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Segurança pública em São Paulo: as propostas de Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad
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G13 hours agoPolitics4 min readBrazil

Segurança pública em São Paulo: as propostas de Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad

Candidatos ao governo paulista divergem em estratégias de policiamento e uso de câmeras corporais, mas convergem em tecnologia e combate ao crime organizado.

Quick Look

  • Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas apresentam planos de segurança pública para São Paulo com foco em tecnologia e combate ao crime organizado.
  • As principais divergências residem no uso de câmeras corporais e na gestão da atividade policial.

AI-generated summary

Why It Matters

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad são os principais nomes na disputa eleitoral para o governo de São Paulo. A segurança pública é um tema central no debate político estadual.

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A segurança pública aparece como uma das prioridades nos planos de governo de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidatos ao governo de São Paulo que lideram as pesquisas eleitorais. Apesar da rivalidade política, os programas têm mais pontos em comum do que divergências.

Ambos defendem ampliar o uso de tecnologia e inteligência artificial, integrar bases de dados, combater o crime organizado, fortalecer políticas de proteção às mulheres e valorizar a carreira policial.

As diferenças aparecem principalmente no enfoque das estratégias de cada candidato. Haddad aposta em investigação, controle da atividade policial e transparência de indicadores. Já Tarcísio prioriza monitoramento tecnológico, policiamento ostensivo baseado em dados e ampliação das estruturas já implantadas em seu governo.

Veja abaixo as propostas dos candidatos analisadas pelo g1 a partir dos planos de governo:

Combate ao crime organizado

Para combater o crime organizado, Haddad propõe a criação da Agência Estadual Antifacção: uma estrutura de investigação e inteligência sob liderança do governador, reunindo Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Estadual, Ministério Público e órgãos de controle.

O órgão também atuaria em convênio com a Receita Federal, a Polícia Federal, o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o plano, o objetivo é desarticular financeiramente as organizações, impedir sua infiltração na economia formal e dar destinação social aos bens confiscados.

Outra proposta do candidato do PT é a criação de uma força-tarefa permanente para o Porto de Santos, reunindo órgãos estaduais e federais para combater o tráfico internacional de drogas e organizações criminosas que utilizam o terminal como rota de exportação. O porto é apontado pelo Ministério Público como a principal porta de saída da cocaína produzida no Brasil para a Europa.

O governador de São Paulo, que disputa reeleição, também defende o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, mas aposta na ampliação de mecanismos de investigação já existentes em sua gestão.

O plano prevê intensificar investigações patrimoniais, análises financeiras e o compartilhamento de informações entre órgãos estaduais, federais e internacionais para identificar lideranças, combater a lavagem de dinheiro e recuperar ativos do crime organizado.

Outra medida apresentada por Tarcísio é articular os estados do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) para apresentar ao governo federal medidas de endurecimento da legislação contra organizações criminosas.

Violência contra mulher

É no combate à violência contra mulher que os planos de governo apresentam maiores convergências. Haddad defende o funcionamento 24 horas das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) nas regiões de maior demanda, enquanto Tarcísio promete ampliar em mais de três vezes o número de unidades com funcionamento ininterrupto no estado.

O ex-ministro da Fazenda também propõe a criação do Protege SP Mulher, Criança e Idoso, com foco no combate a violência doméstica. A residência é o local mais inseguro para as mulheres e concentra, em média, seis a cada dez feminicídios em São Paulo, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.

Para as mulheres, a plataforma vai reunir informações sobre sinais de risco e acompanhar as vítimas monitoradas. O plano prevê ainda proteção da Polícia Militar para vítimas com medida protetiva e integração com mecanismos de monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica.

Já Tarcísio aposta na expansão de iniciativas criadas durante sua gestão. Entre elas estão o aplicativo SP Mulher Segura, voltado ao registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e acionamento de emergência, e a Patrulha SP Mulher Segura, ronda especializada da Polícia Militar para acompanhamento de casos de violência doméstica e monitoramento de agressores.

