Propostas dos candidatos ao governo de Minas para rodovias e transporte metropolitano
g1 apurou o que os candidatos ao governo de Minas Gerais defendem para as rodovias estaduais e o transporte na Grande BH nos planos apresentados à Justiça Eleitoral.
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Candidatos ao governo de Minas Gerais apresentam propostas divergentes para rodovias estaduais e transporte metropolitano, abordando desde concessões privadas até estatizações e melhorias na infraestrutura.
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Why It Matters
Os desafios da mobilidade em Minas Gerais envolvem a conservação de estradas e a qualidade do transporte metropolitano, gerando milhares de reclamações.
Os desafios da mobilidade, no entanto, vão além da conservação das estradas: as condições do transporte metropolitano influenciam diretamente a qualidade de vida de quem mora ou trabalha na Grande BH e depende do serviço público.
Nos primeiros sete meses deste ano, foram registradas 5.434 reclamações sobre o transporte metropolitano, uma média de 25 por dia, segundo dados do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).
As principais queixas incluem descumprimento do quadro de horários, recusa de passageiro e superlotação.
Os candidatos ao governo de Minas apresentam diferentes propostas para as rodovias estaduais e o transporte na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O g1 apurou o que cada um deles defende nos planos apresentados à Justiça Eleitoral e publicou reportagens sobre propostas referentes aos temas abaixo:
Na próxima semana, a última reportagem especial sobre os planos de governo abordará meio ambiente.
Veja abaixo o plano de cada candidato, por ordem alfabética:
Alexandre Kalil (PDT)
Alexandre Kalil (PDT) diz que as rodovias serão uma das primeiras prioridades de infraestrutura de seu governo, caso seja eleito. A ideia é que o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) faça um diagnóstico da malha estadual e, a partir disso, um programa permanente de conservação de estradas seja estruturado.
O candidato propõe que recursos destinados ao Rodoanel "juridicamente passíveis de redestinação" sejam direcionados à recuperação de rodovias estaduais, inicialmente para ações de tapa-buraco e, depois, para intervenções de maior durabilidade. Fala, ainda, em criar uma política de segurança viária com base nos locais e horários com mais acidentes.
O plano de governo defende que os contratos de concessão de rodovias prevejam obrigações claras para o ente privado, além de mecanismos de fiscalização, penalidades e modicidade das tarifas. Além disso, fala em recuperar o protagonismo de Minas Gerais na agenda ferroviária.
Em relação ao transporte metropolitano, o documento propõe a reorganização do sistema a partir das necessidades das pessoas e dos fluxos entre os municípios, de forma que ônibus, metrô e demais formas de transporte sejam planejados como uma rede.
Ben Mendes (Missão)
Ben Mendes (Missão) propõe transferir para a iniciativa privada todos os lotes rodoviários "economicamente sustentáveis" nos dois primeiros anos de governo. Ele defende leilões baseados no critério de menor valor de pedágio combinado com gatilhos de investimentos rápidos, com a condição de que a cobrança da tarifa comece apenas após obras de duplicação e terceira faixa.
A candidata fala em reduzir e limitar em até 90 dias o prazo para liberação de licenciamento para obras de duplicação e implantação de rodovias. Ela também propõe a reestruturação completa do DER-MG, transformando-o em "órgão regulador e fiscalizador enxuto".
O plano de governo sugere, ainda, um aplicativo para que motoristas denunciem buracos e problemas estruturais em estradas. A ideia é que os contratos com concessionárias prevejam multas automáticas caso os problemas informados não sejam reparados no prazo.
O documento não apresenta propostas específicas sobre o transporte metropolitano por ônibus, mas defende implementar transporte regional ferroviário de passageiros.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Cleitinho Azevedo (Republicanos) defende a priorização de investimentos públicos em rodovias estaduais e a fiscalização dos contratos de concessão vigentes. Ele propõe condicionar a aplicação de reajustes nas tarifas de pedágio à conclusão das intervenções previstas por parte das empresas.
O candidato fala em fortalecer a estrutura do DER-MG, para a execução contínua de pavimentação e manutenção da malha rodoviária, e em destravar as obras do Rodoanel – ou redirecionar os recursos previstos para obras rodoviárias estratégicas, "caso persistam impedimentos".
Outra ideia é criar um painel público digital com informações sobre contratos, prazos, valores e percentuais de execução de obras públicas em rodovias. Há ainda uma proposta de modernização da malha ferroviária.
Para o transporte metropolitano, o plano de governo defende fiscalização por desempenho, além de integração tarifária, física e operacional.
Flávio Roscoe (PL)
O plano de governo de Flávio Roscoe (PL) propõe ampliar a malha rodoviária e avançar na expansão ferroviária, mas não detalha como Roscoe pretende colocar essas medidas em prática.
O documento defende priorizar, dentro do orçamento de infraestrutura, uma cota mínima anual para as regiões Norte, Jequitinhonha e Mucuri, para que os investimentos em melhorias de rodovias não fiquem concentrados na Região Central.
