Rómer Saucedo atendeu a pedido de Nadia Beller, baleada em Santa Cruz de la Sierra; argentino Fernando Cerimedo é apontado como principal suspeito.
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A ativista Nadia Beller foi baleada em Santa Cruz de la Sierra. O estrategista argentino Fernando Cerimedo foi detido como principal suspeito.
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Rómer Saucedo, afirmou ter atendido a um pedido da advogada e ativista política Nadia Beller, de 33 anos, e determinado que a investigação do suposto atentado contra ela não seja mantida sob sigilo, para garantir transparência e o pleno acesso das partes ao inquérito.
“Em resposta ao pedido da vítima e amiga, que pede que o caso não seja declarado sigiloso, instruí ao juiz da causa que não declare o processo confidencial, para que ela [Nadia] possa ter acesso a todas as informações e para que lhe sejam fornecidas todas as garantias necessárias”, afirmou Saucedo a jornalistas.
O presidente do TSJ também disse que solicitou ao presidente do Tribunal de Justiça de Santa Cruz de la Sierra que empenhe todos os esforços necessários para esclarecer o caso.
“Isto significa que se o MP apresentar um requerimento a qualquer hora do dia, o juiz tem a obrigação de [atender os promotores] e emitir [a ordem judicial requerida] imediatamente”, acrescentou Saucedo, voltando a classificar Nadia como uma “amiga’.
Na última segunda-feira (17), a advogada e ativista política boliviana estava na calçada, diante de um hotel de Santa Cruz, quando dois motociclistas não identificados se aproximaram e efetuaram vários disparos à queima-roupa. Segundo o Ministério Público, ao menos três tiros atingiram Nadia: um na região do pescoço, outro no tórax e um terceiro no braço direito.
Na terça-feira (18), agentes da Força Especial de Combate ao Crime detiveram o argentino Fernando Cerimedo, 45, apontado pelas autoridades como principal suspeito do atentado contra Nadia. Conselheiro do presidente boliviano Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025, e ex-estrategista de campanha do mandatário argentino Javier Milei, Cerimedo já reconheceu ter tido um relacionamento amoroso com Nadia – que, segundo autoridades bolivianas, afirma estar grávida de poucos meses.
Cerimedo foi detido no Aeroporto Internacional Viru Viru, próximo a Santa Cruz, quando estava prestes a embarcar em um voo com destino à Argentina. Internada em uma unidade de saúde de Santa Cruz, Nadia Beller o acusa de ser o mandante do atentado contra ela. Ainda no leito, a ativista gravou um vídeo e concedeu entrevistas em que afirma ter ido ao hotel para encontrar uma pessoa que prometeu lhe entregar provas que comprometeriam o ex-presidente boliviano Evo Morales. Ainda de acordo com Nadia, Cerimedo a incentivou a atender ao chamado e ir ao hotel, garantindo que, no local, haveria seguranças.
“Ele me disse: ‘Ah, sim, eu soube desse caso’. E como, anteriormente, eu tinha dito a ele que estava receosa, ele [Cerimedo] me disse que não ia acontecer nada porque não tinha lógica tentarem algo em um hotel com câmeras à vista de todos. Ele apoiou minha ida e mentiu ao dizer que me mandou escoltas”, declarou Nadia.
A defesa de Cerimedo nega que ele esteja envolvido no caso, alegando que o cliente é vítima de uma armação política. O fiscal-geral do Estado, Roger Mariaca Montenegro, contudo, já antecipou que a comissão de promotores que investigam o caso deve solicitar a prisão preventiva por até 180 dias do conselheiro presidencial, acusando-o de tentativa de feminicídio.
“Não esqueçamos que, assim como existiriam autores materiais, também podem existir outros autores intelectuais que podem estar envolvidos ou ter participação neste fato”, acrescentou Montenegro, assegurando que o Ministério Público investigará a fundo os fatos.
Na quarta-feira (19), o presidente Rodrigo Paz comentou o ocorrido em suas redes sociais. Paz informou que instruiu as autoridades responsáveis a realizar “uma investigação profunda, transparente e exaustiva, até esclarecerem o ocorrido”. O presidente boliviano também garantiu que Nadia receberá “toda a segurança e as garantias necessárias”, e que as investigações contarão com “absoluta transparência e independência”.
O argentino Fernando Cerimedo já foi descrito pela revista The Economist como “o homem do MAGA na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo).
No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022. Logo após o segundo turno das eleições presidenciais, Cerimedo participou de uma transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava que o resultado das urnas tinha sido fraudado, de forma a garantir a vitória eleitoral do candidato de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL), que tentava se reeleger. Sem apresentar provas, Cerimedo alegou que as urnas eletrônicas não podiam ser auditadas – informação rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção do vídeo das redes sociais.
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Ministério Público solicitará prisão preventiva de Fernando Cerimedo por até 180 dias.
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