Pajé e escritora Zeneida Lima lança novo livro aos 92 anos
Quick Look
- Aos 92 anos, a pajé, escritora e ambientalista Zeneida Lima lança o livro "Meus Caruanas", que conclui sua autobiografia e aprofunda a pajelança marajoara.
- Sua obra inspirou a Beija-Flor em 1998 e será novamente homenageada pela escola em 2027.
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Why It Matters
A pajé, escritora e ambientalista Zeneida Lima, aos 92 anos, lança seu novo livro "Meus Caruanas", que completa sua autobiografia iniciada há mais de três décadas e detalha a pajelança marajoara e sua dedicação à Amazônia.
Aos 92 anos, celebrados nesta terça-feira (21), a pajé, escritora, compositora e ambientalista Zeneida Lima apresenta ao público um novo capítulo da própria história. A autora lança o livro inédito Meus Caruanas, que conclui a autobiografia iniciada há mais de três décadas com O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó (1992), obra que levou a pajelança marajoara à Sapucaí e inspirou o desfile campeão da Beija-Flor de Nilópolis em 1998. Em 2027, a escola voltará a homenagear a paraense com o enredo Zeneida: O Sopro do Pó de Louro, inspirado em sua vida e em seu legado.
Nascida em Soure, no arquipélago do Marajó, Zeneida é uma das principais referências da pajelança cabocla. Assentada pajé aos 11 anos, construiu uma trajetória dedicada à preservação dos saberes ancestrais, da espiritualidade amazônica e da natureza. Também fundou a Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), que atende cerca de 200 crianças e adolescentes com atividades voltadas à educação, à cultura e à preservação ambiental. Em 2021, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
Em Meus Caruanas, Zeneida reúne memórias do retorno ao Pará, da criação da Fundação Caruanas do Marajó e dos desafios enfrentados na missão de preservar conhecimentos tradicionais. A obra amplia a narrativa iniciada em seu primeiro livro e revela episódios inéditos de uma vida dedicada à cultura, ao meio ambiente e à espiritualidade amazônica. O prefácio é assinado pelo historiador e escritor Luiz Antonio Simas.
A relação da autora com a Beija-Flor atravessa quase três décadas. Em entrevista ao g1, Zeneida relembrou que participou da preparação do desfile campeão de 1998.
"Eu fui olhar nas energias das águas e vi que o problema era o carnavalesco. Tinha que trocar, além de fazer uma pajelança pra comunidade. Nós ganhamos o carnaval", contou.
Apesar do reconhecimento nacional, Zeneida costuma afirmar que sua principal missão permanece ligada ao cuidado com a Amazônia e às novas gerações.
"O meu sonho era que as pessoas todas se unissem e cuidassem mais da natureza, porque ela está doente, muito doente. Eu queria que a próxima geração ainda encontrasse o que nós encontramos aqui".
What to Watch
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Beija-Flor de Nilópolis homenageará Zeneida Lima em 2027 com o enredo "Zeneida: O Sopro do Pó de Louro".
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