Presidente de Israel oficializa escolha de rival de Netanyahu para tentar formar novo governo
Líder da oposição obteve apoio de 67 parlamentares após endosso de partidos árabes-israelenses
Quick Look
- O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou Gadi Eisenkot de formar um novo governo.
- O líder da oposição alcançou 67 apoios no Knesset, superando os 61 necessários, após receber o endosso de partidos árabes-israelenses.
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Why It Matters
As eleições de outubro em Israel não deram maioria absoluta a nenhum bloco. O sistema exige 61 cadeiras de um total de 120 para formar governo.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, oficializou, neste domingo (8), a escolha para que Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tente formar um novo governo.
A escolha foi feita porque a sigla de Eisenkot foi a que angariou mais votos nas eleições realizadas no país em outubro. O pleito, no entanto, deixou os dois políticos sem apoio suficiente para assumir o poder.
Segundo o jornal local "Times of Israel", a cerimônia de oficilização deve acontecer no próximo domingo (8), às 17h no horário local (12h no horário de Brasília). Eisenkot terá, então, 28 dias para formar um governo. Se necessário, Herzog poderá conceder a ele uma prorrogação de até 14 dias.
"Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade", escreveu Eisenkot no X, momentos após o anúncio de sua vitória.
O ex-militar e líder da oposição a Netanyahu recebeu o endosso dos principais partidos árabes-israelenses na última sexta-feira (6). Com seus números somados, a sigla de oposição obteve suporte de 67 deputados no Knesset, o parlamento isaraelense.
São necessárias 61 das 120 cadeiras para formar governo.
A eleição realizada em 27 de outubro terminou sem que nenhum dos dois principais blocos conquistasse a maioria necessária para governar. O partido Likud, de Netanyahu, foi o mais votado e conquistou 27 cadeiras. Mas a aliança de partidos de direita e religiosos ligada ao premiê ficou com 53 vagas do parlamento.
O bloco de oposição ligado a Eisenkot, líder do partido Yashar, obteve 48.
O resultado também marcou o avanço dos partidos que representam a população árabe de Israel. As duas principais forças do grupo conquistaram juntas 19 cadeiras, um recorde.
A Lista Conjunta ficou com 11 vagas.
O partido Ra'am elegeu oito deputados.
O crescimento ocorreu em meio a uma participação recorde de eleitores árabes, que representam cerca de 21% da população do país.
As duas legendas anunciaram apoio a Eisenkot durante as consultas com o presidente Isaac Herzog. Com isso, o ex-chefe do Estado-Maior passou a contar com o endosso de 67 parlamentares, acima do mínimo necessário para governar.
O apoio, porém, não significa que os partidos árabes farão parte de uma eventual coalizão. Eisenkot já afirmou que não pretende incluí-los no governo.
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, poderá ser o primeiro premiê de Israel integrante da comunidade mizrahi, formada por judeus cujas famílias têm origem no Oriente Médio e no norte da África.
Discreto e avesso à exposição na imprensa, Eisenkot entrou na política apenas em 2022. Ele integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, mas depois voltou à oposição.
Como opositor, criticou publicamente a liderança de Netanyahu, incluindo a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza. Eisenkot também prometeu que não participaria de um governo liderado pelo atual primeiro-ministro.
A trajetória política de Eisenkot também é marcada pelas perdas pessoais de sua família desde 2023. Um filho e dois sobrinhos dele morreram em combate na Faixa de Gaza.
Durante a campanha eleitoral, Eisenkot destacou sua experiência na área de segurança. Ele citou a chamada "Doutrina Dahiya", estratégia que prevê respostas militares desproporcionais a ataques. O ex-general empregou essa abordagem quando comandou operações durante a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã que atua no Líbano.
Eisenkot também criticou a violência de colonos israelenses contra palestinos, que aumentou desde 2023 e elevou as tensões nas relações de Israel com países ocidentais.
Ele se opõe ainda aos aliados de extrema direita de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. Os dois já foram alvo de sanções de alguns países ocidentais por declarações consideradas incitação à violência contra palestinos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Eisenkot terá 28 dias para formar um governo.
Very likely · Within weeks
Open Questions
- Eisenkot conseguirá formar uma coalizão estável?
- Como será a relação com os partidos árabes sem incluí-los no governo?







