
Número de medidas protetivas concedidas pela Justiça fluminense cresceu 22% nos primeiros dez meses de 2026.
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O programa Patrulha Maria da Penha atua em 92 municípios do Rio de Janeiro, oferecendo fiscalização de medidas protetivas e apoio a vítimas de violência doméstica.
O número de medidas protetivas concedidas pela Justiça do Rio de Janeiro aumentou 22% nos 10 primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a outubro, foram 51.052 medidas, contra 41.784 em 2025, segundo dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
Diante do aumento da procura por proteção, a Polícia Militar vai reforçar a Patrulha Maria da Penha nas regiões que concentram um número maior de mulheres acompanhadas pelo programa.
Serão destinados 24 novos policiais e viaturas para áreas da Zona Norte do Rio, da Baixada Fluminense e da Região Serrana. Nessas regiões, mais de 10 mil mulheres são assistidas. Itaguaí também passará a contar com o serviço.
Segundo a coronel Fabiana Brito, coordenadora da Patrulha Maria da Penha, a distribuição do reforço foi definida após um levantamento sobre a demanda nos 92 municípios onde o programa atua.
“Nós fizemos um estudo em todos os municípios, nos 92 municípios em que a Maria da Penha atua, e percebemos que alguns batalhões têm um número muito diferente, muito superior de assistidas. Então, concentram cerca de 42% de todas as assistidas, que são aproximadamente 27 mil”, afirmou.
De acordo com a coronel, o reforço representa um aumento de 10% nos recursos empregados pelo programa.
“O reforço das patrulhas nessas áreas, nesses batalhões com número muito elevado de assistidas, vai contribuir para dar mais efetividade e segurança para essas mulheres. A gente vai conseguir dar um atendimento de melhor qualidade, mais dinâmico e efetivo”, disse.
Acompanhamento das vítimas
O trabalho da Patrulha Maria da Penha vai além das rondas. As equipes também visitam as mulheres, mantêm contato com elas e podem acompanhá-las até audiências. O objetivo é fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas e impedir a aproximação dos agressores.
Uma das mulheres atendidas pelo programa contou que recebe acompanhamento há quase 3 anos. Ela afirma que foi casada durante 25 anos e já havia conseguido uma medida protetiva anteriormente, mas não levou o processo adiante.
Em 2024, segundo o relato dela, a violência voltou. O ex-companheiro a encontrou em uma festa, colocou-a em um carro e passou a noite agredindo-a. Ela conseguiu fugir. O homem foi preso e, posteriormente, colocado em liberdade. Atualmente, de acordo com a mulher, ele é monitorado por tornozeleira eletrônica.
“Ele está de tornozeleira e eu uso o botão do pânico. Tem um raio de 100 metros em que ele não pode se aproximar. Caso ele se aproxime nesse raio, os aparelhos acionam a central de monitoramento”, contou.
Ela diz que a presença constante das policiais trouxe mais segurança.
“Eu me sinto bastante segura. Vai fazer três anos no ano que vem e eu estou, ao longo desse tempo, sendo assistida por elas. Elas me dão todo o apoio. Elas estão sempre prontas para me ajudar.”
A cabo da PM Daiana Flor, que atua na Patrulha Maria da Penha, explica que o vínculo entre as policiais e as mulheres é construído ao longo do acompanhamento.
“No começo, para elas, é um pouco diferente ter que falar com um policial. Por mais que seja mulher, está fardada. Tem um pouco de resistência para entender. Depois, acaba construindo uma relação, porque não é só uma visita. Ali vai construindo um laço. Ela entende que o que mais importa é a vida dela.”
Mais de 135 mil mulheres acompanhadas
Em 7 anos, a Patrulha Maria da Penha já acompanhou mais de 135 mil mulheres e realizou mais de mil prisões.
Para quem passou por uma situação de violência, a ampliação dessa rede também ajuda no processo de reconstrução da vida.
“Só quem passa pela situação sabe o quanto é difícil. Eu fico muito feliz de essa rede de apoio se estender. Não é fácil recomeçar. A pessoa tem que ter um apoio familiar. Graças a Deus, eu tenho o apoio dos meus filhos, da minha família, dos amigos. Foi uma época muito difícil”, afirmou a mulher acompanhada pelo programa.

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