O candidato não apresenta propostas específicas para o transporte metropolitano.
Gabriel (MDB)
Gabriel (MDB) defende a realização de um diagnóstico anual de infraestrutura, com levantamento das condições e dos pontos críticos das rodovias, e a implantação de um programa voltado para segurança viária. A ideia é identificar, a partir de dados de acidentes, quais vias devem ter prioridade para a instalação de sinalização, manutenção e realização de intervenções.
O candidato propõe contratos plurianuais de manutenção da rede rodoviária, em que empresas respondam pela conservação de trechos específicos, além da estruturação e da captação de recursos para projetos ferroviários. Ele fala também em manter um núcleo técnico estatal qualificado para estruturar projetos, avaliar propostas, fiscalizar contratos e dialogar com o setor privado.
O plano de governo defende planejar a rede de transporte considerando as necessidades de deslocamento da população e o acesso a serviços estaduais, como os de saúde. O documento propõe também a integração por bilhetagem dos sistemas municipais e metropolitanos, quando for possível.
Além disso, sugere a realização de estudos técnicos sobre as condições do transporte coletivo metropolitano, com avaliações sobre regularidade, tempo de viagem, lotação, confiabilidade e estrutura de custos, de modo a identificar os gargalos e a elaborar alternativas de resposta.
Henrique Áreas (PCO)
O plano de governo de Henrique Áreas (PCO) não apresenta propostas específicas para as rodovias estaduais ou o transporte metropolitano. O texto defende passe livre nos transportes para desempregados e trabalhadores da economia informal.
Indira Xavier (UP)
Indira Xavier (UP) propõe a ampliação de investimentos para a manutenção de rodovias estaduais e a revisão das concessões no setor. Ela defende a redução das tarifas de pedágio e o aumento da contrapartida exigida das empresas para a melhoria das estradas.
A candidata sugere a realização de um estudo sobre as conexões rodoviárias existentes entre as regiões do estado, para ampliar a mobilidade da população, mas não detalha como isso seria feito.
O plano de governo fala, ainda, em estatização do transporte coletivo e no fortalecimento do DER-MG.
O documento não cita propostas específicas para os ônibus metropolitanos, mas defende a implantação de um trem urbano de passageiros em toda a Grande BH, além do uso e da expansão das linhas ferroviárias.
Mateus Simões (PSD)
O candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), propõe manter e aprimorar a qualidade da malha rodoviária estadual, por meio de modelos de contratação orientados por resultados, e ampliar a capacidade e a segurança viária de estradas consideradas estratégicas para a economia e a integração regional.
Ele defende que os investimentos sejam basedos no planejamento logístico de longo prazo e nas prioridades definidas com as regiões. Além disso, fala em ampliar parcerias e concessões como instrumento de viabilização de investimentos em infraestrutura.
Em relação ao transporte metropolitano por ônibus, o plano de governo defende a integração do serviço com o metrô.
Patrus Ananias (PT)
O plano de governo de Patrus Ananias (PT) propõe implantar um programa permanente de recuperação e conservação das rodovias estaduais que priorize melhorias no pavimento, na drenagem, em pontes e acostamentos e na sinalização.
O documento fala em ampliar a segurança da malha rodoviária estadual, com a eliminação de pontos críticos de acidentes e o reforço da estabilidade de encostas.
Patrus também defende a modernização da gestão da infraestrutura rodoviária por meio de sistemas inteligentes de transporte. A ideia é monitorar as condições das vias em tempo real, de forma a garantir informações aos usuários e resposta mais ágil a acidentes.
Em relação ao transporte metropolitano, o candidato propõe a implantação de terminais intermodais e a expansão do metrô. Ele cita também na recuperação de trechos ferroviários estratégicos.
Rafael Duda (PSTU)
Rafael Duda (PSTU) defende a estatização do serviço de ônibus e a implantação de uma empresa única de transportes urbanos, que integre ônibus, trens e metrôs, sob controle dos funcionários e usuários. Ele fala também em fazer do transporte rodoviário um apêndice do transporte metroferroviário.
O plano de governo do candidato não apresenta propostas em relação às rodovias estaduais.
Túlio Lopes (PCB)
Túlio Lopes (PCB) propõe a estatização das linhas de ônibus e a criação da Empresa Mineira de Transportes, com frota pública, planejamento integrado e controle social. Ele defende tarifa zero, subsidiada com recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
O candidato sugere também a criação de conselhos populares, com poder deliberativo sobre linhas, tarifas, contratos e condições de trabalho, e a implantação de Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) nas regiões metropolitanas.
O plano de governo não cita propostas para as rodovias estaduais, mas defende a recuperação e a estatização da malha ferroviária, com trens regionais e urbanos para passageiros.
Open Questions
- Como serão financiadas as propostas mais custosas?
- Qual será o cronograma efetivo de execução das obras?







