
Entregador preso admitiu ter segurado a vítima durante agressões motivadas por acusação falsa de roubo de bicicleta
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A vítima foi espancada após ser acusada de roubar uma bicicleta, que pertencia à sua irmã. O caso ocorreu em Copacabana e envolve seguranças e entregadores.
A Justiça do Rio manteve a prisão temporária dos dois seguranças presos por envolvimento na morte de Cláudio Rafael Landeiro, espancado em Copacabana após ser acusado injustamente de roubar uma bicicleta, em audiência de custódia neste sábado (22).
A decisão foi do juiz Rafael de Almeida Rezende. Os dois entregadores presos pelo mesmo crime ainda devem passar por audiência de custódia.
Com a prisão de quatro envolvidos, os investigadores passam a tentar identificar pessoas que passaram pelo local e viram Rafael ferido, mas não o socorreram.
Além disso, os agentes procuram identificar um quinto homem que aparece de moletom nas imagens de segurança que mostram as agressões.
A polícia analisa imagens de câmeras de segurança e outras informações para esclarecer a dinâmica do crime e o envolvimento de cada um dos envolvidos.
Os investigadores também apuram quem contratava os seguranças Davi e Jorge de forma irregular. A polícia quer saber para quais estabelecimentos ou serviços eles trabalhavam e quem era responsável pela contratação.
O entregador Felipe Eduardo dos Santos Silva, preso pela morte do ciclista nesta sexta-feira (21), admitiu em depoimento à polícia que segurou a vítima durante as agressões e deu quatro chutes na região das costas.
Segundo Felipe, ele decidiu deixar o local depois de perceber que o segurança poderia acabar matando Cláudio. De acordo com ele, o homem desferia diversos golpes com um taco de madeira, principalmente na cabeça da vítima.
Felipe afirmou que chegou a pensar em ajudar Cláudio, mas teve medo de intervir fisicamente porque, segundo ele, o "segurança estava transtornado".
Cláudio começou a ser agredido por um grupo formado por seguranças e entregadores depois de ser apontado como suspeito do roubo de uma bicicleta na região.
A polícia, porém, não encontrou informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. O veículo pertencia à irmã de Cláudio.
Felipe contou que trabalhava como entregador de aplicativo e estava com outros dois colegas na Rua Viveiros de Castro, em Copacabana, quando outro entregador apareceu dizendo que um segurança tentava capturar um ladrão de bicicleta.
Ele e um colega seguiram até a Rua Barata Ribeiro, onde encontraram o segurança armado com um taco de madeira. Segundo Felipe, o homem disse que o suspeito havia roubado uma bicicleta e fugido em direção à Avenida Princesa Isabel.
Na Rua Felipe de Oliveira, os dois entregadores encontraram Cláudio caminhando pela calçada. Eles perguntaram onde estava a bicicleta e por que ele a havia roubado. De acordo com Felipe, a vítima não respondeu e se sentou na entrada de um prédio. Pouco depois, o segurança chegou e confirmou que Cláudio era o homem que ele apontava como autor do roubo.
Ainda segundo o depoimento, o segurança deu o primeiro golpe em Cláudio, que tentou fugir. Foi nesse momento que Felipe o segurou e ajudou a derrubá-lo. Em seguida, admitiu ter dado quatro chutes nas costas da vítima. Ele afirmou que nenhum dos golpes atingiu a cabeça.
Depois de derrubar Cláudio, Felipe disse que revistou os bolsos dele e encontrou apenas uma carteira com papéis velhos. Segundo o entregador, ele jogou a carteira fora ao deixar o local.
No depoimento, Felipe negou ter tido intenção de matar Cláudio e afirmou que não o segurou para facilitar as agressões. Disse que queria apenas impedir que a vítima fugisse porque acreditava que ela havia roubado uma bicicleta. O entregador declarou ainda que foi levado ao erro pelas afirmações do segurança e que, em determinado momento, percebeu que a situação havia saído do controle.
Felipe afirmou também que nunca havia visto Cláudio antes e que não conhecia o segurança nem tinha qualquer relação anterior com ele. Disse ainda que não conhecia um quarto homem que aparece nas imagens das agressões.

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