Tecnologia e monitoramento

Outra semelhança entre os planos é a aposta em tecnologia, inteligência artificial e integração de bases de dados para combater o crime. A principal diferença está no foco: Haddad prioriza o uso dessas ferramentas para investigação e esclarecimento de crimes, enquanto Tarcísio defende a ampliação das estruturas de monitoramento e resposta em tempo real já implantadas em sua gestão.

O candidato do PT propõe cruzar informações de ocorrências policiais, chamadas do 190, câmeras de vigilância e leitores automáticos de placas para orientar o policiamento e fortalecer as investigações. Segundo o plano, também está prevista a criação de uma Base Estadual Integrada de Dados Criminais e de um "Placar da Segurança", com divulgação a população dos índices de esclarecimento de roubos, furtos, homicídios e feminicídios.

Já Tarcísio aposta na ampliação de estruturas já existentes. O principal projeto é o SP CIN (Centro de Inteligência e Inovação), que substituiria o atual Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), criado na gestão Alckmim em 2014. O órgão concentra em uma única estrutura o monitoramento e a resposta em tempo real das forças de segurança e demais órgãos estaduais.

O plano também prevê a expansão da Muralha Paulista, programa que integra câmeras, sensores, leitores automáticos de placas e sistemas de monitoramento dos municípios. A meta é alcançar mais de 160 mil equipamentos conectados ao SP CIN nos dois primeiros anos de governo.

Atuação policial

Uma das principais diferenças entre os candidatos está no uso das câmeras corporais da Polícia Militar, tema que marcou o debate sobre segurança pública durante a gestão Tarcísio.

Após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025, as câmeras passaram a operar sem gravação contínua. Atualmente, os equipamentos podem ser acionados pelo policial ou remotamente pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

No plano de governo, Haddad promete retomar a gravação ininterrupta durante todo o serviço nas ruas, sem depender do acionamento do agente. Já Tarcísio defende a manutenção do modelo atual.

Os dois candidatos também apresentam propostas de valorização dos profissionais da segurança pública, com medidas como estruturação de carreiras, promoções e valorização salarial. Haddad propõe ainda um programa permanente de saúde física e mental para policiais e bombeiros, além do fortalecimento das corregedorias e da Ouvidoria da Polícia, com mais autonomia e recursos próprios.

Tarcísio, por sua vez, aposta na ampliação do efetivo policial e na gestão por resultados. O plano prevê a definição de metas e indicadores de desempenho para acompanhar a resolução de inquéritos e o monitoramento dos prazos de investigação.

Sistema prisional

Os dois candidatos defendem ampliar o trabalho de pessoas privadas de liberdade e reforçar o combate à atuação de facções dentro dos presídios. As diferenças aparecem principalmente na ênfase dada à ressocialização dos detentos.

Haddad propõe separar presos por perfil criminológico e fortalecer a inteligência penitenciária para impedir que organizações criminosas continuem atuando de dentro das unidades prisionais.

O petista também pretende expandir o trabalho prisional por meio das chamadas Unidades Prisionais Produtivas, em parceria com empresas privadas, e criar um protocolo de soltura com encaminhamento para assistência social, saúde e trabalho nos primeiros 12 meses após o cumprimento da pena.

Tarcísio, por sua vez, aposta na ampliação de oficinas de trabalho e programas de qualificação profissional dentro dos presídios, em parceria com empresas públicas e privadas.

O governador também pretende integrar o sistema penitenciário ao SP CIN para monitorar e bloquear comunicações ilícitas e ampliar o uso da mão de obra de presos em ações municipais, como serviços de zeladoria urbana e recuperação de áreas atingidas por enchentes e outros desastres.

Open Questions

  • Como será a viabilidade orçamentária das propostas de ambos?
  • Qual será a reação das corporações policiais às mudanças propostas?

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This article was originally published by G1.

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