se em palcos de todo o país e participando de programas de televisão como o "Programa do Jô".
No repertório, destacaram-se sucessos como "Melô do Lalá", "Um Tiquim" e "De Amor e Paixão".
A dupla teve um papel na criação do "Clube da Viola, movimento nascido em Ribeirão Preto em 1994 que modernizou a música sertaneja tradicional e a direcionou para o público jovem e urbano, tornando-se o precursor do sertanejo universitário.
O movimento gravou oito álbuns coletivos. Em 2025, os irmãos reuniram-se com outros integrantes em uma fazenda no distrito de Bonfim Paulista para a gravação do DVD de 30 anos do Clube da Viola.
O cantor Guilherme Pereira, companheiro de movimento há 30 anos, ressaltou o bom humor do amigo.
"Nesses 30 anos, nunca vi o Marcelo chateado, magoado, com uma cara fechada. Ele sempre foi extremamente positivo."
Embora a música fosse a grande paixão, Marcelo Gasparini também trilhou um caminho profissional fora dos palcos.
Formado em direito pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e com MBA em gestão empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), foi consultor empresarial, professor e diretor de relacionamento em uma multinacional.
A bagagem profissional também o credenciou a ser palestrante motivacional. Suas palestras, focadas em gestão de pessoas e histórias de superação, chegaram a reunir mais de dez mil pessoas.
A vida de Marcelo mudou em fevereiro de 2026, quando exames motivados por uma infecção bacteriana revelaram que ele tinha leucemia mieloide aguda (LMA).
Desde então, o cantor passou a compartilhar o tratamento nas redes sociais, motivando campanhas que levaram pessoas aos hemocentros para doação de sangue e cadastro de medula óssea.
Durante o tratamento, ele passou por um transplante de medula óssea, tendo o irmão gêmeo, Maurício, como doador compatível.
"Deus fez ele entender que ele poderia ser instrumento de mobilização e as pessoas entenderam mais a importância da doação", disse Maurício.
O último show de Marcelo foi no início do ano em Restinga (SP), quando ele se sentiu mal no camarim ainda antes do diagnóstico. Afastado dos palcos, Marcelo pediu aos companheiros do Clube da Viola que mantivessem a agenda de shows.
Semanas antes da morte, em casa, ele conseguiu tocar uma última canção com o irmão, a música "Garota Dourada", da banda Rádio Táxi.
Maurício contou que um documentário em vídeo contando os 35 anos da dupla estava pronto para ser lançado no primeiro semestre de 2026, mas foi guardado na esperança de recuperação do irmão. Agora, segundo ele, o material será divulgado como um tributo oficial.
Nos últimos dias de internação, já sem conseguir falar, Marcelo se comunicava apenas mexendo a cabeça. Em memória, familiares e fãs se apegam à mensagem que ele costumava propagar nas palestras e redes sociais: "Cuide-se bem, seja feliz! Dias melhores virão!".
Open Questions
- Qual será a data exata de lançamento do documentário póstumo?







